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Inadimplência seguirá em alta nos próximos meses, projeta Itaú

A partir do segundo semestre curva deverá reverter, retornando também o crédito menos restritivo

São Paulo – A inadimplência nos financiamentos de veículos 0 KM continuará sua trajetória de alta até o fim do ano, com sinais de estabilidade apenas no primeiro semestre de 2023, indicam projeções do Itaú Unibanco. Segundo o diretor Rodnei Bernardino de Souza a curva deverá ser revertida apenas no segundo semestre.

Dados do Banco Central apontaram que o índice de inadimplência dos financiamentos de veículos 0 KM chegou a 5,1% em agosto, 0,2 ponto porcentual acima da média de julho. Segundo o diretor o aumento da inadimplência começou a ser notado no último trimestre do ano passado e avançou ao longo de 2022 por causa de fatores como a elevação da inflação e das taxa de juros, que elevaram o comprometimento da renda dos consumidores:

“Desde o fim do ano passado o Itaú e todo o mercado começou a fazer ajustes na oferta de crédito, movimento que avançou ao longo de 2022. Os ajustes tornaram a oferta de crédito mais criteriosa, aprovando menos fichas por causa do risco maior”.  

Diante desse cenário sua expectativa é a de que o crescimento da aprovação de financiamentos volte apenas no segundo semestre do ano que vem, com o recuo da inadimplência. Até lá sofrerá com os entraves citados, mas Souza fez questão de ressaltar ser problema passageiro, que deverá arrefecer a partir de julho do ano que vem. Não chega, na sua opinião, a ser considerada uma crise de crédito.

Dados da B3 mostram que o volume de financiamentos de automóveis e comerciais leves novos e usados caiu 12% em agosto, comparado a igual período do ano passado. No acumulado do ano, considerando veículos pesados e motocicletas, os financiamentos somaram 3,5 milhões de unidades, retração de 10,2%, ou 400 mil veículos a menos.

Já o valor liberado para financiamentos pelo Itaú cresceu, chegando a R$ 15,4 bilhões até junho, alta de 4,4% com relação ao mesmo período de 2021. Esse crescimento foi puxado por dois fatores: alta no preço médio dos veículos e incremento da taxa de juros praticada pelo mercado. Até dezembro a demanda deverá seguir no patamar atual, sem grandes avanços ou recuos, segundo Souza.

Para o mercado de automóveis e comerciais leves 0 KM o Itaú trabalha com as projeções divulgadas pela Fenabrave, que mira um empate com 2021.

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