São Paulo — O mercado de veículos comerciais leves elétricos e alternativos ao diesel ganha uma feira exclusiva no Brasil. A Cargo Energy nasce com a proposta de reunir, em um único espaço, fabricantes de veículos e toda a cadeia de empresas envolvidas na eletrificação do transporte de cargas e na operação de última milha.
Segundo os organizadores dezoito montadoras já estão interessadas no evento — a expectativa chega a cerca de setenta empresas de todo o ecossistema. A lista inclui, além das fabricantes de veículos, empresas de carregadores, energia, baterias, infraestrutura, componentes, implementos, serviços financeiros, logística e tecnologia.
Desta forma a primeira edição da Cargo Energy ocorrerá de 6 a 8 de julho de 2027, no Distrito Anhembi, em São Paulo. O evento terá acesso aberto ao público. Porém concentrará seus esforços na geração de negócios pelas empresas.
A novidade foi apresentada nesta quarta-feira, 2, e tem como um dos idealizadores Caio de Alcântara Machado Júnior, executivo ligado à organização de eventos do setor automotivo. Para ele a feira surge para ocupar um espaço que ainda não recebeu atenção proporcional dentro dos grandes salões automotivos e de transporte.
Um salão dedicado à última milha
De acordo com Alcântara Machado Júnior os principais eventos automotivos brasileiros costumam concentrar seus espaços nos automóveis, enquanto as grandes feiras de transporte priorizam caminhões pesados. Neste cenário os veículos comerciais leves acabam dividindo espaço secundário com outras categorias.
Assim a Cargo Energy pretende inverter esta lógica. O evento terá como centro os veículos utilizados em operações de distribuição urbana, entregas de última milha, transporte de pequenas cargas, serviços e operações de frotas.
Além dos veículos a organização quer colocar em evidência as soluções necessárias para que a eletrificação avance. Desta forma a feira reunirá fabricantes, fornecedores e usuários em torno de temas como transição energética, descarbonização, infraestrutura de recarga, eficiência operacional e práticas ESG.
O conceito também amplia a discussão para além do veículo. Afinal a eletrificação de uma frota exige investimentos em carregadores, geração e gestão de energia, adequações elétricas, planejamento operacional e treinamento.
Ecossistema completo
O sócio do projeto, Gianfranco Linder, contou que a feira terá o cliente e o usuário final como ponto central. Ao redor dele estarão montadoras, importadoras, sistemistas, embarcadores, transportadores e operadores logísticos.
Na camada de fornecedores a organização prevê a participação de empresas de carregamento, geração de energia, energia solar e eólica, armazenamento, baterias, reciclagem de componentes, infraestrutura elétrica, consultoria, pesquisa e desenvolvimento.
Também devem participar bancos, financeiras, seguradoras e empresas de consórcio, deste modo ampliando a discussão para os mecanismos de aquisição e financiamento dos veículos elétricos.
A expectativa inicial dos organizadores é receber aproximadamente 12 mil visitantes durante os três dias. Dos públicos prioritários fazem parte embarcadores, responsáveis pela contratação e pelo planejamento logístico, transportadores, operadores logísticos e gestores de frotas. Este perfil reforça o caráter B2B da iniciativa, mesmo com a abertura do evento ao público em geral.
Test-drive será um dos destaques
Além da exposição a Cargo Energy terá uma área dedicada a testes. O espaço contará com aproximadamente 18 mil m² e uma pista de cerca de 1,1 quilômetro, permitindo que os visitantes experimentem os veículos elétricos apresentados pelas montadoras.
A organização considera o test-drive um dos principais diferenciais do evento. Afinal testar um veículo comercial elétrico em condições controladas permite que o potencial comprador avalie aspectos como dirigibilidade, desempenho e características da operação.
O sistema funcionará com agendamento prévio. O visitante poderá acessar o site do evento, escolher o veículo de interesse e selecionar um horário disponível. Ao chegar ao local ele receberá as orientações da fabricante antes de realizar o percurso. A organização estima realizar até 3,6 mil testes ao longo dos três dias.
Cada montadora poderá oferecer até quatro veículos para os testes, com sessões de aproximadamente 15 minutos. A estrutura também contará com recursos digitais e conteúdo em realidade virtual para apresentar aos visitantes as características dos modelos.
Realidade virtual e geração de negócios
A experiência de realidade virtual também terá papel importante na apresentação dos produtos. As montadoras poderão produzir vídeos de até 2 minutos e meio para mostrar os veículos, suas tecnologias e aplicações.
A proposta é oferecer ao comprador uma experiência mais completa antes e depois do teste. Desta maneira o visitante conhecerá características técnicas, benefícios operacionais, redução de custos de manutenção e impactos ambientais.
Para os organizadores esta combinação de exposição com conteúdo, teste e contato direto com as marcas deve facilitar a tomada de decisão dos compradores. Portanto o objetivo final é gerar negócios.
Feira quer aproximar oferta e demanda
A criação da Cargo Energy também ocorre em um momento em que o mercado brasileiro amplia a oferta de veículos comerciais elétricos. Mas ainda enfrenta desafios para acelerar a adoção pelas empresas.
Marcelo Rodrigues, presidente do Setcesp, destacou que a disponibilidade de modelos aumentou nos últimos anos. Ao mesmo tempo, porém, o custo inicial dos veículos continua sendo um dos principais obstáculos para as transportadoras.
Neste sentido a feira pode ajudar a aproximar fabricantes e compradores. Em vez de uma transportadora precisar visitar diferentes fabricantes para conhecer veículos e soluções a proposta é concentrar estas alternativas em um mesmo ambiente.
Além disto a presença de empresas de infraestrutura permite que o transportador encontre respostas para questões que vão além da compra do veículo. Como instalação de carregadores, disponibilidade de energia e planejamento da operação.
Esta integração pode ajudar a reduzir uma das principais barreiras à eletrificação. Ou seja: a falta de informação sobre como estruturar uma operação elétrica.
Rodrigues também ressaltou que os veículos elétricos apresentam potencial de redução significativa dos custos operacionais. Entretanto, para que a conta avance, o setor precisa reduzir o custo de aquisição e ampliar a oferta de veículos, componentes e infraestrutura.
Conteúdo técnico e discussão sobre ESG
Além da área de exposição e do test-drive a feira terá programação de workshops dedicada aos principais desafios da mobilidade elétrica. Os debates abordarão sustentabilidade, descarbonização, mobilidade no transporte de cargas, inclusão social e governança.
A organização também pretende discutir a preparação das empresas para as novas exigências do mercado, incluindo formação de profissionais, entrada de jovens no setor e aproveitamento da experiência de trabalhadores mais maduros.
Os workshops ocorrerão dentro da própria área da feira, em uma arena aberta. Os participantes poderão realizar inscrição antecipada e acompanhar as apresentações com equipamentos de áudio individuais.
A proposta reforça a ideia de que a Cargo Energy não quer apenas expor veículos mas criar ambiente de conhecimento e de relacionamento com os diferentes elos da cadeia.
De 7 para 18 montadoras
O crescimento da adesão das fabricantes chama atenção. De acordo com Linder o projeto começou com apenas sete montadoras e, antes mesmo da primeira edição, já alcançou dezoito fabricantes interessadas, segundo a atualização apresentada durante o lançamento.
Este movimento mostra como o mercado de veículos comerciais elétricos ganhou espaço e variedade de produtos.























