São Paulo – Rodrigo Navarro, recém-contratado presidente executivo da Anip, Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos, passou os últimos oito anos na Abramat, Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção, em que era o CEO. Ele traçou paralelos que podem ser aplicados às duas atividades.
Em conversa com a Agência AutoData Navarro avaliou que, em comum, ambos os setores são complexos e têm ligação com o varejo. Uma das iniciativas por ele adotada de forma piloto e que será estendida à Anip durante sua gestão foi o programa chamado Conformidade para Todos:
“Na Abramat desenvolvemos, junto com a GS1, que controla os códigos de barra no mundo inteiro, projeto para colocar a informação da norma técnica no código de barras. Isto é importante porque, no caso de materiais como fios e cabos, 30% estão fora de norma. E pneu também é um item de segurança, por isto a importância da conformidade técnica”.
Navarro contou que a iniciativa pioneira, que contou com o apoio da ABNT, Associação Brasileira de Normas Técnicas, CNI, Confederação Nacional da Indústria, e MDIC, Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, está em desenvolvimento com equipes técnicas.
Outra proposta do dirigente é a maior troca com elos da cadeia, algo que também emprestará da Abramat. A proposta é reunir-se com integrantes do ecossistema, no caso dos pneus, por exemplo, fabricantes de rodas, e também com entidades como Sindipeças, a fim de que possam estreitar colaboração.
O presidente executivo da Anip disse que esta ideia casa com o objetivo de colocar a associação em uma posição de protagonismo nas interações institucionais e governamentais. O que, garantiu, já está contribuindo, uma vez que tem 35 anos de experiência nesta área, em que iniciou a carreira. Ao longo deste tempo passou por BMW, estabeleceu o escritório da Abraciclo em Brasília, DF, e armou bom relacionamento com Anfavea e Sindipeças.
Navarro ressaltou que possui laços profundos com representantes da indústria, uma vez que é conselheiro na CNI, da ABNT e da Fiesp, além de integrar o Conselhão, Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável da Presidência da República.
“Acho que poderei contribuir com discussões. E já estou fazendo isso, apesar de ter começado a trabalhar há pouco mais de vinte dias na Anip”, disse, referindo-se à interlocução com o governo para que seja negociado mais tempo com os Estados Unidos até que o tarifaço entre em vigor ou, quiçá, seja revogado.
Divulgação de dados para maior protagonismo
O dirigente também demonstrou maior interesse em levantar dados que demonstrem melhor a realidade do setor e o ajudem a contar sua história. Em 2025 a Anip completará 65 anos e seu plano é ressaltar feitos da associação ao longo deste período, a exemplo do programa de reciclagem da entidade.
“Precisamos falar mais sobre o Reciclanip, o terceiro maior programa de reciclagem do mundo, ainda mais em um ano de COP 30 [Trigésima Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima]. É um orgulho ter um trabalho de logística reversa bem robusto, iniciado há quase vinte anos, enquanto muitos segmentos ainda estão buscando aprimorar iniciativas do tipo.”
Quanto ao aprimoramento do levantamento interno de dados ele assinalou que o objetivo é aprofundar as informações que estiverem ao alcance dos associados e não forem sensíveis a suas atividades: “Não é possível nos posicionarmos melhor sem números”.
Navarro externou também a vontade de aproximar-se da mídia, uma vez que a informação está no bolso das pessoas, na palma da mão: “Muita gente talvez não conhece todos os desafios que temos e tudo o que a entidade promove, por isto a comunicação se faz essencial”.
O dirigente foi contratado para suceder a Klaus Curt Müller, que permaneceu no cargo por quase nove anos. Seu contrato não possui prazo determinado.