Em destaque

Primeiras habilitações ao Mover deverão sair nos próximos dias

Expectativa é que haja uma corrida para se habilitar e apresentar projetos pois MDIC sinalizou que serão analisados por ordem de chegada
Metaverso Industrial - Renault do Brasil. Foto: Rodolfo Buhrer / La Imagem / Renault

São Paulo – Não deverá demorar muito para que as primeiras empresas automotivas estejam habilitadas ao Mover, Mobilidade Verde e Inovação, a segunda fase do Rota 2030 que dita os rumos da política industrial do setor automotivo brasileira. Como os recursos são finitos – R$ 19 bilhões em créditos financeiros, sendo R$ 3,5 bilhões em 2024, R$ 3,8 bilhões em 2025, R$ 3,9 bilhões em 2026, R$ 4 bilhões em 2027 e R$ 4,1 bilhões em 2028 – e, pelo que indicou Uallace Moreira, secretário de desenvolvimento industrial do MDIC, Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, com as avaliações sendo realizadas por ordem de chegada, a tendência é de uma corrida para apresentar projetos ao ministério.

A portaria publicada na terça-feira, 26, ampliou o espectro: o dispêndio mínimo de pesquisa e desenvolvimento para as autopeças, por exemplo, ficou abaixo do que era no Rota 2030, 1%, ante 1,2%.

“Acredito que foi uma forma do governo de ampliar o alcance do programa”, afirmou Francisco Tripodi, sócio diretor da Pieracciani, consultoria que, no Rota 2030, atendeu a 19% das empresas habilitadas. “Um incentivo para aumentar a adesão, que foi baixa na primeira fase.”

Tripodi disse que muitas empresas, especialmente da cadeia de autopeças, apesar de conseguirem alcançar o mínimo exigido, acabam desistindo de entrar no programa por receio das porcentagens: “É preciso fazer muita conta, simular muitos cenários para decidir aderir ou não. Porque uma vez dentro não tem como sair: é preciso cumprir todos os requisitos”.

Das montadoras a expectativa é de adesão total. Os R$ 19 bilhões, portanto, podem ser “pouco” para o setor automotivo, que já tem mais de R$ 107 bilhões em investimentos acumulados de 2021 a 2032. Todos os investimentos, seja em pesquisa e desenvolvimento, seja em projetos industriais para novos produtos ou realocação de unidades industriais no Brasil, passando por projetos de reciclagem, são candidatos a receber os créditos financeiros previstos no Mover.

O consultor acrescentou que a forma escolhida pelo governo, de ordem de chegada, pode gerar confusão no futuro: “Este método fere o princípio da isonomia econômica. Não leva em consideração a meritocracia, por exemplo, não necessariamente o melhor projeto será o escolhido, mas aquele que chegou mais rápido. E se o investimento não for cumprido, como ficará?”.

A primeira portaria, porém, só trouxe uma parte das regulamentações e, por isto, algumas dúvidas só poderão ser sanadas mais adiante. Nas próximas semanas é esperada a publicação de outra regulamentação importante, a do IPI verde, que definirá a cobrança de imposto com base na motorização, combustível e índice nacionalização e de reciclabilidade de cada veículo.

O governo pretendia publicar tudo junto, mas optou por separar a regulamentação das habilitações da do IPI verde porque o segundo ainda gera muita discussão: a depender do teor uma fabricante poderá ser beneficiada em função da outra por causa dos projetos que têm em seu horizonte. 

fiat

Notícias relacionadas

fiat
fiat

Receba as principais notícias do setor automotivo diretamente no seu WhatsApp.

Receba diariamente as principais notícias do setor automotivo, análises de mercado e tendências da indústria no seu e-mail corporativo.

fiat