São Paulo — O mercado brasileiro de caminhões encerrou junho com 9 mil 419 emplacamentos, alta de 14,9% com relação a maio, quando 8,2 mil unidades chegaram às ruas. Com isto o segmento acumula 48 mil 30 licenciamentos em 2026. Embora o volume ainda permaneça 9,4% abaixo do registrado no mesmo período do ano passado, o desempenho recente reforça a recuperação impulsionada pelo crédito subsidiado.
O encerramento dos recursos destinados às transportadoras no programa Move Brasil 2 abre uma nova etapa para o segmento. A linha de financiamento de R$ 17,2 bilhões chegou ao fim após pouco mais de um mês de operação. Ainda assim executivos da indústria acreditam que o efeito do programa continuará aparecendo nas estatísticas até setembro, pois as montadoras seguem produzindo e faturando caminhões negociados durante a vigência da linha.
Produção continua aquecida, mas mercado observa próximos meses
Embora o crédito subsidiado tenha acabado os caminhões vendidos por meio do programa ainda passarão pelas etapas de produção, faturamento e entrega. Desta forma o mercado não deve sentir imediatamente o impacto da interrupção dos recursos.
Por outro lado a ausência de uma nova rodada de financiamento pode reduzir o ritmo das negociações nos próximos meses. Sobretudo das transportadoras que dependem de crédito para renovar frotas.
Este cenário ganha ainda mais importância porque as taxas de juros continuam elevadas. Mesmo com condições mais competitivas oferecidas pelo Move Brasil 2 muitas empresas ainda adotam cautela antes de investir em veículos de maior valor agregado.

Leves e médios seguem fortes, mas extrapesados mostram reação
Seja como for, assim como ocorreu em maio, os caminhões leves e médios continuam dominando as primeiras posições do ranking nacional. O Volkswagen 11.180 permanece isolado na liderança, com 2 mil 976 unidades emplacadas no acumulado do ano. Na sequência aparece o Volvo FH 540, que ampliou sua vantagem nos extrapesados ao atingir 2 mil 569 unidades.
Além disto o Mercedes-Benz Accelo 1117 manteve a terceira colocação geral, com 1 mil 811 unidades. E o Volvo VM 290 permaneceu como referência nos semipesados somando 1 mil 657 licenciamentos.
Entretanto junho trouxe uma mudança importante no comportamento do mercado. Diferentemente dos meses anteriores os extrapesados ganharam participação e registraram crescimento expressivo. O segmento avançou de 2 mil 943 unidades em maio para 4 mil 485 em junho. Ou seja: movimento que refletiu o faturamento de negócios fechados nas últimas semanas do Move Brasil 2.
O resultado beneficiou principalmente os modelos da Volvo. O FH 540 emplacou 503 unidades em junho e o FH 500 chegou a 384. Da mesma forma o DAF XF 530, o Volvo VM 360 e o Mercedes-Benz Axor 2545S também registraram crescimento.
Volkswagen mantém liderança
Mesmo com a recuperação dos extrapesados a Volkswagen Caminhões e Ônibus continua como a marca com maior presença nos modelos mais vendidos do País.
Além do líder 11.180 a empresa aparece com modelos importantes em seus segmentos como o leve Delivery 9.180 e os modelos Constellation 26.260, 17.210 , 18.260 e 26.320, todos semipesados. Esta diversidade de aplicações ajuda a marca a manter elevada participação no mercado brasileiro.
Por sua vez Volvo, Mercedes-Benz e DAF concentram boa parte das vendas de caminhões de maior capacidade, segmento que deve continuar recebendo os efeitos do Move Brasil 2 por mais uns dois meses.
Mercado acompanha próximos passos do crédito
Agora o comportamento das vendas dependerá, principalmente, da disponibilidade de novas linhas de financiamento e da redução da taxa básica de juros.
Caso o crédito volte a ganhar força os extrapesados podem ampliar sua participação nos próximos meses. Caso contrário caminhões leves, médios e semipesados devem continuar sustentando o mercado graças ao menor ticket médio e à maior diversidade de aplicações.
Os vinte caminhões mais vendidos do Brasil no primeiro semestre
| Posição | Modelo | Emplacamentos |
| 1º | VW Delivery 11.180 (Médio) | 2 976 |
| 2º | Volvo FH 540 (Pesado) | 2 569 |
| 3º | Mercedes-Benz Accelo 1117 (Médio) | 1 811 |
| 4º | Volvo VM 290 (Semipesado) | 1 657 |
| 5º | VW Constellation 26.260 (Semipesado) | 1 619 |
| 6º | Mercedes-Benz Atego 2429 (Semipesado) | 1 490 |
| 7º | VW Constellation 17.210 (Semipesado) | 1 448 |
| 8º | Volvo FH 500 (Pesado) | 1 433 |
| 9º | DAF XF 530 (Pesado) | 1 427 |
| 10º | Mercedes-Benz Atego 1719 (Semipesado) | 1 391 |
| 11º | Volvo VM 360 (Pesado) | 1 247 |
| 12º | Volvo FH 460 (Pesado) | 903 |
| 13º | Mercedes-Benz Axor 2545S (Pesado) | 889 |
| 14º | DAF XF 480 (Pesado) | 886 |
| 15º | Volkswagen Delivery 9.180 (Leve) | 862 |
| 16º | Scania R 460 (Pesado) | 794 |
| 17º | VW Constellation 18.260 (Semipesado) | 790 |
| 18º | VW Constellation 26.320 (Semipesado) | 759 |
| 19º | Mercedes-Benz Atego 3033 (Semipesado) | 725 |
| 20º | Scania R 500 (Pesado) | 722 |
Fonte: Fenabrave.






