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10/12/2014

Renault estima em 1% o mercado para elétricos no Brasil

Por Viviane Biondo

- 10/12/2014

Para mais de 35 mil motoristas brasileiros ao ano os postos de combustível poderão ser coisa do passado. Esta é a perspectiva para os veículos híbridos e elétricos no Brasil nos próximos quatro a cinco anos, estimou Vincent Carré, vice-presidente mundial de veículos elétricos da Renault.

“Em um contexto favorável estimamos que em quatro a cinco anos as vendas desses modelos representem 1% do mercado local, algo em torno de 35 mil unidades considerando-se o mercado de hoje. Creio que o País possa avançar rápido.”

Como referência a participação atual de híbridos e elétricos no mercado nacional é bem próxima de zero: de acordo com dados da Anfavea de janeiro a outubro foram vendidos 682 unidades deste segmento, em universo total de 2,8 milhões de automóveis e comerciais leves emplacados no mesmo período.

Para o executivo, que esteve no Brasil para participar do Salão do Automóvel, redução de impostos e iniciativas como compartilhamento de veículos e estacionamento gratuito podem ajudar a popularizar estes veículos nas ruas brasileiras.

“É preciso que o preço se equipare aos modelos movidos a combustão, assim como ocorre na Europa. Redução de taxas alfandegárias e de IPI são os dois pilares mais lógicos para tornar os elétricos acessíveis no Brasil. Temos certeza de que no governo há pessoas preocupadas em acompanhar o que acontece no mundo.”

No entender de Carré o interesse mundial pela tecnologia elétrica se deve à necessidade de reduzir emissões. “A China será o líder desse processo e todos os fabricantes de veículos terão ao menos um elétrico em sua gama até 2018.”

A Aliança Renault-Nissan está firme nesse propósito: mais de 200 mil elétricos das duas montadoras rodam mundialmente e a ideia é aumentar a oferta.

“Falando especificamente sobre Renault, teremos opções elétricas para todos os modelos nos próximos seis anos. Até o segmento do Fluence a opção é pelos elétricos puros e acima disso, caso do Duster, optamos por híbridos plug-in, para aumentar a autonomia.”

A Nissan lidera as vendas de elétricos no mundo, com mais de 142 mil entregas do Leaf. Nos Estados Unidos são mais de 64 mil unidades, com volume recorde de 22 mil vendas este ano.

Produção elétrica – Em razão do aumento mundial da demanda por elétricos, que nas contas de Carré deverá chegar a 10% do mercado na Europa, China e Estados Unidos até 2020, o executivo confia em forte redução no valor da produção desses modelos:

“Até lá será mais barato produzir elétricos pequenos do que modelos a combustão. Na Europa, por exemplo, fabricar o Zoe custará menos do que o Clio. Por um lado as baterias estão evoluindo tecnologicamente e ficando mais em conta, e por outro estes são veículos mais leves, com menos metais e mais plásticos”.

A produção local de elétricos nos diversos mercados é, segundo Carré, certa a partir do momento em que houver demanda mínima anual na faixa de 20 mil a 30 mil unidades – e nem mesmo o Brasil está fora desse plano:

“Com a montagem dos modelos Twizy na Itaipu Binacional nossa ideia é justamente conhecer e buscar fornecedores locais. Mas ainda é preciso desenvolver uma estrutura de veículos elétricos e seus volumes. Estudamos os impactos no fornecimento de energia e vemos que, ao programar a recarga para o período da madrugada, em que há geração de energia e o consumo é baixo, não haveria problemas.”

No Brasil setenta modelos elétricos da Renault foram vendidos em um ano, dos modelos Twizy, Zoe e Kangoo. Na sexta-feira, 7, a CPFL comprou as duas primeiras unidades do sedã Fluence elétrico no País.