São Paulo — A operação de eixos da Cummins chegou aos 70 anos renovada e preparada para uma nova etapa de sua história. Desde a aquisição da Meritor, concluída em 2022, a unidade de Osasco, SP, acelerou seus investimentos, modernizou sua estrutura industrial, fortaleceu a engenharia brasileira e ampliou o acesso às tecnologias desenvolvidas globalmente pela companhia.
Os números ajudam a dimensionar essa transformação. Dos R$ 220 milhões investidos na operação ao longo da última década, aproximadamente R$ 150 milhões foram aplicados nos últimos quatro anos, já sob o comando da Cummins. Quase 70% de todo o volume, portanto, foi concentrado no período posterior à aquisição da Meritor.
“Quatro anos depois a aquisição, a gente já se sente realmente Cummins”, afirmou Kleber Assanti, diretor geral da Divisão de Eixos da Cummins, durante encontro promovido pela empresa para celebrar o aniversário da operação.
Segundo ele, a integração ampliou a capacidade de investimento, elevou os padrões de qualidade e excelência e fortaleceu áreas como responsabilidade corporativa, diversidade e inclusão.
Investimentos ganham velocidade
A modernização mais recente começou em 2020, ainda como Meritor, para ampliar a capacidade diante da rápida recuperação do mercado após a pandemia. O processo, no entanto, ganhou velocidade com a chegada da Cummins.
A fábrica incorporou 12 mil m² à área produtiva, recebeu novas linhas de montagem, equipamentos e sistemas de armazenagem, modernizou processos e avançou na digitalização da manufatura. Como resultado, sua capacidade instalada aumentou aproximadamente 21% na comparação com 2020, acompanhada por ganhos de produtividade, flexibilidade, rastreabilidade e qualidade.
Mas a transformação não se limitou simplesmente à estrutura industrial. Segundo os executivos, um dos principais benefícios da aquisição foi a integração da equipe brasileira à rede mundial de desenvolvimento da Cummins, com mais investimentos na formação dos profissionais e maior intercâmbio com centros tecnológicos de outros países.
Rafael Souza, diretor de produto e PMO da divisão de eixos, mostrou-se particularmente entusiasmado com essa nova realidade. Segundo ele, a estrutura da Cummins ampliou a cooperação da equipe brasileira com profissionais dos Estados Unidos, da Europa, da Índia e da China.
Assim, Osasco deixou de atuar apenas como receptora de projetos e passou a participar mais diretamente de desenvolvimentos mundiais, assumindo, em alguns casos, até a coordenação de criação de algumas plataformas globais.

“Hoje posso afirmar que somos uma empresa global”, disse Souza. “Conseguimos acompanhar o que está acontecendo lá fora e garantir o mesmo nível de tecnologia em todas as regiões em que operamos”.
Assanti reforçou que a antiga percepção de que o Brasil recebia tecnologias com uma geração de atraso já não corresponde mais à realidade da operação. Alguns projetos são desenvolvidos no País, com a colaboração das demais equipes da Cummins, enquanto outros são conduzidos simultaneamente em diferentes mercados.
A operação também avançou na nacionalização de componentes e processos que até então não eram realizados no Brasil, ampliando suas competências industriais e se preparando para atender tanto ao mercado atual quanto às mudanças tecnológicas que deverão marcar os próximos anos.
Convivência com diferentes tecnologias
A Cummins trabalha com a perspectiva de que não haverá uma única tecnologia dominante em todas as aplicações de veículos comerciais. Motores a combustão mais eficientes, combustíveis de menor emissão, sistemas híbridos e eletrificação deverão conviver durante um longo período, com ritmos de adoção diferentes de acordo com o tipo de operação.
Nos ônibus urbanos e nos caminhões de distribuição, por exemplo, a eletrificação tende a avançar mais rapidamente. Já no transporte rodoviário de longas distâncias as limitações de infraestrutura deverão manter por mais tempo a importância de outras alternativas.
É nesse cenário que a operação de Osasco procura se posicionar, preparando-se para atender aos veículos que movimentam hoje o mercado e, simultaneamente, também acompanhar as tecnologias que ganharão espaço no futuro.
No curto prazo, porém, a empresa mantém uma visão cautelosa sobre o mercado brasileiro de caminhões. Assanti trabalha com volume de 119 mil a 120 mil unidades em 2026, abaixo das cerca de 124 mil a 125 mil do ano anterior, e projeta crescimento de aproximadamente 1% em 2027.
O cenário, reconheceu, ainda é incerto e dependerá do resultado das eleições, do comportamento dos juros e da recuperação da confiança dos empresários para investir. Na opinião do executivo, no entanto, o potencial do mercado brasileiro é bem maior, com o País, em condições mais favoráveis, podendo absorver de 140 mil a 150 mil caminhões por ano.
História
A história da Cummins Osasco começou em 1956, quando a Cobrasma, Companhia Brasileira de Material Ferroviário, criou uma oficina destinada à montagem de eixos dianteiros e traseiros para veículos comerciais.
Ao longo do tempo a empresa adotou diferentes nomes, dentre eles Cresa, Braseixos, Rockwell, ArvinMeritor e Meritor. Apesar das mudanças, preservou sua especialização e se consolidou como uma das maiores produtoras de eixos da América Latina, com mais de 9 milhões de unidades já produzidas nas operações de Osasco e Resende, RJ.























