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Ícone na China Poer P30 entra na briga das picapes com preço e garantia agressivos

Picape GWM estreia no Brasil ainda importada, mas já configurada para as condições e o cliente daqui

São Francisco de Paula, RS – A nova picape média do mercado brasileiro é um ícone na China. No maior mercado de veículos do mundo uma a cada duas picapes vendidas é Poer, a marca de picapes da GWM. Ela começou a ser produzida em agosto no Brasil e teve suas vendas iniciadas, ainda com unidades importadas, na quarta-feira, 10.

Já são 27 anos de liderança da GWM neste segmento na China, o que quer dizer muita coisa sobre esta nova picape. Totalmente desconhecida do público brasileiro a Poer P30, em duas versões, carrega as características que fazem sucesso em seu país natal como o conforto, a tecnologia e a robustez, além da tradição, um quesito importante para o público deste segmento também aqui no Brasil. A GWM já vendeu 2 milhões 650 mil unidades de picapes desde 1996, não apenas na China mas em cinquenta países, em quatro continentes. Foi exportada para o Reino Unido, por exemplo. Então, para a maioria que nunca havia escutado o nome Poer, é preciso ressaltar que o produto tem história e bons serviços prestados.

Para Jack Wei, chairman que deu início à trajetória da GWM como uma das primeiras empresas automotivas na China com capital 100% privado, a admiração que ele sempre teve pelos produtos, a forma de produção e as estratégias globais da Toyota, pautou as suas decisões. A primeira picape lançada por ele, em 1996, chamada Deer, é uma cópia da Hilux. Wei costuma dizer que tem “o olhar para a qualidade de produção e, também, para as decisões que fazem a Toyota a maior empresa do setor automotivo”.

Não à toa a GWM, na contramão de muitas outras fabricantes chinesas, oferece um portfólio diversificado de propulsão com modelos 100% elétricos, híbridos e movidos a hidrogênio, mas, também, veículos a combustão interna, assim como a Toyota. A Poer utiliza motor turbodiesel e transmissão produzidos pela própria GWM na China.

O poder da Poer

Seja utilizada para o trabalho pesado no campo ou no transporte de cargas das mais variadas características, algo que será marca registrada da Poer P30, nas duas versões, Trail e Exclusive, é o conforto. Segundo Guilherme Teles, diretor de planejamento de produto, esta característica primordial no mercado chinês passou por muitos ajustes para a versão brasileira. Um bom exemplo é a o conjunto que trabalha os impactos dos pneus no pavimento. A suspensão dianteira é independente com braços duplos e barra estabilizadora e a traseira tem eixo rígido, molas semielípticas e amortecedores dispostos em ângulos opostos.

Foram três rodadas de calibração feitas na China até a engenharia nacional validar o ajuste com as características que se adequam ao padrão brasileiro, procedimento que também envolveu a progressividade nos movimentos do volante por meio do sistema elétrico de direção, de acordo com Teles: “A suspensão foi adaptada às condições de rodagem do Brasil para garantir estabilidade e absorção eficiente de impactos, suportar carga pesada e as diferentes exigências de piso sem abrir mão do conforto, que é uma característica muito forte da Poer”.

O resultado da calibração na prática, durante test-drive realizado em São Francisco de Paula, na Serra Gaúcha, apresentou uma picape com pouca inclinação nas curvas – algo notado quando testamos, na China, a Poer vendida lá – por causa da suspensão mais firme, ao mesmo tempo em que vibração e nível de ruídos são quase imperceptíveis na cabine. Na carroceria dez pontos estratégicos estão cobertos com painéis laminados. A propagação das vibrações é interrompida por meio de cavidades estruturais e reforços na vedação no assoalho, nas portas e no cofre do motor, que atuam como uma barreira. Teles afirma que o baixo nível de ruídos é um dos pontos fortes da picape chinesa: “Graças ao excelente nível de isolamento acústico da cabine a P30 é de dois a quatro decibéis mais silenciosa que as demais concorrentes”, a saber Toyota Hilux, Ford Ranger, Chevrolet S10 e Mitsubishi Triton.

Ao acessar a cabine o picapeiro raiz vai encontrar um ambiente bem diferente daquele a que está habituado. Duas telas full HD de 10,25 polegadas no painel de instrumentos e de 14,6 polegadas na central de infoentretenimento dominam o ambiente. Acabamento de primeira em vários tons e materiais, inclusive nos bancos, que têm ajustes elétricos e aquecimento e resfriamento do assento na versão top de linha. Volante com controles multifuncionais e borboletas integradas para a mudança de marchas. E uma estilosa gravura da silhueta de uma picape no painel em frente ao passageiro que fica iluminado no escuro.

Dentre os itens exclusivos vale destacar o acionamento pelo volante do sistema ADAS de nível 2, com controle de cruzeiro adaptativo mais inteligente, função stop and go em congestionamentos, além de alertas e frenagem de emergência em cruzamentos, faixa de pedestres e tráfego cruzado. Há a possibilidade de conectar pelo console central três pontos de alimentação 12V para instalação de equipamentos. Eles ficam posicionados no cofre do motor, para a instalação de um guincho elétrico, por exemplo, no banco do motorista, indicado para ligar um pequeno refrigerador e na parte traseira do chassi para uso de reboques.

Diferenças relevantes

Com 5 m 416 mm de comprimento, 1 m 947 mm de largura, 1 m 886 mm de altura e caçamba com capacidade de 1 mil 248 litros [1 tonelada de carga, sendo que a tampa suporta até 150 kg], a Poer tem nessas dimensões a liderança diante seus principais concorrentes. Isto resulta em espaço interno um pouco mais generoso tanto na frente quanto nos bancos traseiros, além da possiblidade de acomodar melhor a carga no seu compartimento traseiro.

Por outro lado, olhando apenas para a ficha técnica e comparando com o que é oferecido no mercado de picapes 4×4, a potência do seu motor 2.4 turbodiesel de 184 cv, pode trazer dúvidas ao consumidor, acostumado a escolher modelos com mais de 200 cv. Apenas a Ford Ranger tem menos potência do que a Poer.

No entanto seu bom torque de 480 Nm, com 50% dessa força disponível a apenas 1 mil rotações [100% a 1,5 mil rpm], e sua transmissão de nove velocidades, proporcionam um comportamento bem interessante à picape chinesa. Numa estrada sinuosa cheia de subidas e descidas, com muitos buracos e pedras durante uma forte chuva na Serra Gaúcha, a Poer se comportou bem, dando respostas imediatas e demonstrando muita estabilidade.

Quando exigida neste curto circuito por este condutor, acostumado a rodar com as outras picapes vendidas no mercado nacional, não houve a percepção de que falta potência. Até porque em terreno molhado o torque ajuda mais do que a potência.

Não apenas a combinação de conforto e tecnologia com robustez e desempenho fazem dessa essa nova picape nacional uma ótima opção. A GWM fez a lição de casa para posicionar a Poer no mercado nacional.

PREÇOS
Poer P30 Trail – R$ 220 mil
Poer P30 Exclusive – R$ 240 mil

As condições são válidas até 20 de setembro, quando ambas as versões sobem R$ 20 mil.

A Trail será a opção mais para o trabalho, pois não constam em seu catálogo as tecnologias de condução semiautônoma e de segurança ativa, como aviso de colisão traseira, sistema de detecção de ponto cego. Já a Exclusive é completa e possui diversos itens que só ela oferece no segmento.

Mesmo assim os preços são competitivos e não vão mudar porque quem controla o estoque é a GWM. Dessa forma a empresa garante que o preço da Poer será o mesmo no Estado do Tocantins e em São Paulo, ao contrário do que pode acontecer quando os concessionários definem o preço final dos produtos em diferentes regiões do País.

São apenas três opções de cores, preto, branco e prata, justamente as mais procuradas. Aliás, não fosse o símbolo da marca Poer estampada na grade frontal, passaria despercebida pelas ruas e estradas do País. Isto porque é preciso lembrar que a Toyota tem sido a inspiração de Jack Wei e a Hilux foi o primeiro veículo que o chairman da GWM reproduziu, lá em 1996. Desta forma o visual da Poer nacional lembra a Hilux tanto no recorte da sua grade frontal, quanto no desenho do conjunto ótico frontal e das lanternas traseiras.

Mas a reprodução mais importante para o consumidor brasileiro está na oferta de dez anos de garantia, assim como o da Toyota Hilux. São as únicas picapes com este prazo para motor, transmissão, caixa de direção, freios, eixo, sistemas de arrefecimento, de combustível e do ar-condicionado. Enquanto a Toyota estipula um limite de 200 mil quilômetros e 100 mil quilômetros para o condutor pessoa física e o profissional, respectivamente, a GMW amplia sua garantia para 250 mil quilômetros e 125 mil quilômetros nos dois casos.

Todas as Poer P30 vendidas neste primeiro momento serão importadas da China. Elas foram produzidas com as especificações para o mercado brasileiro porque a fábrica de Iracemápolis, SP, ainda está em fase final de ajustes e só entregará as primeiras unidades no último trimestre de 2025. De acordo com Diego Fernandes, COO da GWM Brasil, a construção da estratégia de vendas levou em conta os volumes para este primeiro momento, mas “ainda não é hora de pensar em participação de mercado, mas de consolidação da marca no universo das picapes.”

A expectativa é de que 80% das vendas sejam feitas para produtores rurais, pequenos frotistas e empresários, de acordo com Fernandes. Há razões para estar otimista, porém: ao contrário de outras marcas com origem na China a GMW prefere dar um passo de cada vez e não divulga sua perspectiva sobre o volume de vendas. Mas está claro que eles não estão aqui para serem coadjuvantes no mercado de picapes. 

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