Até 2030 objetivo é gerar tecnologia nacional de ponta em diversas atividades industriais
Horizonte, CE – A Pace, Planta Automotiva do Ceará, é uma iniciativa da Comexport que, com recursos próprios, investiu R$ 400 milhões para adequar o que era a fábrica da Troller num polo produtivo com foco em tecnologias avançadas. O empreendimento, que conta com o apoio do governo do Ceará e do município para reativar a atividade industrial na região, vai além da produção automotiva e de apenas uma marca de veículos.
A intenção é criar polo multimarcas, com seus fornecedores, startups e instituições de ensino, como o Instituto Tecnológico da Aeronáutica, o ITA, que deverá se instalar no complexo da Comexport, segundo seu vice-presidente, Rodrigo Teixeira.
No âmbito automotivo a Pace está cadastrada no Programa Mover e por isto a Comexport anunciou, na quarta-feira, 3, que investirá R$ 500 milhões em pesquisa e desenvolvimento até 2030.
“Esta é a primeira fase de investimentos. Queremos incentivar a criação de tecnologia brasileira reunindo este grupo diverso de fabricante de veículos, fornecedores, startups cearenses e o ITA, dentre outros atores da área industrial em um mesmo ambiente.”
A área atual de 120 mil m2 já está sendo ampliada para 600 mil m2, onde será construído um polo tecnológico de pesquisa e desenvolvimento além de abrigar um parque de fornecedores nacionais de autopartes.
A Comexport também está negociando com outras fabricantes de veículos um modelo de produção semelhante ao feito para a General Motors: ela importa os kits semidesmontados do Spark e da Captiva da chinesa SAIC-GM e opera toda a transferência de conhecimento técnico e de padrões de qualidade para serem montados no País.
Presidente Lula conhece processo do montagem de kits SKD do Chevrolet Spark no Polo Automotivo do Ceará Foto: Ricardo Stuckert /PR.
A expectativa é que em 2026 sejam montados 8,8 mil unidades dos modelos Chevrolet e anunciados “mais alguns contratos com outras marcas que ainda estão sob sigilo dentro do processo de negociação”, esclareceu Teixeira.
O executivo enfatizou que o atual governo criou a “a mais moderna política setorial do mundo” com o Mover e seu conceito produtivo do berço ao túmulo, que considera todas as etapas desde a obtenção da matéria-prima até a destinação final do produto em seu cálculo para definir tributação e incentivos produtivos: “Pretendemos explorar esta vantagem competitiva com nossos parceiros e desenvolver soluções para toda essa longa cadeia”.
Além disso a Pace é beneficiada pelos incentivos para o desenvolvimento industrial do Nordeste, que foi mantido na reforma tributária e mantém isenções de IPI, dentre outros mecanismos para produção automotiva na região. Esta é outra ferramenta com potencial para atrair outras marcas para o empreendimento da Comexport.
Teixeira considera que os custos logísticos para produzir nesta região distante dos principais centros consumidores do País são amortizados em certa parte pelos incentivos. Mas o principal benefício “está na criação de empregos qualificados numa região carente, influenciando positivamente o desenvolvimento de todo um País”.