São Paulo — Mobilidade urbana também é canal de expressão de cultura. Para comemorar seis anos de operações em Sorocaba, SP, o BRT Sorocaba lançou o projeto Arte no Ponto, em parceria com a BizBus, empresa especializada em mídia exterior integrada ao transporte urbano.
Sem prazo previsto para acabar o programa leva obras de artistas locais às paradas de ônibus, promovendo a cultura em espaços de passagem. A proposta é aproximar a produção artística da população, principalmente os usuários de ônibus.
Com a curadoria de Ella Vieira as obras escolhidas são: Alcance, de Michel Japs, Completude, de Karymy Gonçalves, A raiz da vida, de Cláudia Bizarro, e Sensações, de Charlotte Lich.
Segundo o BRT Sorocaba ao longo de seis anos o sistema transportou quase 100 milhões de passageiros e percorreu 39 milhões de quilômetros.
Agora a companhia propõe reflexão sobre a qualidade dos espaços urbanos, a experiência de quem utiliza o transporte coletivo e a construção de relações da população com a cidade.
Espera e viagem mais acolhedoras
“O Arte no Ponto conecta arte, cotidiano e mobilidade urbana para mostrar que a viagem de ônibus vai além do deslocamento”, afirmou Renato Andere, presidente do BRT Sorocaba. “Com a instalação das obras as paradas deixam de cumprir função exclusivamente operacional e passam a funcionar também como galerias urbanas, abertas, acessíveis e democráticas.”
Para ele as obras de arte modificam a paisagem e criam possibilidades de percepção no percurso: “O tempo de espera ganha outros sentidos, enquanto os espaços públicos ficam mais aconchegantes e próximos da vida das pessoas que circulam por eles”.
A seu ver, ao proporcionar estímulos visuais positivos e momentos de contemplação, a arte é capaz de deixar a espera e a viagem mais acolhedoras e humanizadas. Afinal os abrigos são pontos de grande circulação e encontros.
Além da intervenção estética o projeto cumpre experiência inédita de cidade: “Não estamos falando apenas de valorizar a produção cultural mas também de dar um outro sentido no tempo de espera e a percepção sobre o transporte coletivo e os espaços públicos”.
Para Rogério Bizarro, diretor da BizBus, a galeria a céu aberto permite o acesso à arte ao inseri-la em ambiente de circulação cotidiana: “É uma oportunidade de contemplar o espaço aberto a todos. Transportar pessoas também significa cuidar dos locais por onde elas ocupam e da experiência que vivem ao longo do caminho”.























