Em destaque

Balança comercial automotiva fecha no vermelho pela primeira vez em uma década

Exportações patinaram e encerraram 2024 em queda, que só não foi pior dada a melhora do mercado da Argentina
Portos do Paraná realiza operação inédita para atracação de navio de cargas rolantes

São Paulo – Pela primeira vez em dez anos a balança comercial do setor automotivo fechou as contas no vermelho. O déficit foi provocado pelo crescimento expressivo de 33% nas importações – que registraram, também, a melhor a marca em uma década –, para 467 mil veículos, ao mesmo tempo em que foram exportadas 398,5 mil unidades, 1,3% abaixo de 2023.

Os dados, divulgados na terça-feira, 14, pela Anfavea, mostram que o desempenho só não foi pior por causa da retomada dos apetites da Argentina, principalmente, e do Uruguai. Embora México, Chile e Colômbia também tenham apresentado melhora em seus mercados a preferência foi por veículos de outras nacionalidades devido ao menor custo.

“Precisamos reequilibrar a balança comercial deste ano com a elevação das exportações”, disse o presidente da Anfavea, Márcio de Lima Leite. “Estamos perdendo participação em mercados que cresceram. A Argentina está salvando o Brasil. Para piorar o excesso de importações provoca a tempestade perfeita, o que não poderá se repetir em 2025.”

E isto se deu mesmo em cenário de disparada do dólar a níveis recordes que romperam a casa dos R$ 6 e desvalorizaram o real, o que deveria favorecer as exportações: “O problema é que tem havido forte entrada de produtos de outros mercados, principalmente chineses, em que o volume é expressivo e o preço, favorável por causa da escala, inclusive de montadoras tradicionais com fábrica no Brasil”.

Dos 398,5 mil veículos exportados 40%, ou 160,2 mil, tiveram como destino o mercado argentino, que ampliou suas compras em 48% em comparação a 2023 – quando a participação foi de 27%. O Uruguai também reforçou suas encomendas em 22%, com 38,7 mil unidades, representando 10% do total e ganhando 2 pontos porcentuais em um ano. À exceção destes dois todos os demais países reduziram suas aquisições.

O México, segundo maior cliente do setor automotivo brasileiro, comprou volume 25% menor do que em 2023, totalizando 95,5 mil unidades. Com isto sua representatividade passou de 32% para 24%. O Chile recuou em 29%, para 19,3 mil unidades. Manteve a quinta posição e sua fatia caiu de 7% para 4%. E a Colômbia baixou seus pedidos em 2%, somando 33,8 mil veículos — e, embora sua fatia tenha passado de 9% para 8%, ainda permaneceu com o quarto lugar da lista.

Os valores totais obtidos com as exportações somaram US$ 10,9 bilhões, praticamente o mesmo do fechamento do ano anterior, com leve variação negativa de 0,1%.

Em dezembro o valor das exportações chegou a US$ 917 milhões, 8,3% abaixo de novembro mas 27,1% acima do último mês de 2023. Quanto aos embarques no mês passado foram escoados 31,4 mil veículos, 20,3% abaixo de novembro e 22,1% acima de dezembro do ano anterior.     

vwco

Notícias relacionadas

vwco
vwco

Receba as principais notícias do setor automotivo diretamente no seu WhatsApp.

Receba diariamente as principais notícias do setor automotivo, análises de mercado e tendências da indústria no seu e-mail corporativo.

vwco