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12/12/2014

Fluence 2015 atrai mais por preço e conteúdo

Por George Guimarães

- 12/12/2014

Desde que Toyota e Honda fizeram, há quase quinze anos, do segmento brasileiro de sedãs médios um latifúndio com, respectivamente, Corolla e Civic, não faltaram oponentes a tentar quebrar essa polarização e estabelecer uma terceira via. De pouco adiantou. Os dois modelos ainda nadam de braçada sobre a concorrência e, somados, respondem por metade das vendas da faixa.

Mesmo assim as investidas da concorrência se sucedem e todo ano surgem mais opções, ou renovam-se as antigas, na tentativa de quebrar essa hegemonia. A Renault, por exemplo, já tentou com Mégane sedã e desde 2011 persiste com o Fluence, modelo que na Ásia carrega a marca Samsung.

Pois nesses quatro anos de mercado interno o Fluence pouco incomodou os dois japoneses. Teve perto de 55 mil unidades vendidas nesse período, muito pouco perto dos líderes, que somente nos dez primeiros meses de 2014 esbarraram, juntos, nas 95 mil unidades – sendo pouco mais de 49 mil do Corolla. No mesmo período a Renault vendeu 6,3 mil Fluence.

Com 3,4% de participação o modelo da Renault está na nona posição do segmento, que conta ainda com outros 23 modelos nacionais e importados e que somou 188 mil emplacamentos de janeiro a outubro, como indica a Fenabrave. A fabricante, contudo, espera dias melhores a partir deste mês, quando o sedã, produzido na Argentina, começa a ser vendido com novo design na dianteira – luzes diurnas de LED merecem destaque – e mais conteúdos de segurança e conectividade.

Mas talvez cansada de malhar em ferro frio, saber que as mudanças estéticas nem foram tão grandes assim – embora afirme tratar-se de um face-lift profundo – ou de ver os demais concorrentes também sem o mesmo sucesso, a Renault não fala em uma nova tentativa de desbancar Toyota e Honda.

“Queremos voltar, talvez, ao terceiro posto no futuro, lugar que já ocupamos”, diz Bruno Hohmann, diretor de marketing da Renault, que revelou, somente depois de alguma insistência, projeção de vender 1 mil unidades mensais do Fluence em 2015 – novamente muito pouco, até mesmo para a atual média do terceiro colocado, o Chevrolet Cruze, que superou 18 mil unidades negociadas de janeiro a outubro.

Com os conhecidos motor 2.0 16V Hi-Flex e câmbios de seis marchas manual ou CVT X-Tronic, e a tímida renovação estética, o maior trunfo do modelo para deixar a condição de coadjuvante no segmento está mesmo na equação preço versus conteúdo – tecnológico ou de acabamento.

Suas quatro versões, com preços a partir de R$ 67 mil – a mais cara, Privilège, sai por R$ 83 mil, R$ 4,5 mil a menos do que na antiga geração e ainda incorpora a mais teto solar e faróis xenon –, não deixam em nada a desejar frente aos concorrentes, ao contrário: superam-nos na maioria das vezes.

Resta, no entanto, fazer o consumidor seguir para um revendedor, experimentar o carro e compará-lo aos concorrentes. Missão complicada tamanha a oferta nessa faixa de preço e a precaução, para não dizer timidez, com que a Renault encara novamente o desafio de colocar seu sedã de volta ao pódio dos médios. Um filme bem conhecido por ela e pelas demais marcas que se atrevem nesse objetivo.