São Paulo – A Jeep resolveu vestir a capa de super-herói para encarar uma das batalhas mais desafiadoras do mercado automotivo brasileiro: o concorrido segmento de B-SUVs. Pegando carona no universo da Marvel e no filme Vingadores, a montadora lançou o inédito Jeep Avenger.
Deixando o marketing de quadrinhos de lado a aposta da marca é pragmática no mundo dos negócios e foca em tecnologia, eletrificação leve e uma estrutura de preços agressiva para atrair um consumidor urbano que talvez nunca tenha cogitado colocar um SUV da marca na garagem.
Produzido no Polo Stellantis de Porto Real, RJ, o Avenger inaugura uma nova fase industrial para a marca no Brasil. Com a missão de expandir a base de clientes e completar o portfólio o Avenger é o primeiro carro da Jeep no País a adotar o sistema híbrido-leve em todas as suas versões.

Preços competitivos
Para fazer barulho no mercado a construção dos preços foi calibrada para pressionar a concorrência. O portfólio chega dividido em três opções de acabamento, todas equipadas com o câmbio automático CVT de sete marchas.
A porta de entrada é a versão Altitude, que estreia com o valor promocional de R$ 114 mil 990 no primeiro lote de 1 mil unidades. Traz um pacote especial de lançamento que inclui câmara de ré e barras no teto pintado de preto. Depois sobe R$ 10 mil, para outras 2 mil unidades.
A opção intermediária Longitude sai por R$ 135 mil 990 e acrescenta rodas de 17 polegadas, enquanto a topo de linha Limited, que embarca o pacote completo de assistência à condução, atinge os R$ 145 mil 990.
O Jeep Avenger é impulsionado pelo conhecido motor turbo T200 de três cilindros e 1 litro, de 116 cv e 20,4 kgfm de torque. O diferencial da engenharia é o sistema elétrico auxiliar de 12 volts e 200 amperes que o acompanha. A aceleração de 0 a 100 km/h é feita em 10,3 segundos no etanol.
O consumo com etanol na cidade é de 8,8 km/l e na estrada de 12,7 km/l. Com gasolina faz 9,4 km/l e 13,5 km/l, respectivamente.
A eletrificação leve não surpreende no consumo, mas garante trunfos financeiros importantes nas metrópoles, como a isenção do rodízio na capital paulista e descontos de IPVA em diversos estados.
Acerto no design
No visual o Avenger sabe que precisa se destacar na multidão para roubar clientes da concorrência. O design exibe uma reinterpretação moderna da clássica grade de sete fendas, que nas versões mais caras ganha uma inédita retroiluminação em LED. Na traseira as lanternas com assinatura em formato de X brincam com a nostalgia ao remeterem aos antigos galões de combustível militares.
Com 4m08 de comprimento e balanços curtos o SUV compacto foi pensado para as vagas apertadas da cidade mas preserva a valentia geométrica da herança Jeep. O Avenger ostenta 221 mm de altura livre do solo além de ângulos de ataque de 22 graus e de saída que chega a 33,9 graus.
A cabine foca uma experiência digital de um nível que agradará ao consumidor brasileiro. O painel pode abrigar mais de 20 polegadas de telas no total, somando o quadro de instrumentos digital e a central multimídia de 10 polegadas oferecida de série.

O interior foi concebido para maximizar a funcionalidade sem perder o refinamento exigido por esse consumidor aspiracional. A montadora investiu em painéis com materiais macios ao toque, revestimentos premium nos bancos e uma iluminação ambiente configurável com oito opções de cores na versão Limited.
Nos espaços internos, são catorze compartimentos porta-objetos espalhados pela cabine que completam 28 litros de capacidade extra, organizados em torno de um console central ajustável. No compartimento de carga principal o porta-malas oferece 321 litros de volume VDA e conta com piso reversível e lavável.
Segurança e seletor de terrenos
A segurança também vem reforçada com uma lista de equipamentos robusta para o segmento de entrada. O modelo sai de fábrica com seis airbags e traz o pacote de tecnologias Adas de nível 2. Isso se traduz em piloto automático adaptativo integrado ao centralizador de faixa, que controla o carro longitudinalmente e lateralmente em vias bem sinalizadas na versão topo de linha.
O portfólio de defesas ainda inclui o alerta de colisão com frenagem automática de emergência, leitor de placas de trânsito, monitoramento de ponto cego e detector de fadiga do motorista.
Para garantir que a condução entregue a versatilidade prometida pelo escudo da marca a dinâmica veicular recebeu atenção da engenharia. O tradicional sistema Selec-Terrain é equipamento de série, permitindo que o motorista altere o comportamento da tração, da transmissão e do acelerador em modos calibrados especificamente para o asfalto, para uma tocada mais esportiva ou para pisos de baixa aderência.
A iluminação também adota recursos típicos de categorias superiores, com a oferta dos faróis de led Matrix, uma tecnologia inteligente que ajusta os fachos de luz em tempo real para maximizar a visibilidade noturna sem ofuscar os carros no sentido contrário, só visto no Brasil em carros acima de R$ 300 mil.

E afinal, quais são seus superpoderes?
O novo Jeep Avenger chega às lojas com a missão de ser o grande motor de volume da marca. Ao combinar design cheio de personalidade, sistema híbrido-leve de série e uma farta lista de itens tecnológicos o SUV apresenta credenciais para brigar forte com os Volkswagen Tera e T-Cross, Chevrolet Sonic, Nissan Kait, Honda WR-V e inclusive com o seu irmão de Stellantis, o Fiat Pulse.
Além das marcas tradicionais o Avenger e seus 75% de índice de nacionalização soam como um sopro de esperança na produção brasileira diante da invasão chinesa abaixo de R$ 150 mil.
A brincadeira com os super-heróis funciona como isca para atrair o público a uma de suas 250 concessionárias, mas, no fim das contas, é preciso olhar para o Jeep Avenger de forma realista. Seus 2m557 de distância entre-eixos não farão milagres no espaço interno e o motor turbo de 116 cv, apesar do bem-vindo sistema híbrido-leve, está longe de ser um esportivo ou super econômico.
A mira está nos pontos que o consumidor atual mais valoriza: design atraente, arsenal tecnológico com recursos raros nessa faixa de valor, mesmo sendo nas versões mais caras, e, principalmente, o peso e o status inegáveis que a logomarca da grade carrega. Tudo isso envelopado por uma etiqueta de preços agressivos para o momento do mercado. É um carro de imagem e de estratégia, pronto para a batalha nas ruas.























