São Paulo – “A passagem pela catraca nunca é agradável”. A frase de Leonardo Ceragioli, diretor comercial da empresa de bilhetagem Autopass, resume um dos gargalos da mobilidade urbana: a complexidade do pagamento, que nem sempre é uma procedimento simples.
Afinal, por trás do cartão de transporte usado na viagem existe uma operação que abrange etapas como cadastro, meios de pagamento, validação, segurança, gestão de benefícios e soluções que devem funcionar de maneira integrada. Na LatBus 2026 a Autopass mostrou como a tecnologia é capaz de conectar sistemas, operadores e passageiros para tornar os deslocamentos mais simples, seguros e eficientes.
“O segmento da bilhetagem vem evoluindo e está totalmente diferente, por exemplo, dos anos 1980”, disse Ceragioli. “A jornada precisa ser acessível para quem tem benefícios, como estudantes, para aqueles que recarregam os vales-transportes de créditos e ao usuário comum, que não tem condição financeira de bancar o transporte do mês inteiro.”
Segundo Ceragioli a companhia está expandindo sua atuação para diferentes etapas da jornada de mobilidade, conectando meios de pagamento, canais digitais, segurança, dados e novos serviços urbanos.
Sistemas Top e Jaé
Uma das soluções apresentadas pela Autopass é a carteira digital, que permite ao passageiro gerenciar sua jornada, saber antes de embarcar se o seu saldo é o suficiente para pagar o transporte e conferir o histórico dos percursos anteriores. “Trata-se de um cartão inteligente da mobilidade, em que o cadastro é feito pelo aplicativo da empresa e os créditos desejados pelo usuário são comprados via Pix ou QR Code.”
A solução é adotada no sistema de bilhetagem digital Top, na Região Metropolitana de São Paulo, e Jaé, na cidade do Rio de Janeiro. No Jaé, quando o saldo chega a R$ 5 a recarga para R$ 50 acontece automaticamente.
Outras duas técnicas adotadas nas operações são o pagamento via Pix embarcado diretamente nos validadores do veículo e a biometria facial, que previne fraudes no uso de benefícios e gratuidades, além dos terminais de autoatendimento que oferecem funcionalidades como saque de dinheiro e emissão de cartão. A Autopass trocará gradativamente 700 terminais antigos por modelos mais modernos.
“A mobilidade urbana é complicada. Por trás de uma viagem, existem sistemas, regras, tecnologias e agentes que precisam funcionar de forma integrada”.
10 milhões de transações por dia
Ele revela que se antes a bilhetagem se concentrava principalmente no acesso ao transporte, hoje novas tecnologias integram ciclos da jornada e criam experiências digitais mais simples.
“Essa evolução parte do conhecimento acumulado em operações de alta complexidade e da capacidade de desenvolver soluções que atendam as necessidades dos operadores, gestores e usuários.”
De acordo com Cerigioli a Autopass está presente em 80 cidades brasileiras e responde por 10 milhões de transações diárias no país, o que representa o deslocamento de 5,3 milhões de pessoas.
O trabalho da Autopass ganhou reconhecimento internacional. Em março ela venceu o Transport Ticketing Awards 2026, em Londres, Inglaterra, na categoria Regional Integrated Ticketing, com o projeto Autopass: Fare Collection in Rio de Janeiro.
A premiação reconheceu a eficiência da bilhetagem implantada no Rio de Janeiro, que reúne integração entre modais, processamento de tarifas em nuvem e novos meios de pagamento.























