Cummins mira os rios do Norte

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Tradicional fabricante de motores para veículos pesados a Cummins quer crescer, também, no setor de embarcações. Busca oportunidades no transporte fluvial de produtos da Zona Franca de Manaus, AM, e do agronegócio, escoados pelos portos da Região Norte. Na terça-feira, 25, a empresa anunciou a venda de quatro motores KTA 38 para duas embarcações construídas pelo estaleiro Easa, de Belém, PA. Serão utilizados no transporte de grãos da Cianport Pará, a Companhia Norte de Navegação e Portos.

Segundo Antônio Colares, gerente de negócios da Cummins vendas e serviços, os produtores de grãos do Mato Grosso e do Tocantins têm direcionado o escoamento de sua produção para os portos ao Norte, o que tem atraído investimentos em embarcações:

“Hoje as empresas utilizam mais as vias de escoamento do Norte porque é mais barato do que levar a produção aos portos de Santos e Paranaguá, por exemplo, ainda que a capacidade daqueles seja menor. Mesmo assim há certa tendência de aquecimento dos negócios em toda a cadeia”.

O Arco Norte, conjunto de portos compreendidos da bacia amazônica a terminais na Bahia, aumentou o volume de movimentação de soja em 88,5% de 2011 a 2016, de acordo com dados da Antaq, Agência Nacional de Transportes Aquaviários. A movimentação de milho, no mesmo período, cresceu 174,8%. A expectativa é a de que a região seja protagonista no escoamento da produção agrícola nos próximos dez anos. Estudo da Embrapa sugeriu que o Arco Norte precisa mais do que dobrar sua capacidade atual de escoamento, alcançando 40% de participação no volume total de grãos exportados pelo País, para que sejam atendidas as projeções do setor para a produção de 2025.

Estrutura pós-venda – Hoje a Cummins possui duas distribuidoras de motores marítimos na Região Norte, responsáveis pelos negócios e pelo pós-venda. Os equipamentos são importados dos Estados Unidos e da Inglaterra, segundo Colares. Já no Estado do Rio de Janeiro, contou ele, a equipe de vendas para o segmento articula os negócios com clientes internacionais:

“A maioria dos clientes são empresas estrangeiras. Logo é necessária uma articulação envolvendo vários agentes: quem desenvolve o navio, o armador e o estaleiro, até a confirmação da compra”.

O executivo disse que o Brasil representa um mercado pequeno nas vendas de motores marítimos da Cummins na comparação com os maiores países do sudeste asiático – Cingapura e Malásia – e os banhados pelo Golfo do México: “São vendas que surgem a partir de projetos de infraestrutura, e eles ainda são poucos no Brasil. Nossa meta para o ano não será atingida por causa do mercado desaquecido, mas há oportunidades no médio prazo”.

No ano passado a Cummins vendeu US$ 1 bilhão 508 milhões em motores marítimos para clientes de todo mundo. Isso representou queda de 4% no comparativo com 2016, de acordo com o seu balanço financeiro.

 

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