Política específica para autopeças está prevista na cartola do Rota 2030

Por Ana Paula Machado

- 02/05/2017

A ajuda às empresas de autopeças com dificuldades financeiras está mais próxima. A nova política industrial para o setor automotivo contemplará essas empresas com maior vigor e, segundo Igor Calvet, secretário de desenvolvimento e competitividade industrial do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, uma das medidas será um programa de capacitação, financiamento e inspeção técnica veicular. Calvet participou da abertura da 13ª Automec, Feira Internacional de Autopeças e Serviços, na terça-feiora, 25, em São Paulo.

Ele ressaltou que os grupos de trabalho formados em conjunto com o setor privado devem concluir os estudos do Rota 2030 em dois meses: “São medidas estudadas para turbinar o setor de autopeças, muito combalido nos últimos anos”.
Sua projeção é a de que em setembro o governo edite medida provisória para a criação da nova política.

No que diz respeito a financiamento o secretário disse que está em conversas com o Ministério da Fazenda para criar fórmula que permita a liberação de recursos para empresas de autopeças em situação financeira difícil. No entanto, segundo Calvet, não será um projeto de renúncia fiscal, como aconteceu na política de isenção do IPI, Imposto sobre Produto Industrializados, que estimulou as vendas de carros no passado:

“Será uma política mais estruturada. Dinheiro haverá, mas não será carimbado para um setor. Vivemos quinze anos com essa ideia de benefícios fiscais. Agora, uma mudança regulatória pode estimular muito o mercado. A inspeção veicular, por exemplo, poderá operar uma renovação de frota natural e melhorar as vendas do mercado de reposição de peças”.

É neste projeto de integração maior com o setor privado que o Rota 2030 será estruturado. Calvet afirmou que o projeto de capacitação das pequenas empresas de autopeças será realizado em conjunto com as montadoras e sistemistas: “O objetivo é formatar cursos tanto em gestão financeira quanto de qualidade, e isso tem de ser feito com quem conhece o setor. O Rota 2030 servirá para dar mais competitividade às empresas brasileiras. Não seremos bons apenas para o mercado interno: queremos inserir definitivamente nossa indústria no cenário global”.

E foi com a prestação de contas nas mãos e propostas para a próxima política industrial que a direção da Anfavea, Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, se reuniu com o presidente da República na tarde da terça-feira. Segundo Calvet nessa reunião os executivos, presidente e vice-presidentes da entidade, apresentaram as condições do mercado atual e o que vislumbram para o futuro: “Eles foram prestar contas dos investimentos feitos com o Inovar-Auto. É mais uma demonstração do trabalho em conjunto”.