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Exportação de autopeças para blocos regionais é saída para manter setor

EXLUSIVO PARA ASSINANTES: Cláudio Sahad, do Sindipeças, e Norberto Taranto, da Afac, apostam no fornecimento de peças para motores a combustão

São Paulo – Frente ao período de transição global para a eletrificação é uníssona a avaliação de que o caminho a ser trilhado por Brasil e Argentina será o de veículos híbridos, além dos tradicionais dotados de motores a combustão, que deverão ter vida longa, uma vez que a participação dos movidos a bateria no mundo é de 1,8% e que o período mínimo para a renovação da frota global, de 1,4 bilhão de unidades, supondo que todos os novos veículos fossem elétricos, seria de 17,6 anos. Dentro da realidade factível e esperada, de que 30% sejam a bateria, serão necessários 58,8 anos. Dito isto a exportação de autopeças para blocos regionais é projeto que deve ser intensificado a fim de que sejam atraídos olhares, demanda e investimentos.

Foi o que avaliaram os presidentes da Afac, Associação de Fábricas Argentinas de Componentes, Norberto Taranto, e do Sindipeças, Cláudio Sahad, durante o primeiro dia do 5º Congresso Latino-americano de Negócios do Setor Automotivo, realizado pela AutoData de forma online até a sexta-feira, 15.

Sahad apontou que de 2019 a 2022 os blocos regionais representaram 90% das exportações de autopeças. Destaque para a América do Sul, que consumiu metade do volume no ano passado, que rendeu US$ 4,1 bilhões – enquanto três anos atrás a fatia era de 34,2% e quem liderava as encomendas eram Estados Unidos, Canadá e México, com 36,8%. No ano passado o USMCA, antigo NAFTA, comprou 26% do total ou US$ 2,1 bilhões.

Neste período a União Europeia recuou de 16,6% para 13,6%, ou US$ 1,1 bilhão, os Brics também, de 3,2% para 2,8%, ou US$ 231 milhões, e demais países da América Latina, exceto o México, de 1,6% para 0,8%, ou US$ 69 milhões.

“O potencial é enorme e, para impulsioná-lo, é preciso estabelecer, imediatamente, o acordo com a União Europeia, a fim de expandir as exportações, incluir o setor automotivo no acordo do Mercosul e, claro, melhorar as condições internas de competitividade para reduzir o custo de produção. E assim fazer com que as multinacionais concentrem suas produções de motores aqui à medida que os países europeus e os Estados Unidos forem avançando à eletrificação até 2035.”

Outro dado apresentado pelo dirigente do Sindipeças foi que neste mesmo período, de 2019 a 2022, 11,6% das exportações totais de autopeças foram de motores e 26,4% de componentes para motores. Neste ano até junho os motores representaram 11% e seus componentes 22,8%.

“Com este potencial e diante do fato de que até 2050 só deverão restar três mercados com fabricação de motores a combustão, Brasil, Índia e China, sendo que os chineses deverão concentrar esforços nos elétricos, isto pode trazer receita que permita que as fabricantes invistam em tecnologia e inovação e assegurem sua sobrevivência.”

Taranto apontou que Brasil e Argentina complementam suas produções, uma vez que o país vizinho tem vocação para picapes e também tem a intenção de intensificar sua fabricação – atualmente apenas 55% da capacidade instalada de 1 milhão de unidades atuais é utilizada: “O futuro para a nossa região será híbrido, não há dúvidas. Se no mundo 1,8% da frota é elétrica na Argentina o porcentual é de 0,15%”.

Ele chamou a atenção, também, para o fato de que a fatia de mercado dos eletrificados no mundo avançou de 0,2% em 2013, com 206 mil unidades, para 13%, com 10,5 milhões, em 2022, crescimento que deve ser mantido na casa de 50% por ano.

O dirigente da Afac lembrou a participação dos dois países na produção mundial de veículos. Ambos mantiveram seus porcentuais, Brasil com 2,8% e Argentina com 0,6% ao longo de duas décadas, apesar de a quantidade fabricada ter saltado de 1,6 milhão para 2,3 milhões de veículos, no caso brasileiro, e de 340 mil para 537 mil no caso argentino.

Embora houvesse picos, como em 2010, quando Brasil alcançou 4,3% de representatividade devido a 3,3 milhões de unidades anuais e a Argentina com 0,9%, 717 mil unidades, a China saltou de 4% para 32% de 2000 a 2022, de 2 milhões para 27 milhões de veículos por ano.

“Precisamos ser mais competitivos para absorver a produção de países que deixarão de fabricar veículos e componentes a combustão e impulsionar a nossa, pois o motor a combustão terá vida longa tanto em OEM como na reposição.”

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