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AEA e Instituto Minerva lançam residência em engenharia automotiva

Programa de dois anos é financiado por empresas do setor para acelerar a formação de novos engenheiros

São Paulo – Inspirados na residência médica – em que médicos recém-formados ganham experiência e se qualificam em diversas especialidades trabalhando em hospitais e outras instituições de saúde – os dirigentes da AEA, Associação Brasileira de Engenharia Automotiva, e do Instituto Minerva lançaram o inédito Programa de Residência em Engenharia Automobilística, que busca aliviar um problema que há anos vem afetando o setor automotivo no País: a falta de engenheiros qualificados.

Foi a partir desta constatação que a AEA, Associação Brasileira de Engenharia Automotiva, durante a recente elaboração de seu plano estratégico, começou analisar possibilidades para o que Everton Lopes, vice-presidente da entidade, chama de “a questão mais crítica que identificamos no sentido de manter a relevância global deste setor no Brasil”.

Para elaborar o programa a AEA se uniu ao Instituto Minerva, uma instituição de ciência e tecnologia e incubadora de projetos fundada por professores da Escola Politécnica da USP, em São Paulo, que reúne engenheiros, empresas, educadores e gestores públicos em torno de programas voltados ao fortalecimento da engenharia brasileira.

O programa, que pode ser adotado por qualquer uma das setenta associadas da AEA, foi formalmente apresentado na quarta-feira, 26, durante o 33º Simea, Simpósio Internacional de Engenharia Automotiva, promovido pela associação nos dias 26 e 27 de agosto, no Novotel Center Norte, em São Paulo.

Inicialmente, como forma de testar a iniciativa, serão abertas apenas quarenta vagas para a residência, que serão ofertadas a engenheiros recém-formados integrados ao quadro das empresas associadas à AEA que se interessarem pelo programa. No pré-lançamento vinte associadas já demonstraram intenção de adotar o programa.

Curso prático de pós-graduação em dois anos

O programa de residência foi pensado para oferecer formação específica em engenharia automotiva na prática do dia-a-dia das empresas do setor, que vão financiar a iniciativa por meio do pagamento de bolsas – com valores inicialmente calculados de R$ 6 mil a R$ 7 mil mensais por engenheiro residente.

Este valor banca um curso de pós-graduação de dois anos, do tipo MBA, reconhecido pelo Ministério da Educação e com diploma assinado pelas duas entidades.

Os engenheiros residentes vão mesclar 20 horas semanais de aulas de oitenta disciplinas, conduzidas por professores do Instituto Minerva, com 40 horas de aprendizagem prática, trabalhando com mentores diretamente em projetos reais de interesse das empresas mantenedoras.

O currículo de disciplinas é desenhado de forma personalizada, para atender a atuação e projetos específicos de cada empresa mantenedora da residência, tornando o aprendizado prático e direcionado.

Cada residente terá acompanhamento técnico de um mentor dentro da empresa e, também, de uma mentoria externa do Instituto Minerva, que mantêm reuniões mensais de acompanhamento e mapeamento de oportunidades ou de ajustes. O programa inclui um Plano de Desenvolvimento Individual, utilizado para acompanhar, ao longo dos dois anos, a evolução do residente, identificar necessidades de desenvolvimento e ajustar o percurso do participante.

Aceleração da capacitação de cinco para dois anos

Lucas Moreira, presidente do Instituto Minerva, afirma que o programa foi estruturado para acelerar em apenas dois anos a capacitação de um profissional que normalmente levaria cinco anos até alcançar a qualificação plena de um engenheiro. O foco é desenvolver profissionais que, ao fim do programa, estejam preparados para assumir responsabilidades técnicas de maior complexidade.

Lucas Moreira, do Instituto Minerva: aceleração da capacitação profissional com programa de residência em engenharia automotiva.

“Nosso objetivo é formar a geração Z de engenheiros para garantir o futuro da indústria automotiva no Brasil”, afirma Moreira. “Normalmente engenheiros recém-formados chegam ao mercado desassistidos e sem experiência prática. A residência ataca essa questão: ao longo de dois anos o residente aprende trabalhando, participa de projetos reais e, ao mesmo tempo, conta com formação e acompanhamento para acelerar seu desenvolvimento profissional.”

Ao fim do programa não existe nenhuma obrigação formal da empresa mantenedora ou do residente em continuar a relação de trabalho, mas a ideia implícita de quem financia um projeto é aproveitar o profissional que ajudou a formar em seu quadro de engenheiros, como indica Moreira: “Não tenho dúvida que este será um programa transformador para a engenharia automotiva nacional, pois forma os talentos que as associadas AEA precisam”.

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