AutoData - Zazcar projeta crescimento de 54% em 2017
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16/11/2016

Zazcar projeta crescimento de 54% em 2017

Por Michele Loureiro

- 16/11/2016

O sucesso do Uber ajudou na reflexão da necessidade da posse de veículos e trouxe novas oportunidades de negócios na carona. Cada vez mais empresas miram as alternativas de mobilidade e a Zascar é uma das que apostam na mudança de comportamento dos motoristas para atrair clientes dispostos a compartilhar veículos em São Paulo. Fundada em 2013 como startup, a companhia ganhou um novo formato em setembro deste ano, quando lançou seu aplicativo e tornou o processo mais ágil e assertivo. Com 52 pontos de compartilhamento de veículos na capital paulista a empresa espera ampliar esse número para oitenta no ano que vem, crescimento de 54%. Cobrando R$ 8 por hora e R$ 0,50 por quilômetro rodado, a companhia mira o bolso e a praticidade para atrair usuários. O CEO da Zazcar, Felipe Barroso, conversou com exclusividade com a Agência AutoData. Confira a seguir.

A Zazcar é a primeira empresa de compartilhamento de veículos na América Latina. Qual a estrutura atual da companhia?
Nascemos em 2009 como um projeto piloto, mas ganhamos formato como startup em 2013, quando iniciamos uma estrutura física. Espalhamos carros por São Paulo e os clientes tinham de fazer suas reservas pelo nosso site para usar um dos nossos veículos. Porém, notamos que toda a tecnologia precisava ser simplificada e trazida para a palma da mão. Por isso desenvolvemos internamente um aplicativo e lançamos em setembro deste ano. Até agora são 12 mil downloads. Os interessados baixam o aplicativo, preenchem dados pessoais, tiram uma selfie, mandam uma foto da CNH e esperam até duas horas para a verificação do cadastro. Depois é só colocar o número do cartão de crédito, encontrar o ponto mais próximo e usar o carro. Cobramos R$ 8 por hora e R$ 0,50 por quilômetro percorrido. Atualmente temos 52 pontos espalhados no centro expandido de São Paulo.

Quais são as previsões de crescimento da empresa?
Não tenho dúvidas que o comportamento dos motoristas, em especial dos jovens, está passando por uma transformação. A posse dos carros está sendo discutida e cada vez mais pessoas optam por outros meios de chegar aos seus destinos. Estamos em um momento de consolidação com o novo aplicativo. Pretendemos chegar a oitenta pontos de compartilhamento em São Paulo em 2017 e mais para frente começar a expansão em outras cidades do Brasil.

Há muitas opções de veículos?
Todos os nossos veículos são Ford Ka. Quisemos padronizar a frota com carros compactos e temos mais de um veículo por ponto de compartilhamento. Nossa ideia é expandir as categorias e começar a oferecer outros tipos de veículos em breve. No desenvolvimento do nosso aplicativo, criamos uma tecnologia que destrava as portas de forma remota. Ao fazer a reserva, o motorista se aproxima do veículo com o celular e as portas do carro se abrem. A chave já fica lá dentro e isso permite que o processo seja rápido, sem a necessidade de atendentes no local.

Na sua avaliação, qual o potencial de compartilhamento de veículos no Brasil?
Precisamos entender o que acontece no mundo para elaborar essa resposta. No final da década de 90 alguns grupos bem específicos de pessoas preocupadas com o meio ambiente começaram a compartilhar veículos em países como Suíça e Alemanha. Era uma tendência de nicho, que aos poucos foi ganhando forma. No início dos anos 2000 isso chegou com mais força aos Estados Unidos e a tecnologia ajudou a ideia a ganhar novos patamares. De lá para cá o negócio só ganha força e já está consolidado em mercados mais maduros. Com a chegada do Uber no Brasil a discussão da mobilidade cresceu. As pessoas começaram a falar sobre isso e buscar alternativas de transporte. Pegamos carona nesse movimento e vimos que era a hora de investir. Antes as pessoas ficavam desconfiadas de compartilhar veículos, agora acham interessante e querem experimentar. Para se ter uma ideia, o mercado de compartilhamento de veículos movimenta cerca de US$ 4 bilhões por ano e com certeza vai crescer. Queremos estar prontos para atender essa demanda e abocanhar parte desse mercado.

Como fica a relação de vocês com as montadoras de veículos?
Acredito que é mais sentimento de união do que de competição. As próprias montadoras já entenderam que esse é um caminho sem volta e estão investindo em empresas de compartilhamento. Empresas como Daimler, BMW, General Motors e Ford já anunciaram aportes nesse sentido. Acredito que elas já notaram que a venda de carros motivada apenas pelo status e necessidade de posse não vai segurar o mercado por muito tempo. Acho saudável se adaptar às mudanças.


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