AutoData - Honda chega a 87% de conclusão da fábrica de Itirapina
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11/02/2015

Honda chega a 87% de conclusão da fábrica de Itirapina

Por Marcos Rozen

- 11/02/2015

A Honda está pisando fundo no acelerador da construção de sua segunda fábrica de automóveis no País, em Itirapina, no Interior paulista: neste mês a obra atingiu índice de 87% de conclusão.

O primeiro prédio a ficar pronto foi o da pintura, que já conta com cerca de 50% de seus equipamentos instalados. “Era a edificação mais complexa e de maior tempo necessário para instalação dos maquinários, então as obras foram iniciadas por esta área, que está localizada fisicamente no centro da unidade. Depois prosseguimos a construção partindo do meio para as pontas”, explicou Otávio Mizikami, diretor de produção da fábrica de Sumaré e responsável pelo projeto de Itirapina, em entrevista exclusiva à Agência AutoData.

Pelos cálculos do executivo os primeiros testes na área de pintura começam no fim de junho e, logo em seguida, o mesmo ocorrerá com a estamparia. “Diversos equipamentos importados do Japão já estão a caminho e devem chegar ao País do fim de março ao começo de abril.” A produção pré-série de veículos em Itirapina deve ter início em setembro.

A velocidade do projeto Itirapina é elevada e demonstra a necessidade da fábrica para a Honda, vez que dobrará sua capacidade produtiva no País – de 120 mil unidades/ano, hoje exclusivas de Sumaré, SP, para 240 mil/ano. O anúncio do investimento de R$ 1 bilhão ali ocorreu em agosto de 2013, e a pedra fundamental foi assentada apenas três meses depois, marcando o início oficial das obras. Se confirmada a inauguração no fim do ano, portanto, Itirapina terá sido inteiramente construída em praticamente dois anos exatos.

Mizikami revela que a escassez de chuvas no ano passado de certa forma ajudou a acelerar o cronograma, vez que as condições climáticas não atrapalharam as obras justamente na etapa mais sensível a este tipo de fenômeno. O estágio atual contempla pavimentação da pista de testes, com 1,5 quilômetro, e das ruas internas, em total de 8 quilômetros, além da finalização dos prédios de estamparia e solda. Um pequeno atraso no cronograma ocorreu nas obras dos prédios administrativos e refeitório, mas, de acordo com o executivo, “como não exigem a instalação de grandes maquinários industriais será mais fácil compensar essa diferença”.

Mais de 1,1 mil pessoas trabalham diariamente na obra – a fábrica, em pleno funcionamento, terá quadro de 2 mil funcionários. Em dezembro o Senai de São Carlos abriu, em parceria com a fabricante, inscrições para a primeira turma de curso de formação em Processo na Indústria Automobilística, para 180 alunos. As aulas começaram há quinze dias com o objetivo de formar mão-de-obra para a unidade.

O primeiro modelo a ser produzido em Itirapina será o Fit, desafogando Sumaré, que não terá vida fácil neste 2015: além do monovolume saem da linha Civic e City e, a partir do mês que vem, também o novo HR-V. Como a segunda fábrica Honda entrará em operação efetiva apenas no fim do ano, a unidade de Sumaré só começa a ser liberada na prática em 2016 e, assim, é fácil imaginar que o ritmo produtivo do novo SUV será de início bem menor do que o desejado pela fabricante – especialmente em uma etapa de lançamento –, e que, ao menos neste quesito, o Jeep Renegade chegará com plena vantagem, já que terá uma fábrica novinha à sua inteira disposição em Goiana, PE, também a partir do mês que vem.

Ao mesmo tempo em que toca Itirapina na maior velocidade possível a Honda concluiu neste mês processo de mudança de todo seu corpo administrativo: o pessoal antes alocado na Zona Sul de São Paulo já trabalha em novo prédio no mesmo complexo da fábrica de Sumaré. A mudança custou ao todo R$ 100 milhões e envolveu cerca de quatrocentos funcionários.

O prédio, de 16 mil m2, responde pela nova sede da Honda South America e concentra, além das operações administrativas e comerciais da fabricante na região, o pessoal de atendimento ao cliente, recursos humanos, controladoria, tecnologia da informação, jurídico, regulamentação de produto, relações institucionais, pós-venda e auditoria. Todos estão alocados em um mesmo andar, em conceito trazido da matriz japonesa: para a montadora, é forma de trazer “maior proximidade das áreas administrativas com a operação industrial, com objetivo de acelerar os processos de tomada de decisão e, assim, ganhar em agilidade e competitividade no mercado nacional”.

O edifício fica ao lado do novo centro de pesquisa e desenvolvimento inaugurado há um ano, que também consumiu R$ 100 milhões e cujo maior objetivo é elevar o índice de nacionalização da Honda no País, de 60% na média para 80% até o fim deste ano.