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Com nova plataforma de ônibus Scania projeta crescer ao menos 10% 

Montadora investiu R$ 120 milhões para estender ao portfólio de chassis rodoviários a linha Super, que promete redução de mais 8% no combustível

São Bernardo do Campo, SP – A introdução da plataforma Super nos chassis de ônibus rodoviários, já presente nos caminhões desde 2022, traz à Scania a expectativa de ampliar suas vendas em pelo menos 10%, impacto que deverá ser sentido de forma mais consistente a partir do ano que vem. A tecnologia será apresentada oficialmente na Lat.Bus, feira que apresenta os principais lançamentos do setor dos dias 11 a 13 de agosto, no São Paulo Expo.

Foi o que afirmou à Agência AutoData o presidente e CEO da Scania Operações Comerciais Brasil, Eronildo Barros, funcionário da montadora há 28 anos. Foi a primeira vez que ele conversou com jornalistas desde que assumiu o cargo, em maio, quando retornou a São Bernardo do Campo. Anteriormente à frente da Scania Peru, onde permaneceu por quatro anos, o executivo sucedeu ao italiano Simone Montagna.

Em defesa dos benefícios da plataforma Super, Barros sustentou que, embora a tecnologia eleve em torno de 7% o valor do ônibus a economia de combustível de no mínimo 8% sobre a geração anterior paga este investimento adicional ao longo do ciclo de vida do veículo, de no mínimo cinco anos.

“Se considerarmos uma frota de dez veículos com a tecnologia Super, com economia de combustível que alcance 10%, é possível afirmar que equivale a pagar integralmente um veículo novo apenas com o combustível economizado”.

Chassis produzido em São Bernardo do Campo sobre a plataforma Super, que já é usada em caminhões. Foto: Divulgação.

Esta é a aposta da Scania, após investimento de R$ 120 milhões, para tentar segurar o ritmo de queda do mercado. A montadora está alinhada com a projeção da Anfavea, de redução de 6% nos emplacamentos em 2026, ainda que no acumulado dos sete primeiros meses do ano tenha havido encolhimento de 10,7%, para 12,5 mil unidades.

“É fato que, apesar do contexto de maiores dificuldades, existe um otimismo para o segundo semestre, historicamente melhor que o primeiro. Temos grandes operadores que ainda não decidiram por comprar. Por outro lado, alguns que não tinham a nossa marca passaram a usá-la, sem contar os pequenos e médios clientes que decidiram renovar este ano”, assinalou Barros. “A resultante do tamanho do mercado se dará em razão destas variáveis, apesar da realidade de que boa parte dos grandes operadores estão postergando a decisão de compra, o que impacta o mercado total.”

Acerca do fato de a montadora não contar muito com o reflexo da introdução da gama Super este ano, o presidente da Scania no Brasil lembrou que existe um caminho até que o veículo esteja circulando efetivamente, pelo fato de serem descasados os momentos da negociação até o início da operação, que passam pela produção do chassis, da carroceria, montagem e entrega.

Apesar de a segunda leva do Programa Mover ter oferecido crédito para a aquisição de ônibus, os R$ 2 bilhões acabaram em um mês e, segundo Barros, quase cem veículos da marca foram adquiridos por meio da iniciativa do governo federal de empréstimos a juros menores, com parcelamento mais extenso e carência. 

A cada dez ônibus da marca seis são exportados

O executivo não falou em números de chassis de ônibus da marca que deverão ser vendidos este ano. Mas ressaltou que de 50% a 60% da produção da fábrica de São Bernardo do Campo será embarcada, principalmente a países da América Latina, em 2026.

“Na Colômbia, por exemplo, temos 70% de participação no segmento rodoviário”, afirmou. “Isso nos preserva e é estratégico, pois dá um balanceamento e equilíbrio muito importantes para as nossas finanças em relação ao câmbio.”

Não à toa, ao olhar para o potencial do produto na região, que no ano passado respondeu por quase a metade das vendas de chassis da marca no mundo, 3 mil 172 unidades, o plano é elevar a comercialização em 20% ao longo dos próximos cinco anos.

Os chassis made in ABC Paulista abastecem mercados do México para baixo – no país da América do Norte a frota circulante vem da Europa. Além disso, os veículos são enviados também para a África do Sul e o leste Europeu. 

Potencial do gás na região

Quanto aos ônibus a gás, a região também é importante mercado para a montadora, ao representar 40% das vendas globais, sendo que desde 2016 são contabilizadas mais de 6 mil unidades rodando pelo mundo. A Colômbia aparece mais uma vez como destaque, com 2 mil unidades em circulação, o que segundo Barros é estimulado por políticas públicas consistentes de infraestrutura implantadas nos últimos anos.

“Esperamos que as vendas de veículos a gás também acompanhem o crescimento de 20% nos próximos anos.”

No Brasil a Scania também ampliou o portfólio a gás para veículos urbanos após parceria com a Caio para desenvolver produto sob medida à SPTrans. O primeiro veículo padron com piso baixo do chassis K 280 4×2, com carroceria Millenium, em fase final de homologação. 

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