No início de 2025, antes do baque provocado pela persistente alta taxa básica de juros, em 15% ao ano, que elevou a inadimplência e restringiu o acesso ao crédito, a perspectiva era de ampliar as vendas em 4,5%, para 127,6 mil unidades.
Marcelo Franciulli, diretor executivo da entidade, ressaltou que 2025 foi especialmente difícil para o agronegócio, o que gerou impacto nas vendas, principalmente, de pesados: “Houve queda de 22% nos emplacamentos de extrapesados, que representam quase 50% das vendas, enquanto que a comercialização dos médios avançou 31% e a dos semipesados 45%”.
Até mesmo a venda de caminhões eletrificados recuou no ano passado, de acordo com a entidade, de 480 para 369, ou seja, 23,1% em comparação a 2024.
Em dezembro foram emplacados 9,7 mil caminhões, retração de 11,8% com relação ao mesmo mês de 2024, que teve 11 mil vendas. Sobre novembro, no entanto, houve reação de 11,1%, 8,7 mil unidades.
Move Brasil deve permitir parte das vendas de caminhões
“O Move Brasil traz um alento, mas é preciso levar em conta que tivemos uma queda em 2025 e vendemos 110 mil caminhões. Então, sobre esta base, teremos incremento pequeno”, afirmou Zonta. “De qualquer forma trata-se de iniciativa importante, pois os caminhões têm vital importância para a nossa economia, representam 65% do transporte de riquezas do Brasil. Esperamos que o programa seja fomentador da compra de extrapesados, principalmente.”
A iniciativa propõe que durante seis meses os bancos ofertem R$ 10 bilhões em recursos do Tesouro e do BNDES, com taxas de 13% a 14% anuais, frente às atuais de 25% a 28%, carência de até seis meses e prazo máximo de cinco anos. Além disto 10% do total será reservados a autônomos e cooperativas.
Implementos rodoviários também precisam de socorro
Zonta afirmou que a missão da Fenabrave, que pleiteava programa perene de estímulo à renovação de frota, agora é negociar com o governo a inclusão de implementos rodoviários no programa, ao citar que em 2025 o comércio destes equipamentos encolheu 19,9%, somando 71 mil unidades. A expectativa para este ano é de alta de 2%, para 72,4 mil produtos.
“Estamos passando por momento difícil nas vendas nas concessionárias, temos visto muitas postergações até que haja oportunidade de unir preço e financiamento. E quem compra está priorizando o cavalo mecânico em detrimento do implemento.”
Segundo o vice-presidente os bancos das montadoras foram cruciais para a oferta de crédito em 2025, e ele espera que este movimento perdure em 2026. Tereza Fernandez acredita que a Selic, até o fim do ano, recuará aos 13%, aposta um pouco mais conservadora que a do Boletim Focus, do Banco Central, de 12,25% ao ano, o que reforça ainda mais o papel do Move Brasil – ainda que o risco continue assombrando os contratos, uma vez que quem o assume são os bancos comerciais e não o BNDES.