Presidente José Luiz Gandini acredita nos híbridos mas mantém cautela com os elétricos
Araxá, MG – Em um estande montado pela Kia, principal patrocinadora do Encontro Nacional de Carro Antigo de Araxá, no Triângulo Mineiro, ao lado de dezenas de modelos clássicos mantidos por colecionadores, como Cadillacs, Fuscas e Rolls Royces, todos movidos a motores a gasolina, o presidente José Luiz Gandini decretou: em breve todo o portfólio Kia será eletrificado no Brasil. Ele inclui o caminhãozinho Bongo, hoje produzido na Nordex no Uruguai, que já tem sua versão 100% elétrica à venda na Coreia do Sul, mas somente por lá.
Gandini toma cuidado, porém, ao explicar seu planejamento: acredita ele que o 100% elétrico, em automóveis, ainda demorará a ser adotado em massa no mercado local. As oportunidades estão nos híbridos, na sua avaliação. Já nos comerciais a tecnologia 100% elétrica funcionaria melhor, pela sua utilização.
Esta ressalva ajuda a entender os passos da Kia do Brasil. No ano passado o Stonic foi anunciado, com tecnologia MHEV, mild hybrid, o híbrido leve, mas começou a chegar ao mercado em 2022. Agora os primeiros consumidores já receberam a nova geração do Sportage, importada da Eslováquia, com exclusiva opção híbrida leve.
Kia Sportage tem tecnologia híbrida leve, MHEV. Fotos: Divulgação.
Em setembro outro SUV, o Niro, será importado, desta vez com a tecnologia híbrida pura, HEV. Um elétrico, o EV6, somente mais para o fim do ano… que vem. Já o caminhãozinho elétrico não tem previsão, até porque a Kia ainda só o vende em seu país de origem.
Com passos cautelosos a Kia começa a avançar rumo à eletrificação da forma que seu presidente enxerga, começando pelos híbridos. E a justificativa está nos custos: segundo um cálculo da empresa agregar a um automóvel a tecnologia MHEV custa em torno de € 700, custo de fábrica, e eleva em 15% a eficiência energética comparado com seu similar a combustão. O salto para um HEV, o híbrido puro, é de 30%, ao custo de € 3 mil.
O mild hybrid é, portanto, o melhor custo-benefício para melhorar a eficiência energética média da Kia no País, uma obrigação criada com o Rota 2030 que estabeleceu metas para isso.
A eficiência é melhorada com o motor elétrico, que funciona como auxiliar do motor a combustão, gerando mais torque e reduzindo o consumo de combustível. Tanto que o Sportage, equipado com motor TGDI de 1,6 litro a gasolina e sistema híbrido de 48V acoplados à transmissão automática faz 11,5 km/l na cidade e 12,1 km/l na estrada, de acordo com as medições do Inmetro.
O SUV traz diversas tecnologias ADAS, como alertas de ponto cego, de colisão traseira e de tráfego cruzado, assistente de permanência em faixa e um piloto automático adaptativo com assistente de congestionamento, que simplesmente freia e acelera o carro conforme o tráfego à sua frente. Outro destaque é o modo velejar: ao tirar o pé do acelerador, na inércia, o carro desliga os motores a combustão e elétrico e se movimenta, como se fosse uma banguela eletrônica.
Modo velejar: motores são desligados e carro se move pela inércia, como se fosse uma banguela eletrônica.
Anunciados no início do mês, junto com suas venda, o preço do Sportage já foi reajustado – segundo Gandini por causa do dólar, que valorizou no período. A versão EX passou de R$ 220 mil para R$ 225 mil e a EX Prestige de R$ 255 mil para R$ 260 mil. “O dólar subiu em torno de 8% e nosso reajuste foi inferior a 2%”.
Este será o preço do segundo lote, pois o primeiro já foi totalmente vendido. Gandini esperava ter em torno de 400 unidades por mês do Sportage para vender no Brasil, mas as dificuldades produtivas na fábrica fazem com que não possa ser feita sequer uma projeção.