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E-bikes ocupam seu espaço na mobilidade urbana brasileira 

Modelos com bateria crescem em vendas e se transformam em ótima opção para deslocamentos de pequenas e médias distâncias

São Paulo – Um meio de transporte vem ganhando cada vez mais adeptos no cenário da mobilidade urbana brasileira: a bicicleta elétrica. Os números comprovam o crescimento desse novo meio de locomoção: no ano passado Caloi, Oggi, Sense e Audax produziram 335,6 mil bicicletas em suas unidades no Polo Industrial de Manaus, AM, volume 5% maior do que o projetado pela Abraciclo, Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares.

Desse volume, 46,9 mil foram elétricas, equivalente a 14% do mercado. Em 2024, a participação era de 5,5%. O balanço da entidade reforça a evolução nas vendas de bicicletas com bateria no País. 

Pesquisa da CNT, Confederação Nacional do Transporte, ajuda a entender este movimento. Segundo a entidade 40% dos deslocamentos urbanos são de 5 a 12 quilômetros, distância longa para uma bicicleta convencional e, ao mesmo tempo, curta para tirar o carro da garagem.

“Estamos observando o fenômeno de migração para as bicicletas elétricas”, disse Allan Sicsic, coordenador de relações institucionais da Abraciclo. “Elas se apresentam como alternativa para percorrer trajetos de curta e média distâncias, ajudando a transformar pequenos trajetos em momentos mais agradáveis e saudáveis.” 

É preciso, porém, distinguir bicicleta elétrica e autopropelido. De acordo com a resolução 996/2023 do Contran, Conselho Nacional de Trânsito, a bicicleta elétrica – também chamada de e-bike – dispõe de sistema de potência auxiliar de até 1 mil watts, motor acionado por pedais, o sistema Pedelec, velocidade de até 32 km/h e não possui acelerador manual ou de qualquer outro tipo. 

A e-bike deve circular em ciclovias, ciclofaixas, quando disponíveis, e calçadas, respeitando o limite de 6 km/h. Embora tenham a mesma potência e velocidade máxima os autopropelidos são equipados com acelerador, que dispensa os pedais, e sua largura não pode passar de 70 centímetros. 

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Nesta categoria está também o patinete elétrico, meio de transporte cada vez mais presente nos canteiros centrais das grandes avenidas. Os dois casos não exigem carteira de habilitação e uso de capacete, embora o acessório seja recomendável para aumentar a segurança do condutor.

“Em comparação à bicicleta analógica a e-bike proporciona desempenho mais leve e constante principalmente para quem deseja percorrer trechos maiores”, afirmou Sicsic. A dinâmica de condução da e-bike é totalmente diferente quando comparada à tradicional. “Há um período de adaptação porque o ciclista tem a sensação de que está sendo empurrado. Fazer curvas e frenagens também exige cuidados extras”.

Com capacidade produtiva de 500 mil bicicletas/ano as empresas fabricantes oferecem, hoje, 44 modelos de e-bikes no Brasil, nas categorias urbanos, dobráveis e mountain bikes, que estão se tornando mais populares na mobilidade urbana. 

Os preços partem de R$ 7 mil e chegam a, pasmem, R$ 75 mil. A previsão da Abraciclo é que este portfólio triplique até 2030, revivendo, quem sabe, o pico de produção geral de bicicletas, de 920 mil unidades em 2019.

Os cinco primeiros meses de 2026 revelam um desempenho promissor das e-bikes. Foram produzidas 26,5 mil, contra 14,3 mil no mesmo período de 2025, ou seja, incremento de 85%.

O rigor na produção está aumentando. Em março a ABNT, Associação Brasileira de Normas Técnicas, estabeleceu novos requisitos de segurança e desempenho para projetos, montagem e ensaios das e-bikes, com base em informações técnicas fornecidas pelos próprios fabricantes.

“Não são, porém, normas brasileiras regulamentadoras. Trata-se, por enquanto, de práticas recomendadas, que incluem freios superdimensionados e estrutura reforçada dos quadros.”

Para Sicsic a convivência com os motoristas já melhorou, mas está longe do ideal: “Os bikers que andam pela direita e tomam todos os cuidados no trânsito, como a utilização de capacete e roupas claras, são mais respeitados. Mas o motorista não suporta, por exemplo, ver alguém pedalando e fazendo selfie”. 

Cuidados com a bateria

A bateria é elemento central e indispensável da bicicleta elétrica e tem um número de ciclos de recarga com uso de 100%. Depois de atingir a quantidade de ciclos, o componente seguirá funcionando, mas com capacidade inferior. Por isto é importante consultar sempre o manual do produto.

A Abraciclo faz algumas recomendações para conservar a bateria:

  • Faça a recarga quando ela estiver de 20% a 40% da sua capacidade. Abaixo disso, o desgaste será prematuro.
  • Não deixe sua e-bike exposta ao sol.
  • Recarregue a bateria em temperatura ambiente.
  • Tome cuidado para que a bicicleta não caia. Em caso de colisão leve-a para a assistência técnica, pois os danos podem danificar a bateria. Inchaço ou avarias são sinais de que o componente está em risco.
  • A vida útil da bateria varia de como a bike elétrica é usada. A duração da bateria de lítio vai de três a sete anos, com aproximadamente 1 mil ciclos. 

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