São Paulo – Acelerar o crescimento e otimizar os custos para gerar mais rentabilidade. Estes objetivos, inerentes às empresas, tornaram-se ainda mais aspiracionais com o choque que as companhias chinesas vêm promovendo na indústria automotiva global. Em meio a este cenário a Stellantis apresentou na quinta-feira, 21, a atualização de seu plano estratégico que soma 60 bilhões de euros em investimentos até 2030.
O foco, desta vez, é a América do Norte: do valor, segundo o CEO Antonio Filosa, 60% será direcionado para a região na qual a companhia vem enfrentando muitas dificuldades. O executivo disse, ainda, que 40% será aplicado em novas tecnologias e plataformas e 60% em produtos e marcas.
No total o plano prevê o lançamento de mais de sessenta modelos, dos quais 29 BEV, 15 PHEV-REEV, 24 HEV e 39 ICE-MHEV – o mesmo modelo pode apresentar diferentes propulsões.
Aí entra uma reorganização da Stellantis, que transparece a maneira com a qual ela enxerga suas marcas: Filosa elegeu quatro como as globais, Fiat, Jeep, Peugeot e Ram. Estas receberão mais atenção, serão priorizadas em lançamentos e plataformas globais. Nela serão direcionados 70% dos investimentos. As demais, como Alfa Romeo, Chrysler, Citroën, Dodge e Opel, são consideradas marcas regionais, e terão seu foco centrado nestes mercados onde elas já são competitivas. DS e Lancia ficarão debaixo do guarda-chuva de Citroën e Fiat, respectivamente.
E a Maserati? Filosa afastou os rumores de venda da marca, e anunciou dois novos modelos de luxo, o primeiro a ser apresentado em dezembro em Modena, na Itália.
Filosa comentou também o recente movimento de fechar parcerias: só nos últimos dias foram anunciadas com a Donfeng e a JLR, que se somam à joint-venture com a Leapmotor. “Podemos avançar melhor e mais rápido com as parcerias, compartilhando desenvolvimento e investimentos, acessando mercados onde não somos fortes, gerando melhor competitividade em compras e otimizando o uso de nossas capacidades”.
Só na Europa a Stellantis precisa ocupar 800 mil unidades em capacidade que, com estas parcerias, não significa necessariamente o fechamento de fábricas.
Nova plataforma STLA One
Até 2030 a Stellantis tem como objetivo concentrar 50% de seu volume de produção sobre três plataformas: STLA Frame, STLA LCV e a inédita STLA One. Prometida para 2027, foi concebida de forma modular e pode gerar veículos dos segmentos B, C e D com ganhos de eficiência de custos de 20%, segundo a companhia, e 70% de aproveitamento de componentes.
Ela usará a tecnologia cell-to-body, na qual a bateria LFP será totalmente integrada ao veículo, o que otimiza a eficiência energética, além dos custos. A arquitetura de 800 volts deverá garantir prazos de recarga mais curtos.
A STLA One unifica cinco plataformas em uma arquitetura escalável e é multienergia, podendo gerar de modelos ICE a BEV, com as mais novas tecnologias da Stellantis, como STLA Brain, STLA Smart Cockpit e steer-by-wire. Até 2035 deverá suportar mais de trinta modelos e produzir 2 milhões de unidades por ano.