São Paulo — Uma equipe de técnicos da GAC trabalha em Catalão, GO, para definir o cronograma de implementação da operação de montagem de veículos na fábrica da HPE, com quem firmou acordo para fabricação de até 50 mil unidades por ano. Segundo Mauro Correia, CEO da HPE, definições como o layout da fábrica estão em discussão:
“A equipe da GAC está em Catalão esta semana desenvolvendo todo o conceito do processo produtivo junto com a nossa. Como ficará o layout, comos serão os equipamentos, toda esta definição”, afirmou Correia à Agência AutoData durante evento em que a HPE premiou seus melhores fornecedores de 2025.
Correia ressaltou que a operação será dividida, com a GAC responsável pela engenharia, desenvolvimento dos produtos, estratégia de marca, área comercial e relacionamento com concessionários. A HPE assumirá toda a operação industrial e logística da produção nacional. “O que nós vamos fazer é a importação de componentes, aquisição dos componentes locais, toda a parte logística de recebimento, manufatura dos produtos, faturamento para a rede de distribuição e o outbound.”
De acordo com ele, a parceria deve ampliar a atividade industrial em Catalão sem alterar a operação atual da Mitsubishi, marca representada pela HPE, no Brasil. “Na operação da Mitsubishi não terá impacto nenhum. Nós vamos continuar fazendo toda a parte de representação da marca, desenvolvimento aqui de algumas especificidades dos produtos para o Brasil. O que nós teremos é ganho de sinergia com a operação da GAC.”
Segundo Correia, a produção dos veículos da GAC ocorrerá integralmente em Catalão e não exigirá, neste momento, ampliação da capacidade instalada da unidade. “A capacidade produtiva é suficiente.”
A HPE também prevê investimentos específicos para adaptar a fábrica aos modelos da montadora chinesa, principalmente em máquinas e equipamentos.
Chineses chegam e mercado não cresce
Durante apresentação aos fornecedores Correia classificou o cenário automotivo brasileiro como desafiador, especialmente diante da entrada de novas marcas chinesas no País. “Hoje existem mais de 40 marcas no mercado e, de uma hora para outra, aparece uma marca nova. Só que o volume total de vendas continua o mesmo.”
O executivo também criticou o baixo índice de conteúdo local utilizado por parte das novas operações chinesas instaladas no Brasil. “Mesmo aqueles que dizem que estão montando carros no Brasil, provavelmente 95% ou 99% são peças importadas. Então não movimenta a economia brasileira. Não faz crescer os fornecedores locais.”
O CEO da HPE avalia que a parceria com a GAC pode gerar oportunidades para a cadeia automotiva nacional. “Essa parceria estratégica traz para a HPE e para a região o crescimento da operação, geração de novos empregos, geração de riqueza na região. E, para a GAC, traz a possibilidade de localização da produção de produtos mais competitivos e também a possibilidade de desenvolvimento local.”
Segundo ele a HPE trabalha atualmente em um plano dividido em etapas para ampliar o índice de nacionalização dos veículos produzidos em Catalão. “Já concluímos a primeira etapa, estamos seguindo para a segunda e, em mais dois anos, devemos concluir todo esse plano.”