AutoData - Anfavea cobra maior previsibilidade do governo
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27/05/2015

Anfavea cobra maior previsibilidade do governo

A Anfavea acredita que o pior já passou para o segmento de caminhões. Em apresentação no Workshop AutoData Tendências Setoriais – Caminhões, na tarde da segunda-feira, 27, no Milenium Centro de Convenções, em São Paulo, o vice-presidente da associação, Luiz Carlos Moraes, afirmou acreditar em retomada do mercado – entretanto condicionada à aprovação do ajuste fiscal do governo.

“Acreditamos que todas as ações do governo, aliadas à baixa confiança do consumidor e mudanças nos financiamentos, provocaram um adiamento na compra do caminhão. Essa dificuldade permanecerá enquanto o governo não aprovar o ajuste fiscal. Mas, passada esta etapa, a confiança será retomada.”

As projeções divulgadas por Moraes foram as mesmas apresentadas pelo presidente Luiz Moan na última entrevista coletiva à imprensa, no começo do mês: queda de 32% nas vendas de caminhões e ônibus, para 113 mil unidades – o setor de caminhões, isoladamente, responderia por 90 mil unidades em 2015.

Será um ano de patamares baixos. De 2005 ao ano passado a média de licenciamentos do segmento alcançou 113 mil unidades, segundo cálculos da Anfavea. “Estamos em um patamar alto de vendas [na média], porém com volatilidade”.

Moraes cobrou do governo maior previsibilidade, principalmente com relação aos financiamentos. Ele citou como exemplo a situação do Finame PSI nos últimos dois anos, cuja regulamentação saiu apenas ao fim do primeiro bimestre, prejudicando dois meses de vendas.

“Não podemos trabalhar com essa insegurança: as coisas precisam ser mais previsíveis. As indefinições são ruins para os clientes, para os bancos, para a rede de concessionárias, para os implementadores e para a indústria. A previsibilidade é fundamental.”

O vice-presidente da Anfavea abordou também o programa nacional de renovação de frota que, segundo seus cálculos, poderia alavancar a venda de cerca de 30 mil caminhões por ano. Ele evitou, entretanto, afirmar se o programa sai ainda este ano.

Outro ponto lembrado por Moraes foi a agenda positiva que o governo pretende começar a adotar – o dirigente salientou que nas projeções da associação não há nenhuma compra governamental prevista. “Essa agenda positiva pode trazer benefícios para o setor, pois para construir aeroportos, ferrovias etc., caminhões são necessários. A infraestrutura demanda caminhão.”

Fim da greve M-B Moraes é também diretor de comunicação e relações institucionais da Mercedes-Benz e, ao fim de sua apresentação no Workshop AutoData, atendeu à reportagem da Agência AutoData para abordar a greve na unidade do ABCD da montadora, iniciada na quarta-feira, 22.

A paralisação terminou na segunda-feira, 27, após a montadora anunciar novo lay-off para 750 funcionários. Os 500 colaboradores que teriam os contratos de trabalho encerrados a partir de 4 de maio continuarão na empresa pelo menos até 15 de junho, com todos os custos arcados pela companhia, segundo Moraes. A eles se unirá grupo de 250 funcionários, que possuem estabilidade no emprego, que ficarão em lay-off até 30 de setembro.

Além disso, Moraes afirmou que a M-B abriu novo programa de demissão voluntária, PDV, na unidade do ABCD na própria segunda-feira, 27. “Até 15 de maio todos os trabalhadores podem aderir. Quem estiver de lay-off, sem estabilidade, recebe R$ 55 mil adicionais aos direitos trabalhistas. Os funcionários com estabilidade que quiserem aderir terão negociação caso a caso.”

Moraes afirmou que a M-B decidiu rever o fim dos contratos após negociações com o sindicato. “Mantivemos um diálogo constante e estamos em busca de novas alternativas para controlar o excedente na unidade, que é de 1,2 mil pessoas.”

Segundo comunicado do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC já há uma nova negociação marcada para 18 de maio. “Vamos avaliar o PDV. Se o resultado der conta de administrar o excedente, estará resolvido. Se não, haverá nova negociação e a mobilização será retomada com a mesma força”, afirmou em nota o secretário-geral da CUT, Sérgio Nobre.