São Paulo – A Kia está negociando com o governo federal o acerto da antiga dívida gerada pela Asia Motors, há mais de vinte anos. Segundo publicou o jornalista João Anacleto em seu Instagram o valor gira em torno de R$ 6 bilhões e, caso exista acordo, a montadora poderia construir uma fábrica no Brasil.
O jornalista citou a cidade de Piracicaba, SP, onde hoje a Hyundai, que é dona da Kia, mantém produção do HB20, i20 e Creta, como possível local da fábrica. Tudo deverá ser definido até o fim do ano, afirmou.
Hoje a Kia do Brasil é representada pelo Grupo Gandini, de José Luiz Gandini. Em entrevista ao Motor1 o empresário afirmou que a negociação está em curso, tocada pela matriz coreana. Ele disse que as discussões envolvem a possibilidade de a Kia erguer uma fábrica no País mas que não existe nenhuma definição e nem local.
“A prova disto é que vou lançar a picape Tasman no Brasilem 17 de agosto”, afirmou Gandini ao Motor1. “Se eu não fosse mais o distribuidor da marca não estaria lançando um carro novo.”
O representante da Kia Motors disse ainda que a possibilidade avançou pelo fato de o governo ter criado um programa que reduz juros e multas para dívidas federais. A Kia, daí, abriu negociações.
Dívidas geradas por incentivos fiscais
A dívida bilionária é resultado de incentivos fiscais concedidos pelo governo brasileiro à Asia Motors no fim da década de 1990. A empresa sul-coreana importou diversos modelos, como as vans Topic e Towner, com isenção de imposto com a promessa de que ergueria uma fábrica na Bahia.
Porém a Asia Motors entrou em processo de falência na crise asiática de 1997 e o plano nunca saiu do papel. Posteriormente foi adquirida pela Kia que, na visão do governo federal, herdou a dívida.
No começo dos anos 2010 Gandini sinalizava a intenção de produzir modelos Kia no Brasil, como faz com o Bongo no Uruguai, mas o tema nunca avançou justamente por causa da dívida. A montadora sul-coreana sequer tem representação própria no Brasil devido a este passivo: quem responde por toda a operação é Gandini.
De toda forma o empresário admitiu ao Motor1 que caso a Kia resolva a pendência e se instale no Brasil ele deverá sair da operação. Poderia continuar como concessionário, mas o controle seria da matriz da Coreia do Sul.

















