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Basf deixará de produzir tintas automotivas na América do Sul

Cerca de 150 profissionais serão afetados com decisão, porém, processo se estenderá por dezoito meses e sindicato dos químicos tentará negociar realocação

São Paulo – A Basf anunciou o encerramento da produção de tintas automotivas na América do Sul, o que afetará a unidade Demarchi, em São Bernardo do Campo, SP, e a fábrica de Tortuguitas, na Argentina. O processo de desmantelamento se dará em até dezoito meses, com conclusão prevista de forma escalonada até agosto de 2025.

“A decisão resulta de profunda análise dos negócios e locais de produção em níveis global e regional”, afirmou a companhia, em nota. “Como parceira de longo prazo da indústria automotiva a Basf desenvolverá um plano pormenorizado e cuidadoso de encerramento gradual junto com seus clientes, garantindo o cumprimento dos contratos antes de fechar suas operações.”

Trabalham, hoje, na linha de produção da fábrica no bairro Demarchi cerca de 150 profissionais. A companhia informou que, por ora, não haverá cortes, pois o processo pode se estender por até dezoito meses. O Sindicato dos Químicos do ABC, no entanto, lamentou o fato de a decisão ter sido comunicada sem antes a empresa ter negociado com a entidade a fim de buscar outra saída para estes empregados.

Segundo Fábio Augusto Lira, trabalhador na Basf desde março de 1995, e secretário de administração e finanças do sindicato, o aviso tomou a todos de surpresa devido ao bom momento da economia brasileira e ao modo como a decisão foi sacramentada, classificada por ele como sem margem para diálogo:

“A Basf é a maior empresa química do mundo e essa região é estratégica para ela. A decisão foi global e, embora o negócio já viesse ruim há algumas décadas, entendemos que ela descumpriu as normas internacionais do trabalho porque as diretrizes da OCDE, da OIT e da ONU dizem que as multinacionais devem comunicar com antecedência aos representantes dos trabalhadores e ao poder público local qualquer decisão que venha afetar socialmente a vida dos profissionais, em especial o que se refere à reestruturação produtiva e ao fechamento de localidades”.

Trabalhadores protestam contra decisão da empresa em frente à unidade Demarchi, em São Bernardo do Campo. Foto: Divulgação/Sindicato dos Químicos do ABC

O sindicato realizará na quinta-feira, 7, duas assembleias a fim de aprovar pauta de reivindicação que trata da manutenção dos empregos e, junto ao grupo de trabalho criado em defesa do emprego, composto pelo sindicato, RH da empresa e pela comissão de fábrica da unidade, serão discutidos procedimentos de garantias em todos os cenários, inclusive o de saída amigável caso realmente não haja a possibilidade de realocação.

“Queremos construir um acordo bom para as partes. Que é a manutenção do emprego e o remanejamento dos profissionais para outras linhas de produção ou para outras unidades. Qualquer coisa fora disso é redução de postos de trabalho e para nós não interessa discutir somente o pacote de benefícios.”

A possibilidade de greve não é descartada.

Além de encerrar as linhas de produção no Brasil e na Argentina, onde 65 profissionais deverão ser dispensados no mesmo prazo de dezoito meses, a Basf não mais comercializará tintas automotivas na América do Sul.

Operação no ABC continuará com tintas decorativas e plásticos de engenharia

A unidade Demarchi, de acordo com a companhia, continuará sendo o principal local de produção, logística e pesquisa e desenvolvimento de tintas decorativas, comercializadas sob as marcas Suvinil & Glasu!, e o negócio seguirá operando normalmente, sem alterações. Ao todo, trabalham no local em torno de oitocentos funcionários.

A Basf informou, ainda, que continuará atendendo a indústria automotiva com foco em repintura de soluções automotivas, plásticos de engenharia, espumas funcionais e aditivos para combustíveis e lubrificantes, entre outros produtos: “Além disto a marca Chemetall, que fornece soluções tecnológicas e sistemas personalizados para tratamento de superfícies, continuará operando e atendendo a todos os clientes”. 

Em junho do ano passado a indústria química anunciou investimento de R$ 35 milhões na unidade Batistini, também em São Bernardo do Campo, a fim de concluir processo de integração de sua cadeia produtiva da poliamida 6.6, que tem na indústria automotiva sua maior cliente. Trata-se do sal nylon, insumo utilizado para produzir plástico de engenharia também presente nos veículos.

A unidade de Tortuguitas permanecerá com atividades relacionadas à repintura automotiva, serviços administrativos e técnicos, negócio de produtos químicos de cuidados pessoais e domésticos e do Centro de Treinamento de Repintura.

castertech

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