São Paulo – Embora a Ford não produza aqui desde 2021, quando encerrou a linha em Camaçari, BA, sua engenharia local não somente foi mantida na Região Metropolitana de Salvador como prosseguiu se destacando. A equipe, composta por 1,5 mil profissionais, passa 85% do tempo trabalhando com projetos globais e apenas 15% com iniciativas dedicadas à América do Sul.
O centro de desenvolvimento e tecnologia brasileiro é um dos nove da Ford espalhados pelo mundo e um terço das funcionalidades embarcadas nos veículos da marca em todo o mundo saem daqui. , afirmou Martín Galdeano, presidente da Ford na América do Sul, durante o 6º Congresso de Negócios da Indústria Automotiva Latino-Americana, realizado por AutoData de 19 a 23 de agosto:
“Em Camaçari, por exemplo, os engenheiros desenham a experiência do usuário da nova geração do sistema de entretenimento que virá embarcado tanto em carros que serão vendidos na região como de modelos que nem chegarão por aqui. Imaginem, portanto, a preponderância que possui essa equipe para a Ford em nível mundial”.
Galdeano ressalvou que o desenvolvimento deste tipo de serviço de engenharia pode ser feito em qualquer lugar do mundo e, “por isto, é muito importante termos a certeza de que possuímos o melhor nível de profissionais”. Ele reconheceu que, embora a engenharia brasileira seja muito competente, criativa e possua habilidade para concorrer em mercados globais, o custo de mão de obra e a baixa rotatividade também pesam na equação.
Além do centro de desenvolvimento tecnológico da Bahia a Ford mantém produção na América do Sul em General Pacheco, Argentina, de onde saem a picape Ranger e motores, e em Montevidéu, Uruguai, onde é montada a Transit em parceria com a Nordex.
“Nos últimos dezoito meses a Ford renovou seu portfólio com quinze novos produtos, sendo que o mesmo veículo ofertado na região é o comercializado globalmente”, disse o executivo, ao complementar que no ano passado a companhia registrou crescimento de 23% na América do Sul e, nos primeiros sete meses de 2024, aumento de 19%.
Se for aplicado um recorte para o desempenho da marca no Brasil tem-se incremento de 38% no ano passado, ao passo que a indústria expandiu 9,9% no mesmo período, e acréscimo de 67% nos emplacamentos ao longo dos primeiros sete meses de 2024, sendo que julho foi o melhor mês de vendas nos últimos três anos, tanto no País como na região. No mercado brasileiro a Ranger também ocupa a segunda posição do segmento, com fatia de 20,7%, e expansão de 58,8% no acumulado do ano.

Os números falam por si e, na definição de Galdeano, a Ranger é a coluna do negócio da Ford na América do Sul. Ele assegurou que Pacheco continuará dedicada à produção exclusiva da picape. Com capacidade produtiva anual instalada de 100 mil veículos e 82 mil motores — o Lion 3.0 V6 e o Phanter 2.0 4 cilindros — o plano é manter a fórmula exatamente assim, a não ser pela carga tributária que assombra a Argentina, do mesmo jeito que atrapalha o Brasil, guardadas as devidas proporções, quando o assunto é ampliar as vendas externas.
“Dependendo do índice de localização da picape o imposto incidente no custo do produto, que é embarcado com ele, varia de 20% a 25%. Ao mesmo tempo na Tailândia, onde também ela é fabricada, não há essa carga.”
Ou seja: existe espaço para a Ranger crescer no Brasil mas, para que este comércio seja estendido a outros países, pontos como este, além da ampliação de acordos bilaterais, são imprescindíveis.























