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18/06/2015

Motores Diesel: máquinas no caminho.

Por Viviane Biondo

- 18/06/2015

O ingresso de novas fabricantes de máquinas agrícolas e de construção no Brasil, e o início de nova legislação de emissões específica para o segmento fora de estrada, denominada Programa de Controle da Poluição de Ar por Veículos Automotores para Máquinas Agrícolas e Rodoviárias, mais comumente chamada de Proconve MAR-1 e equivalente à norma Euro 3 de caminhões e ônibus, aceleram os projetos de motores a diesel no País.

A este quadro se somam três novas players de maquinário por aqui: a Hyundai Heavy Industries, instalada em Itatiaia, RJ, a LiuGong, em Mogi Guaçu, SP, e a XCMG, em Pouso Alegre, MG. Todas iniciaram montagem local dos seus equipamentos e buscam aumentar índice de nacionalização com o objetivo de se adequarem às regras do Finame.

Ao mesmo tempo, a exemplo do que ocorreu com a introdução da Euro 5, regulamentação que demandou uma série de mudanças nos motores de caminhões e ônibus em 2012, fabricantes de equipamentos agrícolas e de construção terão que dar um salto tecnológico para reduzir a emissão de poluentes no cronograma Proconve MAR-1.

Nesse cenário três das maiores fabricantes de motores diesel do Brasil, Cummins, FPT e MWM International, ampliam aplicações e novos negócios. E embora as novidades não equacionem a queda no fornecimento às fabricantes de ônibus e caminhões – a Anfavea estima queda de vendas de 31,5% no ano – as oportunidades desenham novos horizontes.

A MWM International, por exemplo, tem programado para este ano 33 lançamentos, a maior parte produtos destinados ao segmento de máquinas e equipamentos. Thomas Püschel, diretor de vendas e marketing, revela: “Trabalhamos em mais de cem novos projetos, tanto protótipos quanto motores já em fase inicial de produção”.

Para o executivo “esse movimento de lançamentos necessários à regulamentação se refletirá ao longo de pelo menos mais quatro anos. Isso nos dá uma boa base de sustentação e de crescimento. Assim, quando ocorrer a retomada de mercado, creio que a partir do ano que vem, estaremos prontos para aumentar nossa participação”.

Prova do que Püschel salienta é a conclusão da homologação do primeiro de uma série de motores da empresa com objetivo de atender ao MAR-1. A companhia, por seus cálculos, foi a pioneira no País a confirmar a adequação do motor às novas regras ambientais junto aos órgãos competentes.

O movimento também é nítido na Cummins, localizada em Guarulhos, SP, que deverá produzir 45 mil motores este ano. Ainda que o volume represente queda de 16,6% ante as 54 mil unidades produzidas no ano passado, Luís Chain, diretor de marketing e vendas, revela estratégia de reforço no portfólio como forma de amenizar o quadro negativo:

“O mercado é uma variável sem controle, cabe a nós apenas monitorar. Já a participação é mais gerenciável, pode crescer com novas aplicações, independentemente de movimentos negativos de vendas. Nossa energia está centrada nisso: avançar em aplicações e novos mercados de exportação”.

Chain destaca que a Cummins já fornece motores para a Hyundai Heavy Industries e negocia atualmente a nacionalização com a LiuGong, igualmente cliente da companhia na China: “Os novos entrantes, junto da MAR-1, devem movimentar o mercado com 1 mil a 2 mil unidades adicionais até 2017”.

Como a Cummins também a MWM International aposta em novos contratos, conta Puschel: “Grupo Sany, de São José dos Campos, e LS Mtron, de Garuva, Santa Catarina, por exemplo, querem aumentar o índice de nacionalização, motivados pelas oportunidades. Sabem que há carência em investimentos em infraestrutura, mas que cedo ou tarde virão, demandando equipamentos”.

A Budny Equipamentos Agrícolas, instalada em Içara, SC, e a Stara, de Não Me Toque, RS, também estão na lista de clientes da MWM International, formada por mais de duzentas empresas, em torno de 160 brasileiras e outras quarenta espalhadas pelo mundo.

Amauri Parizoto, diretor de vendas e marketing da FPT na América Latina, conta que 49 novas versões de motores entrarão em linha de produção para atender ao MAR-1: “São lançamentos voltados tanto para as empresas do Grupo CNH Industrial quanto para as companhias de fora, que chamamos de mercado aberto”.

Segundo ele a estratégia de vendas a outras empresas é mundial e deverá ganhar espaço na região latino-americana: “Globalmente 47% das vendas são para fora do Grupo. Na América Latina esse porcentual é de 7%, ou seja: temos muito campo para crescer fora do cliente cativo”.

Embora enxergue perspectiva de crescimento no curto prazo, Parizoto estima volume estável de vendas na região da América Latina para este ano na comparação com 2014: “Nossa projeção é por volta de 56 mil motores. Não sabemos ainda como será o segundo semestre, mas acreditamos que ao menos a partir do próximo ano o mercado volte a crescer”.

EXPORTAÇÕES – Os embarques de motores representavam fatia de 8% dos volumes produzidos pela MWM International e neste ano devem saltar a 11%, segundo os cálculos de Püschel.

O executivo, que prevê alta de 4% nas exportações, destaca as vendas ao Egito: “Esse mercado cresceu 170% no ano passado e em 2015 a alta deve superar 20%”.

Chain, da Cummins, enumera as vendas para Colômbia, Peru e Chile:
“São mercados que demandam motores a gás natural para caminhões e ônibus, já que nessas regiões o preço do combustível é bastante atrativo”.

O diretor da Cummins conta ainda que o planejamento da companhia prevê no cenário geral para 2015 queda de vendas de caminhões, no Brasil, da ordem de 25% a 30% e para máquinas agrícolas e rodoviárias de 5% a 10%. O negócio de reposição, assim, ganhará mais destaque nos volumes da empresa: “O pós-venda começa a despontar novamente. As vendas estiveram aquecidas nos últimos anos, o que gera demanda maior de reposição”.

No Brasil os postos de atendimento da Cummins somam duzentos e até o fim do ano outros quarenta deverão ser inaugurados: “Continuamos crescendo para ter capilaridade”.

Parizoto, da FPT, revela que a empresa empreende um sistema de sinergia com a rede do Grupo: “Usaremos a estrutura das revendas Iveco para prestar atendimento específico, personalizado aos clientes FPT, em área dedicada”.

Segundo o diretor o faturamento do segmento de reposição crescerá 27% neste ano, “o que é um bom reflexo dos últimos anos”.