São Paulo — O Salão de Motos de Milão de 2026, também conhecido como EICMA, Esposizione Internazionale Ciclo Motociclo e Accessori, abriu as portas em 3 de novembro para profissionais da imprensa. A Honda, contudo, se antecipou e revelou em prévia do evento a nova geração da Africa Twin, que recebe uma série de mudanças mecânicas e estruturais para a linha 2027. O destaque é o motor bicilíndrico, que teve a capacidade aumentada de 1 mil 084 cm³ para 1 mil 131 cm³ e ganhou 16% de potência e quase 7% de torque.
Outra novidade é que a Africa Twin agora terá três versões: Africa Twin, Africa Twin Adventure Sports e a inédita Africa Twin Enduro Sports, desenvolvida com foco maior no uso fora de estrada. Além do motor maior e mais potente, a família recebe novo chassi, balança traseira mais leve, posição de pilotagem revista e centro de gravidade mais baixo. De acordo com a Honda, as mudanças buscam melhorar a agilidade e a facilidade de condução em diferentes condições de uso.

O novo motor entrega 87,5 kW de potência máxima a 7 mil 500 rpm, equivalentes a aproximadamente 119 cv, e torque de 119 Nm a 5 mil 750 rpm. Para alcançar os números, a fabricante revisou a taxa de compressão, ampliou o diâmetro dos cilindros e otimizou os sistemas de admissão e escapamento, além de alterar as relações de transmissão.
A parte eletrônica também evoluiu. As versões Africa Twin e Adventure Sports passam a contar com suspensão eletrônica Showa de série. O painel é uma nova tela sensível ao toque de sete polegadas, com conectividade sem fio para smartphones, enquanto o sistema Smart Key facilita o acesso e a partida.

A Adventure Sports também estreia o Honda Sensing Ride, sistema de assistência à condução que utiliza radares instalados na dianteira e na traseira. O pacote reúne dez funções, como controle de cruzeiro adaptativo, alerta de colisão frontal, assistente de frenagem de emergência e monitoramento de pontos cegos.
Já a nova Enduro Sports traz especificações mais voltadas ao fora de estrada. O modelo tem suspensões de maior curso, maior distância livre do solo, banco específico e componentes inspirados na CRF450 Rally, moto utilizada pela Honda no Rally Dakar.
Fireblade também evolui
Outra família de modelos que recebe mudanças importantes para 2027 é a CBR1000RR-R Fireblade. A superesportiva foi atualizada em parceria mais próxima com a HRC, Honda Racing Corporation, divisão de competição da fabricante japonesa. O trabalho envolveu motor, chassi, aerodinâmica e ergonomia, com o objetivo de melhorar o comportamento da moto, principalmente em pista.

O motor de quatro cilindros recebeu novos perfis de cabeçote dos pistões, alterações no comando de válvulas e novos dutos de admissão de comprimento variável, chamados Variable Air Funnels — trata-se da primeira Honda a usar comando de válvulas variável. As mudanças buscam reforçar a entrega de potência nas médias rotações e tornar a resposta do acelerador mais eficiente.
Na ciclística, a Fireblade ganhou novo quadro, teve sua geometria revista e recebeu melhorias aerodinâmicas. A Honda também reduziu peso com a adoção de novas rodas e de um tanque de combustível de titânio. A ergonomia foi revista para ampliar o controle da dianteira e a estabilidade nas entradas de curva.
A linha passa a contar com três configurações. Além da CBR1000RR-R convencional, a Fireblade SP recebe suspensão eletrônica Öhlins de nova geração e novas pinças de freio Brembo Hypure. No topo da gama, a inédita Fireblade HRC Works Edition tem configuração ainda mais direcionada às pistas, com assento monoposto, componentes de fibra de carbono e apêndices aerodinâmicos específicos para aumentar a pressão sobre o solo.
V3R 900 E-Compressor mais próxima da produção
A Honda também apresentou em Milão a versão de produção prevista da V3R 900 E-Compressor, projeto que havia sido mostrado como protótipo na edição de 2025 do EICMA. A naked mantém o motor de três cilindros em V e o sistema de compressor eletrônico, tecnologia inédita na indústria de motocicletas, segundo a fabricante.

O diferencial está no controle eletrônico da compressão do ar admitido pelo motor, que permite gerar torque em baixas rotações sem depender diretamente da velocidade de giro do propulsor. Segundo a Honda, a solução possibilita que um motor de 900 cm³ alcance desempenho comparável ao de um modelo de 1,2 mil cm³.
A versão apresentada agora tem desenho finalizado e incorpora componentes como tanque de combustível de titânio, tubos de escapamento e silenciador específicos. O modelo também estreia uma evolução do sistema de conectividade Honda RoadSync, com interface revisada e comandos de voz assistidos por inteligência artificial.
Apesar da apresentação de uma configuração próxima da definitiva, a Honda ainda não divulgou a data para o início da produção em série. A fabricante afirma que o desenvolvimento segue em ritmo acelerado e que novas informações serão divulgadas futuramente.























