São Paulo – Os fabricantes nacionais de pneus comercializaram, ao longo do ano passado, 37,7 milhões de unidades de pneus no mercado brasileiro, queda de 5,8% na comparação com as 40 milhões de 2024. Os dados foram divulgados pela Anip, Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos.
A principal influência negativa veio das vendas para o segmento de reposição, que totalizaram 25,3 milhões de unidades, 7,5% abaixo das 27,3 milhões do ano anterior. O comércio para montadoras recuou 2,1%, para 12,4 milhões de unidades.
Na análise do presidente da Anip, Rodrigo Navarro, o cenário é produto do excesso de pneus vindos da Ásia: “As importações seguem afetando duramente a indústria nacional, com produtos que entram no País muitas vezes a valores abaixo do custo de produção, dentre outras inconformidades, como apontam investigações no âmbito do MDIC”.
A Anip aponta que este desequilíbrio estrutural derrubou a participação da indústria brasileira de pneus ao longo dos últimos anos. Em 2020 respondia por 73% das vendas no mercado doméstico e, em 2025, caiu para 41%.
Em pneus de passeio, principal fatia do mercado, as vendas dos 31,5 milhões de pneus produzidos no País registraram retração de 5,4%, pressionada por queda de 7,2% no mercado de reposição e de 1,8% nas vendas para montadoras.
O mercado de pneus de carga também encerrou 2025 no vermelho. Foram comercializadas 6,1 milhões de unidades, 7,7% abaixo de 2024. As vendas de 8,9 milhões de pneus para motocicletas no mercado de reposição recuaram 11,3% frente ao ano anterior.
“O Brasil tem mecanismos de investigação para tratar importações com dumping, mas tem processos muito demorados e custosos. Estamos trabalhando junto ao governo para termos medidas que assegurem de forma mais célere e eficaz uma competição justa, não só no quesito custo mas, também. no cumprimento de normas ambientais e de conformidade técnica.”
Segundo o presidente da Anip produtores de borracha natural estão avaliando mudar de atividade e, com isto, o Brasil pode perder capacidade de produção: “Somos um país de modal rodoviário. É fundamental termos um ecossistema produtivo pronto para atender à demanda. Demoramos décadas para construir cadeia produtiva completa de pneus no Brasil e agora estamos colocando todo este esforço em risco”.