São Paulo – Durante anos, os cavalos-mecânicos na faixa dos 460 cv dominaram o transporte rodoviário brasileiro. Entretanto, a popularização das carretas de quatro eixos alterou o perfil da demanda.
Com o PBTC saltando dos tradicionais 48,5 toneladas das combinações LS para 58,5 toneladas nas composições mais modernas, transportadores passaram a exigir mais desempenho para manter velocidades médias competitivas sem comprometer a eficiência operacional.
Segundo a Scania, essa transformação explica o crescimento do interesse por caminhões de maior potência no segmento 6×2. Ainda assim, o 460 R Super permanece como carro-chefe da marca. Mas o 500 R Super vem conquistando espaço justamente entre operadores que buscam maior produtividade em rotas com topografia mais severa ou elevada quilometragem mensal.
Na visão da fabricante, o aumento da potência está diretamente relacionado à necessidade de preservar uma relação adequada entre peso transportado, torque disponível e velocidade média operacional.
Duas estratégias para o mesmo objetivo
Embora tenham a mesma potência nominal, Volvo e Scania seguem caminhos diferentes na busca pela produtividade.

No FH 500, a Volvo aposta na nova tecnologia I-Torque. O sistema utiliza inteligência artificial para monitorar continuamente posição do acelerador, peso transportado, velocidade e topografia da rodovia. Assim, com essas informações, o caminhão ajusta automaticamente a entrega de torque ao longo do percurso.
Segundo a fabricante, a tecnologia pode proporcionar redução de até 3% no consumo de combustível, especialmente em operações mais pesadas e regiões com topografia mais íngreme.
Já a Scania aposta no trem de força Super. O conjunto foi desenvolvido para operar em baixas rotações e aproveitar o elevado torque disponível desde 900 rpm. Além disso, a nova transmissão automatizada Opticruise trabalha com trocas mais rápidas e relações mais longas, reduzindo o giro do motor em velocidade de cruzeiro.
Em resumo, enquanto a Volvo busca extrair mais eficiência por meio da inteligência embarcada, a Scania prioriza a força disponível em baixas rotações para ampliar a produtividade.
O confronto dos motores
Como resultado, as diferenças aparecem logo nos números. Em outras palavras, o Volvo FH 500 utiliza o motor D13K de 12,8 litros, que desenvolve 500 cv entre 1,4 mil e 1,8 mil rpm e entrega torque máximo de 2,5 mil Nm entre 980 e 1,4 mil rpm. O conjunto trabalha associado à transmissão automatizada I-Shift.

Por sua vez, o Scania 500 R Super utiliza o motor DC13 de 13 litros com potência de 500 cv a 1,8 mil rpm e torque máximo de 2 mil 650 Nm disponível entre 900 e 1 mil 320 rpm. A transmissão é a nova G33CM Opticruise de 14 velocidades.
Na prática, o Scania oferece 150 Nm adicionais de torque. Segundo a fabricante, essa característica permite manter velocidades médias mais elevadas em operações com PBTC de 58,5 toneladas, especialmente em regiões mais acidentadas e montanhosas.
Suspensão e estrutura seguem filosofias semelhantes
Apesar da disputa tecnológica, os dois caminhões compartilham conceitos parecidos de construção.
O Volvo FH 500 utiliza suspensão dianteira parabólica e suspensão traseira pneumática. A cabine Globetrotter também conta com suspensão pneumática. Esta, uma característica tradicional da linha FH que busca reduzir vibrações e melhorar o conforto em viagens de longa distância.
No Scania 500 R Super, a suspensão dianteira também é parabólica, enquanto a traseira utiliza bolsas pneumáticas a ar. O modelo incorpora ainda sistema avançado de nivelamento da suspensão e cabine da linha R com suspensão pneumática.
Portanto, as duas fabricantes apostam em soluções semelhantes para garantir estabilidade, conforto e preservação da carga transportada.
Peso, PBTC e capacidade de carga
Quando o assunto é peso próprio, a disputa é extremamente equilibrada. Na configuração intermediária, o Volvo FH 500 apresenta tara de aproximadamente 9 mil 332 kg. O Scania R 500 Super registra peso em ordem de marcha de 9 mil 407 kg. A diferença entre os dois é de apenas 75 kg.
Na prática, essa diferença praticamente não interfere na carga líquida transportada. Considerando operações com PBTC de 58,5 toneladas, ambos deixam cerca de 49 toneladas disponíveis para a composição formada pelo implemento e pela carga transportada.
Ou seja, quem procura vantagem em carga útil dificilmente encontrará diferença relevante entre os dois modelos.
Onde o Scania leva vantagem estrutural
A principal diferença estrutural aparece na capacidade máxima de tração. Ou seja, o Volvo FH 500 tem CMT de 60 toneladas. Já o Scania 500 R Super alcança 78 toneladas de CMT e PBTC homologado de 58,5 toneladas.
Na prática, isso significa que o caminhão da Scania oferece uma margem operacional maior para aplicações futuras ou operações mais severas. Embora ambos atuem predominantemente no segmento de quatro eixos, a capacidade adicional amplia a versatilidade do 500 R Super para outros tipos de composição.
Segurança e conforto ganham importância
A escassez de motoristas profissionais vem transformando a cabine em um fator cada vez mais importante na decisão de compra.
Assim, a Volvo aprimorou a ergonomia da linha FH 2026 com novos comandos integrados na coluna de direção e evoluções no sistema I-See. O sistema utiliza conectividade para selecionar automaticamente as melhores marchas ao longo do percurso. Além disso, o modelo conta com sistemas de segurança ativa, porém, disponíveis conforme configuração.
A Scania também destaca uma ampla lista de equipamentos voltados à segurança ativa. O 500 R Super pode contar de série com frenagem autônoma de emergência, aviso de saída de faixa, monitoramento de atenção do motorista, Eco-roll e controle de cruzeiro adaptativo. Há ainda o exclusivo airbag lateral.
Ambos os modelos contam com recursos como geladeira e integração com Apple CarPlay e Android Auto.
Preço próximo, vendas diferentes
Na tabela Fipe, os valores são bastante semelhantes. O Volvo FH 500 6×2 aparece cotado em R$ 1 milhão 190 mil 200. Já o Scania 500 R Super 6×2 registra preço médio de R$ 999 mil 854. A diferença entre eles é de um pouco mais de R$ 190 mil.
Mas além da diferença de preço, as vendas também são distintas. Nesse sentido, entre janeiro e julho de 2026, o Volvo FH 500 acumulou 1 mil 802 emplacamentos. No mesmo período, o Scania 500 R registrou 828 unidades licenciadas, segundo dados da Fenabrave.
A nova guerra dos 500 cv
Seja como for, a evolução das composições rodoviárias está redefinindo o segmento dos pesados no Brasil.
Se antes os modelos de 460 cv representavam o centro do mercado, hoje os caminhões de 500 cv começam a ocupar um espaço cada vez mais estratégico nas operações de longa distância.
Nesse cenário, Volvo FH 500 e Scania 500 R Super simbolizam duas visões distintas para enfrentar o mesmo desafio.
De um lado, a Volvo aposta na inteligência artificial para otimizar a entrega de torque e reduzir o consumo de combustível. Do outro, a Scania investe em um trem de força com um dos maiores torques da categoria para elevar a velocidade média e a produtividade.
O resultado é uma disputa que vai muito além da potência estampada na cabine e que ajuda a explicar por que os caminhões de 500 cv estão se tornando uma das configurações mais desejadas pelos transportadores brasileiros.
Ficha técnica comparativa
| Especificação | Volvo FH 500 6×2 | Scania R 500 Super 6×2 |
| Motor | Volvo D13K | Scania DC13 174 Super |
| Cilindrada | 12,8 litros | 13 litros |
| Potência máxima | 500 cv entre 1.400 e 1.800 rpm | 500 cv a 1.800 rpm |
| Torque máximo | 2.500 Nm entre 980 e 1.400 rpm | 2.650 Nm entre 900 e 1.320 rpm |
| Transmissão | I-Shift automatizada | Opticruise G33CM automatizada |
| Número de marchas | 12 ou 14 marchas (com super-reduzidas) | 14 marchas |
| Marcha overdrive | Sim | Sim (0,78:1) |
| Suspensão dianteira | Parabólica | Parabólica |
| Suspensão traseira | Pneumática | Pneumática |
| Freios | Tambor com ABS e EBS | Tambor com EBS e ESP |
| Freio motor | VEB+ | CRB + Freio Motor (350 kW) |
| Retarder | Opcional | Opcional (500 kW) |
| Eixo traseiro | RSS1360 | AD400TA |
| Relações de diferencial | 2,85 / 3,08 / 3,40 / 3,67 | 2,87 / 3,07 / 3,23 / 3,42 / 3,64 |
| Peso em ordem de marcha | 9.332 kg* | 9.407 kg |
| PBT técnico | 28 t | 26,1 t |
| PBTC homologado | 60 t (CMT) | 58,5 t |
| Capacidade Máxima de Tração (CMT) | 60 t | 78 t |
| Tanques de combustível | Até 1.020 litros | Até 905 litros |
| Cabine | Globetrotter | Linha R CR20H |
| Suspensão da cabine | Pneumática | Pneumática |
| Largura da cabine | 2.495 mm | 2.577 mm |
| Altura da cabine | 3.955 mm | 3.960 a 4.369 mm |
| Distância entre eixos da versão analisada | 3.500 mm | 3.350 mm |
| Tecnologias de condução | I-See, I-Torque, I-Shift | Opticruise, Eco-roll |
| Assistente de faixa | Disponível conforme configuração | Série |
| Frenagem autônoma de emergência (AEB) | Disponível conforme configuração | Série |
| Monitoramento de atenção do motorista | Disponível conforme configuração | Série |
Fonte: Scania e Volvo























