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Governo prepara nova agenda para acelerar transição tecnológica no setor automotivo

Segundo secretário do MMA será criado um grupo de trabalho sobre eletromobilidade e plano para harmonizar políticas regulatórias

São Paulo – O Brasil precisa acelerar a integração de política industrial, ambiental, energética e científica para evitar que sua indústria automotiva fique ainda mais distante dos principais mercados globais. O alerta partiu de Adalberto Maluf, secretário nacional de meio ambiente urbano, recursos hídricos e qualidade ambiental do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, durante o Simea 2026.

Segundo ele, o País tem vantagens importantes para disputar espaço na nova indústria global, como uma matriz elétrica de baixa emissão, biocombustíveis, engenharia qualificada e um parque industrial diversificado. No entanto, a falta de coordenação das políticas públicas pode comprometer a competitividade justamente quando eletrificação, digitalização e novas tecnologias avançam em ritmo acelerado.

“Se não unir a política científica, o poder de compra do governo, a política industrial, a política ambiental e a política climática, social e econômica, sempre vai faltar alguma coisa”.

Grupo de trabalho vai discutir eletromobilidade

Dentre as medidas apresentadas pelo secretário está a criação, em 2 de setembro, de um grupo de trabalho oficial dedicado à eletromobilidade. A iniciativa reunirá diferentes atores para discutir os caminhos da indústria brasileira diante do avanço dos veículos eletrificados.

Um dos temas prioritários será o aproveitamento dos minerais estratégicos brasileiros. Maluf defende que o País avance na cadeia de baterias, motores elétricos e eletrônica, em vez de apenas importar tecnologias prontas.

“Se ficarmos importando bateria de lítio, terras raras, motores elétricos e eletrônica de potência, sem usar o nosso potencial, perdemos mais uma revolução tecnológica que o Brasil poderia liderar”.

Além disso, o secretário vê espaço para conectar a política de minerais críticos ao adensamento da cadeia automotiva.

Governo quer harmonizar regras do setor

Maluf também disse que recebeu a missão de elaborar um plano de harmonização e aperfeiçoamento das políticas regulatórias do setor automotivo. A proposta surgiu após uma reunião com uma montadora, que apresentou ao governo a quantidade de cronogramas e exigências diferentes estabelecidos pelos programas públicos.

De acordo com o secretário iniciativas como Proconve, políticas de renovação de frota, eficiência energética e outros programas precisam conversar melhor entre si: “Temos uma oportunidade muito boa para o Brasil simplificar e harmonizar ações e ter uma visão de futuro sobre quais nichos e setores estratégicos têm potencial”.

Ele também pediu a participação da indústria para identificar gargalos e sugerir melhorias no processo regulatório.

Transição precisa preservar competitividade

Adalberto Maluf
Adalberto Maluf defendeu maior integração entre políticas ambientais, industriais e de inovação para acelerar a transição tecnológica do setor automotivo brasileiro

Na avaliação de Maluf, a política ambiental também pode funcionar como indutora de inovação. Porém, o aumento das exigências precisa considerar o impacto sobre a competitividade e os investimentos da indústria.

“Não podemos levantar muito a régua do requerimento ambiental sem garantir a sustentabilidade financeira e os prazos necessários para essa transição”.

Por isso, o secretário defende regras claras e, principalmente, previsibilidade para que fabricantes e fornecedores consigam planejar investimentos de longo prazo. A preocupação vale também para a logística reversa, área em que o Ministério do Meio Ambiente pretende ampliar a integração entre governo e setor produtivo.

Brasil não pode ficar isolado

Maluf fez ainda um alerta sobre a distância tecnológica do Brasil em relação a outros mercados. Segundo ele, no passado o País costumava apresentar uma defasagem de quatro ou cinco anos em relação à Europa. Agora, em alguns segmentos, essa diferença chega a dez ou doze anos. A eletrificação é um dos principais exemplos.

O secretário lembrou que a China avançou rapidamente na adoção de veículos elétricos e questionou uma estratégia brasileira baseada apenas nas tecnologias que tradicionalmente deram vantagem ao País.

Para ele, os biocombustíveis continuam sendo um diferencial competitivo, mas precisam fazer parte de uma estratégia mais ampla: “O Brasil tem uma vantagem em biocombustíveis. Vamos investir nesse nicho que outros não têm e conquistar mercados onde essa tecnologia pode fazer diferença. Mas precisamos também ter protagonismo em outras tecnologias”.

Mais de R$ 170 bilhões na economia verde

Maluf também destacou que o Plano de Transformação Ecológica, segundo ele, já conquistou mais de R$ 170 bilhões em investimentos na economia verde. Ele citou ainda a expansão do Fundo Clima, que passou de uma escala de milhões para dezenas de bilhões de reais em capacidade de financiamento.

Na avaliação do secretário, a inovação e a transição energética já atravessam diferentes políticas públicas. O desafio agora consiste em fazer essas iniciativas trabalharem de maneira coordenada.

“Hoje a inovação, a transição energética e o desenvolvimento da economia verde estão em todas as políticas públicas”.

Qualidade do ar entra na próxima etapa

Outra frente envolve a atualização da política brasileira de qualidade do ar. O governo trabalha na construção de um Plano Nacional de Gestão da Qualidade do Ar, além da atualização de inventários de emissões e de normas relacionadas às fontes móveis e fixas. Nesse processo, os veículos e os setores de combustão terão papel importante.

Maluf também anunciou que o governo pretende aprovar, em 2 de setembro, uma resolução para estabelecer níveis de atenção, alerta e emergência em episódios críticos de poluição atmosférica.

A medida poderá trazer novos impactos para políticas de mobilidade e para a indústria automotiva, especialmente nas grandes cidades.

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