São Paulo – Foram comercializados no primeiro semestre 17,8 milhões de pneus produzidos no Brasil, recuo de 6,8% em comparação aos seis meses iniciais de 2025, quando as vendas alcançaram 19,1 milhões. Neste mesmo período, segundo a Anip, as importações avançaram 81,2%.
Para o presidente da entidade, Rodrigo Navarro, existe claro desequilíbrio no mercado brasileiro de pneus: “O avanço das importações ameaça empregos, investimentos e a própria sustentabilidade da indústria instalada no País.”
O maior recuo nas vendas no primeiro semestre, de 10,1%, foi observado no segmento de reposição, justamente o principal nicho dos importados. No período as vendas para as montadoras permaneceram relativamente estáveis, com leve retração de 0,3%.
As fabricantes nacionais obtiveram participação de 29% no aftermarket ao passo que os estrangeiros conquistaram fatia de 71%. Para efeito de comparação em 2021 a curva era invertida, com 64% correspondendo aos produtos locais e 36% aos importados.
Maior presença dos importados se dá entre pneus de carga
Navarro destacou que o avanço das importações foi especialmente expressivo no segmento de pneus de carga: de janeiro a junho as importações desta categoria cresceram 157,9%: “Os produtos importados já representam 73% do mercado de reposição de pneus de carga, enquanto que a participação nacional caiu para 27%”.

Segundo o dirigente muitas vezes estes produtos entram no País com preços artificialmente baixos e, considerando o volume total reportado pelo Ibama, os importadores não cumprem exigências ambientais relacionadas ao recolhimento e à destinação de pneus inservíveis. Os dados citados apontam que os importadores acumulam mais de 500 mil toneladas de pneus que deixaram de ser recolhidos nos últimos catorze anos.
“A Anip aguarda a avaliação de vários pleitos apresentados ao MDIC para buscar um equilíbrio no mercado.”
Navarro lembrou que em outros países, diferentemente do Brasil, existem alíquotas elevadas para frear o ingresso de importados da China, sendo de 35% no México e de até 45,3% na União Europeia.


















