Camaçari, BA – A velocidade do início da operação da fábrica da BYD na Bahia, que completa um ano com 100 mil veículos montados em SKD, tem sido proporcional ao volume de problemas relatados por funcionários. O Sindicato dos Metalúrgicos de Camaçari e Região foi procurado por dezenas de profissionais para registrar casos de assédio moral e pelo menos três de assédio sexual.
A existência dos assédios foi denunciada em reportagem do UOL e confirmada pela Agência AutoData. Segundo o presidente da entidade, Júlio Bonfim, o volume de casos de assédio moral tem relação tanto com a questão cultural do Brasil e da China quanto com o tipo de modelo produtivo implantado, baseado em agilidade e eficácia.
“Este tipo de modelo cria tensão e exigência por parte do processo operacional, às vezes de forma equivocada E a forma de provocar esse tipo de processo produtivo acaba tensionando os trabalhadores”, assinalou. “Os chineses têm um jeito peculiar de falar, que já é meio agressivo. E as lideranças brasileiras têm um posicionamento, às vezes orientado pela própria BYD, que é assediador. É o que se pratica dentro da fábrica, o que têm tornado constantes os relatos.”
Bonfim lembrou que no primeiro ano de operação da Ford em Camaçari, no mesmo local onde se instalou a BYD, foram produzidos 30 mil veículos. Já a linha de montagem de SKD da BYD contabilizou em julho, nove meses após a inauguração, 100 mil unidades – marca alcançada somente anos depois pela antiga proprietária.
Com relação ao assédio sexual o sindicalista relatou o temor das mulheres, tanto pela exposição quanto pelo medo de perder o emprego e de eventuais retaliações. “Tive contato com três delas pessoalmente e elas tiveram coragem de denunciar as pessoas. A orientação do sindicato foi prestar queixa na Delegacia da Mulher e de fazer o acompanhamento jurídico por meio da Secretaria da Mulher, além de formalizar queixa conjunta também no Ministério Público do Trabalho.”
Por se tratar de algo “que não deixa a digital” o sindicalista disse que cabe à entidade orientar e cobrar da empresa o encerramento do contrato de trabalho do assediador. E, no caso de profissionais chineses, que voltem ao seu país. “Em paralelo vamos discutir, dentro de uma negociação, plano preventivo por parte da empresa contra a prática de assédio moral e assédio sexual”.
Ele disse que haverá reunião para isso e para formalizar comissão para tratar do assunto, provavelmente na semana que vem. “Sabemos que não é o suficiente. As pessoas têm que ser punidas, inclusive com a perda do trabalho. Não dá para ter um ambiente dentro da empresa com um assediador sexual.”
O vice-presidente sênior da BYD, Alexandre Baldy, afirmou que a empresa repudia qualquer tipo de assédio, seja moral ou sexual. “Sempre reiteramos essa nossa posição. Todos os casos que possam ser ventilados serão investigados, serão averiguados. Caso eventualmente sejam confirmados, as pessoas serão punidas com o desligamento”, disse. “Nós não aceitamos nenhum desrespeito às pessoas, aos seres humanos, sejam homens, sejam mulheres, aqui na nossa fábrica.”















