Em destaque

Fabricantes de caminhões acreditam que chineses não terão caminho fácil no Brasil

Foi o que apontaram executivos de montadoras durante participação no Fórum Veículos Comerciais AutoData Perspectivas

São Paulo – A despeito da ampla participação de marcas chinesas na Fenatran 2026, marcada para novembro, com seis empresas de treze no total, as fabricantes de caminhões aqui instaladas não acreditam que elas terão caminho fácil no mercado brasileiro.

Foi o que apontaram, em uníssono de unanimidade, Alcides Cavalcanti, diretor executivo da Volvo Caminhões, Jefferson Ferrarez, vice-presidente de vendas, marketing e pós-vendas de caminhões da Mercedes-Benz, Luiz Gambim, diretor comercial da DAF, e Ricardo Alouche, vice-presidente de vendas e marketing da Volkswagen Caminhões e Ônibus. Eles participaram do Fórum Veículos Comerciais, organizado por AutoData.

“Eles não terão vida fácil aqui”, disse Gambim, representante da montadora com menor tempo no mercado brasileiro, a DAF, há treze anos produzindo localmente. “Acredito que terão muita dificuldade pois o cliente demanda disponibilidade de peça e de suporte. São coisas fundamentais e que obrigam a mudança estrutural de médio e longo prazo. Reconhecemos que o desafio é grande, mas estamos nos preparando para competir de igual para igual.”

Cavalcanti reforçou que a rede de serviços com cobertura geográfica adequada é uma demanda do proprietário do caminhão, que tem nível de exigência elevado por se tratar de um mercado maduro.

“Há também o fato de que o cliente espera revender seu veículo com um valor residual elevado”, afirmou. “Os chineses terão tarefa longa e árdua para conquistar participação. Enquanto isto seguimos fazendo nossa tarefa de casa.”

Para Alouche é natural que o mercado brasileiro de caminhões, um dos cinco maiores do mundo, atraia novos competidores de tempos em tempos. Ele disse que, até, é algo saudável, apesar da velocidade com que os chineses estão chegando.

“Vemos este movimento com atenção e prudência, mas também com muita resiliência. É importante que todos possamos competir sob as mesmas regras e condições. Eles terão de provar sua qualidade e valor de revenda.”

Representante da montadora mais longeva quando o assunto são caminhões, a Mercedes-Benz, que este ano completa sete décadas no Brasil, Ferrarez apontou que não subestima os planos dos chineses mas que este caminho demanda não somente soluções diferentes para conquistar clientes mas, também, tempo e consistência.

“É preciso testar o produto e serviços no mercado para o qual se está pretendendo vender. Nós não só trazemos soluções diferentes como produzimos aqui e construímos histórias com os clientes.”

Com relação às perspectivas de emplacamentos para o segundo semestre, passado o efeito do Move Brasil, todos os executivos acreditam que haverá recuo inevitável frente à escassez de crédito e aos juros elevados, apontando para uma queda em torno de 5% frente ao ano passado.

O cenário dificulta ainda mais a vida do autônomo. Embora ainda haja recursos disponíveis do programa Move Brasil ele não consegue garantias para obtê-los e padece de restrições cadastrais.

Tanto que alguns acabam migrando para transportadoras, para se tornarem empregados, uma vez que não conseguem trocar seu caminhão por outro mais novo e, assim, conseguir mais clientes, o que contribui para reduzir a oferta de motoristas no País.

vwco

Notícias relacionadas

vwco
vwco

Receba as principais notícias do setor automotivo diretamente no seu WhatsApp.

Receba diariamente as principais notícias do setor automotivo, análises de mercado e tendências da indústria no seu e-mail corporativo.

vwco