Fabricantes aceleram produção à espera das águas de março

Por Ana Paula Machado

- 10/03/2017

Mesmo com os indicadores econômicos nada animadores, com o aumento do desemprego e de PIB negativo em 3,6% em 2016, as fabricantes de veículos instaladas aqui aceleraram a produção no primeiro bimestre e chegaram a 375,1 mil unidades. Esse volume representou alta de 28,1% com relação à produção no mesmo período do ano passado, que somou 292,8 mil veículos. Os dados foram divulgados na terça-feira, 7, pela Anfavea. Em fevereiro a produção chegou a 200,4 mil veículos, ante 144,2 mil unidades, elevação de 39%.

Para o presidente Antônio Megale a alta na produção é explicada pelo aumento das exportações (veja reportagem na página 10) e pela expectativa de um mercado melhor a partir de março.

“Historicamente o terceiro mês do ano é melhor em vendas e, por essa razão, as empresas já estão se preparando para atender a essa demanda”.

Com esse volume as fabricantes formaram estoque para 42 dias, que equivale a 205 mil unidades. Em janeiro o giro era de 187,7 mil veículos.

“Esse crescimento na produção é bom, mas ainda está aquém de nossa capacidade. Voltamos aos níveis de 2006. Isso não compensa a ociosidade na indústria, que chegou a 53%. Não estamos vendo uma recuperação forte antes do segundo semestre deste ano. A taxa de desemprego ainda é alta e o medo de perder o emprego faz com que o consumidor não vá às concessionárias. Para o mercado voltar a crescer é preciso que os investimentos em infraestrutura saiam do papel. Esses projetos são importantes para a roda começar a girar novamente. A melhora da economia virá com esses recursos e não com o aumento do consumo.”

Os licenciamentos, segundo os dados da Anfavea, chegaram a 282 mil e 880 unidades no primeiro bimestre, volume 6,4% menor do que o apurado em janeiro e fevereiro de 2016, quando foram vendidos 302,09 mil veículos:

“Tivemos fatores importantes que criaram impacto no desempenho de vendas, principalmente, em fevereiro. Primeiro, o carnaval caiu nos dois últimos dias de fevereiro, que são sempre os melhores dentro de um mês. Além disso tivemos os problemas de segurança no Espírito Santo e no Rio de Janeiro, que também influenciaram o resultado”.

Segundo Megale a queda em fevereiro, de 7,6%, no comparativo com o mesmo período de 2016, foi maior do que o esperado: “Esperávamos o mesmo volume de fevereiro do ano passado. Se tivéssemos mais dois dias de vendas, que perdemos com o carnaval, poderíamos ter chegado a este número. Mas fatores externos foram preponderantes para essa queda”.

As fabricantes instaladas aqui tiveram, em fevereiro, média diária de vendas de 7 mil 537 veículos, ante 7 mil 727 em fevereiro de 2016.

Outro fator que trava o crescimento dos licenciamentos é o baixo volume de veículo financiados pelos bancos – em fevereiro 51,3% das vendas foram financiadas. O normal considerado pela Anfavea é 60%. Esse porcentual, de acordo com dados da Anfavea, não é alcançado desde fevereiro de 2015. Ou seja: os bancos mantêem-se muito seletivos na concessão do crédito:

“Um dado interessante é que 60% das pessoas que querem comprar um carro, e pedem financiamento, não conseguem. A postura das empresas de financiamento só mudará com a melhora da economia. Mesmo com a queda da Selic esse movimento ainda não voltou”, notou Megale. “Mas mantemos nossas projeções de aumento nas vendas de 4%, e de 11,9% na produção”.

Emprego – Com o mercado em queda e a baixa utilização da capacidade instalada, principalmente nas fabricantes de caminhões, o nível de emprego na indústria automobilística se equipara, hoje, ao que havia em 2008, observou Megale. Em fevereiro eram 121 mil 539 as pessoas empregadas pelo setor. Considerando a folha de pagamento de fevereiro de 2016 a redução observada é de 6,8% no mês passado. Na época as fabricantes empregavam 130 mil 339 funcionários.

“Os ajustes se mantiveram de janeiro para cá. Há 10 mil 350 pessoas em lay off ou participando de programas como o PSE, Programa Seguro Emprego. Isso deve se manter nos próximos meses.”