São Paulo – A Copersucar ampliará o BioRota para Mato Grosso do Sul ainda em 2026. A nova operação terá início na região de Rio Brilhante e percorrerá mais de 1 mil quilômetros, com pontos de abastecimento ao longo do trajeto ate o Porto de Santos, também transportando o açúcar produzido para exportação. A previsão é colocar os primeiros doze caminhões em operação dentro de um a dois meses.
Com a expansão, a frota do projeto chegará perto de 90 caminhões. No entanto, a expectativa da companhia é encerrar a safra 2026/27, em março do próximo ano, com mais de 100 veículos movidos a biometano.
“Estamos ampliando rotas e ainda nesta safra vamos lançar uma nova rota com as nossas usinas de Mato Grosso do Sul”, afirmou Rodrigo Lima, diretor de Logística e Operações da Copersucar.
Onde está o BioRota
Atualmente, o BioRota opera principalmente no transporte de açúcar das usinas do Oeste paulista, como Paraguaçu Paulista, até o Porto de Santos. Algumas unidades ficam a cerca de 640 quilômetros do porto, o que exige uma estrutura específica de abastecimento para garantir a autonomia dos caminhões durante o percurso.
Do mesmo modo, a Copersucar também já colocou em operação uma segunda frente, que liga usinas ao terminal de transbordo da companhia em Ribeirão Preto. Nessa operação, cinco caminhões fazem viagens de aproximadamente 60 quilômetros entre a usina e o terminal, onde a carga segue posteriormente por ferrovia.
Com a nova rota de Mato Grosso do Sul, o BioRota passará a contar com três frentes de operação e ampliará sua atuação para além do Estado de São Paulo.
Quase 1 milhão de toneladas

Criado em abril de 2024, o BioRota já movimentou quase 1 milhão de toneladas de açúcar com biometano. Na safra encerrada em março de 2026, 14% do açúcar da Copersucar foi transportado pelo projeto.
Como resultado, nesse período, a operação evitou o consumo de mais de 7 milhões de litros de diesel e a emissão de mais de 11 mil toneladas de CO₂, segundo a companhia.
Combustível competitivo
Para Lima a expansão ocorre porque o biometano já apresenta viabilidade econômica. Segundo o executivo, o combustível pode ser de 30% a 40% mais econômico que o diesel, dependendo da operação.
Parte dessa competitividade está relacionada à produção do combustível dentro da própria cadeia sucroenergética da Copersucar. O biometano é obtido a partir de resíduos das usinas, como vinhaça e torta de filtro. Depois da biodigestão, o material ainda pode retornar ao campo como biofertilizante.
“O biometano é um combustível renovável que já nasce competitivo. O que precisamos agora é escalar essa alternativa”.
Plano de dez anos
A companhia pretende avançar ainda mais. De acordo com Lima, o plano é que, nos próximos dez anos, todas as usinas da Copersucar estejam produzindo biometano e tenham operações logísticas associadas ao combustível.
Além dos caminhões novos, a empresa testa com a MWM a transformação de caminhões a diesel para operação a gás. O veículo, um DAF XF, ainda está em testes internos e deverá posteriormente entrar em uma operação com carga entre uma usina e o Porto de Santos.
Para a Copersucar, a ampliação da oferta de biometano e da infraestrutura de abastecimento será fundamental para levar a tecnologia a outras rotas e transportadoras.























