AutoData - GM demite 150 e trabalhadores protestam em São Caetano do Sul
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15/06/2015

GM demite 150 e trabalhadores protestam em São Caetano do Sul

Por Michele Loureiro

- 15/06/2015

Os trabalhadores da General Motors de São Caetano do Sul, SP, paralisaram as atividades na fábrica por duas horas na tarde da quarta-feira, 13. Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de São Caetano o ato foi forma de protesto contra demissões realizadas pela montadora nos últimos meses.

Ainda segundo o sindicato desde a última sexta-feira, 8, 150 trabalhadores foram demitidos na unidade. Em nota o presidente da entidade, Aparecido Inácio da Silva, o Cidão, afirmou que “o objetivo do ato foi alertar a empresa sobre o descontentamento dos trabalhadores”.

Balanço feito pelo sindicato aponta que além dos colaboradores desligados outros 1 mil 286 estão afastados, sendo 819 em lay-off e 467 em licença remunerada por tempo indeterminado na fábrica.

Atualmente a unidade possui cerca de 10,5 mil empregados. Desde o início do ano a montadora abriu dois programas de demissão voluntária, PDV, na unidade, mas segundo o sindicato ambos atraíram ao todo apenas 49 pessoas.

Procurada a GM afirmou, por meio de nota, que “os ajustes realizados no quadro de empregados na fábrica de São Caetano do Sul fazem parte da rotatividade de pessoas natural da empresa”.

Enquanto isso a fábrica de Gravataí, RS, da GM seguiu sem produção pelo segundo dia consecutivo devido à paralisação do transporte de veículos 0 KM na unidade por motoristas que atuam para as empresas Tegma e Transzero, as duas principais para este serviço ali.

Em comunicado emitido na manhã da quarta, 13, a montadora afirmou que “lamenta que até o presente momento as transportadoras Tegma e Transzero não tenham reestabelecido suas atividades regulares de transporte de veículos, impossibilitando a retomada da atividade produtiva na fábrica de Gravataí”.

Segundo a GM 1 mil 944 veículos já deixaram de ser produzidos em Gravataí e aproximadamente 9 mil funcionários do complexo estão impossibilitados de trabalhar.

A nota acrescenta que “a GM reafirma seu compromisso de continuar as negociações esperando alcançar um acordo que não comprometa a competitividade dos produtos Chevrolet no mercado brasileiro”.

Volvo – Também na região Sul a greve da Volvo em Curitiba, PR, chegou ao quarto dia na quarta, 13. Depois que os metalúrgicos sindicalizados rejeitaram no dia anterior, em votação secreta, a proposta de montadora com 77% dos votos contrários, a paralisação foi mantida.

Na última semana a montadora notificou o Sindicato dos Metalúrgicos de Curitiba que encerrará o segundo turno da produção de caminhões, o que acarretará em um excedente de 600 funcionários na unidade. Para que não haja demissões a Volvo sugeriu uma PLR 50% menor e reajuste salarial baseado na inflação, sem aumento real – em contrapartida a empresa manteria o nível de emprego até 31 de dezembro. A companhia reiterou que mantém sua proposta.

Segundo comunicado do sindicato a empresa solicitou uma votação mais abrangente, vez que com o formato realizado na terça-feira, 12, apenas 40% dos trabalhadores puderam votar. “A montadora tem expectativa de que com os votos dos não prejudicados pelas demissões e reduções de direitos pode conseguir aprovar sua proposta”, diz comunicado do sindicato. Para protestar contra as possíveis demissões os metalúrgicos fecharam a rua em frente à fábrica na manhã da quarta, 13.

“Não há como colocar para votar um engenheiro ou um técnico em contabilidade que não são associados ao sindicato e que não estão no pacote de demissões para votar uma proposta que vai atingir somente o chão-de-fábrica. Em vez de sentar para negociar uma proposta coerente de manutenção dos empregos, a Volvo prefere ficar usando os  trabalhadores administrativos para forçar e impor sua proposta”, disse em nota o presidente do sindicato, Sérgio Butka.