Gravataí, RS – A semana tem sido muito especial para a fábrica da General Motors no Rio Grande do Sul. Segunda-feira, 20, comemorou-se os 26 anos do início da operação. E na quarta-feira, 22, as 5 milhões de unidades produzidas desde a sua inauguração.
Gravataí é a fabrica mais produtiva da GM no País. Repartindo esse volume ao longo da sua história seriam pouco mais de 192 mil unidades produzidas ao ano. Das 140 mil unidades comercializadas pela companhia este ano, quase metade foi produzida ali. Com o lançamento do Chevrolet Sonic a unidade passou a produzir 1 mil veículos diariamente em dois turnos. São 65 unidades por hora.
Para Thomas Owsianski, presidente da GM para a América do Sul, o novo ritmo da fábrica permitirá um melhor desempenho no mercado nacional: “Óbviamente o Sonic vai nos ajudar a recuperar participação no mercado. Mas eu espero mais tanto desta unidade quanto do nosso portfólio”.

Durante a cerimônia na linha de montagem, em tom de brincadeira, Owsianski cobrou os responsáveis pela produção para aumentar o ritmo. E é o que Júlio Affeldt, diretor de produção, ja está fazendo. Além dos dois turnos a fábrica está operando também um sábado por mês, além de 1h30 adicional por turno.
“Para recuperar a produção perdida por causa do evento aqui na linha já disse ao presidente que vamos iniciar o turno às 5 da manhã no sábado. Ele ficou contente por não deixarmos de produzir nenhum veículo.”
Preocupações e oportunidades
Durante a cerimônia que marcou a produção do veículo 5 milhões, um Sonic cinza, convidados demonstraram otimismo e também preocupação com o futuro do setor industrial do País.
Valdir Ascari, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Gravataí, demonstrou seu orgulho e otimismo pela transformação que a fábrica proporcionou ao Estado: “Atingir 5 milhões é muito bom porque nos lembra que para chegar ao marco tivemos que superar nossas próprias convicções. Diziam que não sabíamos produzir automóveis, mas dos 20 milhões de carros que a GM produziu em cem anos 5 milhões foram aqui”.
Já o prefeito de Gravataí, Luiz Zaffalon, afirmou que está atento ao que chamou de processo de desindustrialização: “Me preocupa que a produção de pneus da Pirelli ao lado da fábrica da GM abastecia 60% dos carros produzidos aqui. Agora são apenas 30%”.
De fato o setor industrial perdeu posições no ranking da Organização das Nações Unidas para o desenvolvimento industrial: a indústria de transformação brasileira ocupa a 69ª posição do ranking de noventa países. Chegou a 33ª posição em 2024.
O presidente Owsianski, no entanto, acredita que a GM vai na contramão desta tendência aumentando seu portfólio no País: “Estamos no caminho para ampliar nosso portfólio com veículos híbridos, híbridos leves e PHEV. Em breve teremos estas novidades”.
Fábio Rua, vice-presidente da companhia, disse que os modelos eletrificados sairão de todas as fábricas.
Mas é bem provável que o primeiro desta nova safra seja fabricado em Gravataí.



















