Fabricante de turbocompressores anunciará em breve novo cliente no segmento de veículos leves
São Paulo — No ano em que a BorgWarner celebra cinco décadas no Brasil a fábrica de turbocompressores de Itatiba, SP, deverá expandir sua receita em 25%. Esta é a expectativa da diretora geral Melissa Mattedi, no que ela define como “o nosso ano de ouro”. Na esteira de lançamentos de carros de marcas clientes da BorgWarner, como todas do guarda-chuva da Stellantis e da Volkswagen, e do maior apetite do mercado argentino, que gerou exportação indireta a partir de modelos exportados pelas montadoras, Mattedi está otimista para o fechamento do ano.
“Conquistamos mais um cliente fabricante de automóveis aqui no Brasil, que já é atendido pela BorgWarner no Exterior. Em breve anunciaremos pormenores deste novo contrato: por enquanto não podemos dizer quem é”, disse Mattedi, em encontro que reuniu jornalistas mulheres no MASP, Museu de Arte de São Paulo, na terça-feira, 29. “Logo divulgaremos.”
Hoje 68% da produção de Itatiba são dedicadoa a veículos leves e 32% a pesados, “uma relação que se inverteu ao longo dos últimos dez anos, quando começamos a fornecer turbos flex para carros com motor 1.0, como o Volkswagen Up!”.
A BorgWarner iniciou operação no Brasil atendendo a veículos pesados. Em 2015, por exemplo, esta relação era de 75% para pesados e 25% para leves. Em 2019, lembrou Mattedi, a empresa conquistou a Stellantis como cliente e, a partir de 2020, passaram a equipar os modelos com motorização 1.0 e 1.3. Agora está prestes a iniciar a produção para mais uma marca, o que deverá ser anunciado no início de dezembro.
Com o aumento da demanda por turbos para carros de passeio, ao mesmo tempo em que foi sentida redução nas encomendas para pesados, a partir do segundo semestre do ano passado, começou a haver remanejamento interno dos trabalhadores, uma vez que os dois turnos e meio de pesados recuaram para dois e os dois de leves aumentaram para três turnos.
No último mês de 2025 também será compartilhada outra novidade, em pesados, relacionado a novo pedido de uma montadora já atendida pela BorgWarner — que só não tem como cliente a DAF.
Negociações com chinesas
De acordo com a diretora da fábrica de Itatiba a utilização da sua capacidade instalada gira em torno de 83% a 85%:
“Ainda temos espaço para crescer nas nossas instalações. Hoje existe uma penetração de turbos nos carros em torno de 50%, sendo que metade é nossa e a outra parcela do nosso concorrente Garrett, que tem como cliente, por exemplo, a General Motors”.
Como na Europa a presença dos turbos chega a 70% do mercado de leves Mattedi enxerga isto como uma tendência para o Brasil. Ela contou ainda que a companhia está em contato com montadoras como BYD, GWM, Geely e Chery a fim de negociar o fornecimento de turbos: “Na semana passada marcamos visitas nestas empresas. Também estamos em contato com a Omoda Jaecoo”.
Turbocompressor é um dos principais produtos feitos pela BorgWarner em Itatiba. Foto: Divulgação.
Incertezas deixam mercado estável apesar de novos contratos
A expectativa é ampliar os negócios para o ano que vem, quando a executiva aguarda estabilidade nas vendas. Ela contou que desde que o segundo semestre teve início o segmento de pesados passou a ser mais impactado pelas instabilidades econômicas e geopolíticas: “O de pesados sempre foi um segmento muito bom, mas após a vigência do tarifaço todo mundo ficou com medo e postergou a renovação da frota e investimentos na ampliação do número de veículos”.
Sobre a iminente crise dos chips ela assinalou que a BorgWarner não está passando apuros com a obtenção dos semicondutores porque eles provêem de outras localidades além da China.
Avanço de eletrificados pode trazer novas linhas ao País
Com relação ao avanço da eletrificação a executiva ressaltou que, como ela se dá de maneira predominante com híbridos no Brasil não afeta o negócio da BorgWarner: “Não vejo riscos, pelo menos até 2030, pois os híbridos, mais característicos da descarbonização na nossa região, também utilizam turbos”.
Mattedi também afirmou que, como a companhia produz componentes de eletrificados em unidades ao redor do mundo — como em Piracicaba, com as baterias para veículos pesados —, e havendo procura é possível localizar novas linhas: “Temos diversos componentes para melhorar a vida da bateria, que promovem o resfriamento e cuidam da temperatura, por exemplo. Assim como ventilador eletrônico para ônibus e caminhões. Nos adaptaremos conforme a demanda”.
Desde 1975 a unidade de Itatiba já produziu mais de 8 milhões de turbocompressores, que se somam a 6 milhões de embreagens viscosas e ventiladores, e mais de 6 milhões de correntes de sincronismo.