Programas setoriais devem ser revistos, apontam analistas

São Paulo – Afora a projeção de produção menor em função das paradas ocorridas nas fábricas instaladas no País, analistas apontam o retorno da indústria em cenário social, econômico e regulatório distinto daquele estabelecido no período pré-pandemia. São esperados meses de ritmo lento e problemas de liquidez e também a revisão dos caminhos nas políticas setoriais.

 

Na quarta-feira, 29, em transmissão via internet organizada pela AEA, Associação Brasileira de Engenharia Automotiva, Ricardo Abreu, consultor da Bright, disse que a covid-19 e seus efeitos na indústria deverão provocar modificações em programas de longo prazo considerados chave pelo setor automotivo, como é o caso do Rota 2030, a fase P8 do Proconve e o Renovabio.

 

“São programas que, juntos, constituem a base para o cenário da mobilidade do futuro, baseada na sustentabilidade. O que está acontecendo afetará os programas de forma que sejam reescalonados. Não poderá ser perdido o que já ficou estabelecido e o pouco que sobrar para se investir, em meio a tanta demanda por caixa, deve ser empregado no redesenho dos programas”.

 

Como modificação viável o consultor citou o direcionamento da matriz energética no qual a indústria pretende concentrar seus esforços de desenvolvimento no futuro: “Os principais nomes do setor precisam utilizar o tempo, agora, para se perguntar para onde devemos seguir: se será mirando os biocombustíveis ou a eletromobilidade. Tudo ainda é muito disperso”.

 

O Rota 2030, programa tornado lei em 2018, estabelece regras que concedem benefícios fiscais às empresas que desenvolverem produtos visando a redução de emissões. O Proconve 9, que, se pretendia, entrasse em vigor em janeiro de 2022, baliza pela norma Euro 6 as emissões de caminhões e ônibus produzidos no País. E o Renovabio é política que pretende estimular a adoção de novos combustíveis, menos poluentes, pela frota circulante.

 

Na mesma linha Marcos Clemente, do conselho diretor da AEA, propôs que sejam promovidas mudanças nos programas setoriais, uma vez que “o momento é propício para que melhorias sejam feitas”:

 

“Nem tudo nos programas setoriais depende de investimento, algo que deverá ser restrito na indústria por razões que já conhecemos. Concordo que a busca por um foco em termos de matriz energética é algo que poderia ficar mais claro na política setorial da indústria brasileira”.

 

Foto: Divulgação.

Philips lança lâmpada para veículos pesados

São Paulo — A Philips lançou a lâmpada Standard Essential 24V, que será comercializada no mercado de reposição para o segmento de veículos pesados. Segundo a companhia o componente segue os padrões das lâmpadas originais de fábrica.

 

A Standard Essential 24V foi desenvolvida para entregar maior durabilidade e menor custo de reposição, além de ser mais resistente às vibrações, informou comunicado da empresa. E já está disponível nas principais lojas de autopeças em dois formatos, H4 e H7.

Grupo Moura doa baterias e máscaras para hospitais

São Paulo — O Grupo Moura anunciou a doação de 1,2 mil baterias para garantir o funcionamento de respiradores utilizados em pacientes em estado grave por causa do coronavírus. As baterias poderão ser usados caso falte energia nos hospitais: para funcionar cada respirador requer uma bateria.

 

A companhia também adaptou suas linhas de produção para fabricar 50 mil escudos faciais que serão doados a funcionários que trabalham no combate à pandemia da covid-19 — nesta semana o primeiro lote de 4,5 mil unidades chegará a hospitais.

Pandemia gera efeito negativo em resultados do Grupo VW

São Paulo – A pandemia de covid-19 atingiu em cheio os resultados do Grupo Volkswagen no primeiro trimestre. A começar pelo volume de vendas, 23% inferior ao dos primeiros três meses de 2019 – 2 milhões de veículos. A receita recuou 8,3% no período, para € 55,1 bilhões.

 

O lucro operacional caiu de € 4,8 bilhões para € 900 milhões, informou balanço financeiro divulgado na quarta-feira, 29. Em 2019 itens especiais resultantes da crise do diesel reduziram o lucro em € 1 bilhão – não houve itens especiais neste primeiro trimestre.

 

O retorno operacional sobre as vendas no período foi de 1,6%. Além da queda no volume de vendas por menor demanda de clientes a turbulência nos mercados de commodities e de capitais gerou efeitos negativos no resultado, que também sentiu efeitos do câmbio. O lucro antes dos impostos caiu para € 700 milhões, ante € 4,1 bilhões no primeiro trimestre de 2019.

 

Foto: Divulgação.

e-tron Sportback será o segundo Audi elétrico no Brasil

São Paulo – Após apresentar o e-tron a Audi anunciou que importará mais um modelo elétrico ainda em 2020: será o e-tron sportback, previsto para desembarcar no mercado brasileiro até dezembro. O anúncio foi feito em apresentação virtual pelo CEO Johannes Roscheck, que disse já ter revisado a sua projeção inicial de vendas para o SUV, o primeiro veículo elétrico Audi no Brasil.

 

“Revisaremos, também, nossas projeções para o e-tron quando o mercado voltar ao normal. Agora não é possível projetar o volume de vendas que esperamos”.

 

Segundo Roschek a alta do dólar trará impactos para os planos que envolvem o modelo e toda a operação da Audi no País.

 

O e-tron é mais do que o primeiro veículo 100% elétrico no País: representa, segundo o executivo, uma nova era de sustentabilidade da empresa, que busca ser neutra em carbono até 2050 e tem como um dos pilares uma ofensiva no segmento elétrico.

 

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A Audi também atuará em outros campos, como zerar as emissões de suas fábricas, o que já fez em sua unidade de Bruxelas, Bélgica, responsável pela produção das duas versões do e-tron: “Também queremos avançar na cadeia de fornecimento para que ela impacte cada vez menos o meio ambiente”.

 

No Brasil a empresa instalou 264 painéis solares fotovoltáicos que serão responsáveis por gerar cerca de 31% de toda energia elétrica que as áreas administrativas consomem durante um ano, deixando de emitir 17 toneladas de CO2 por ano. Concessionários também estão sendo incentivados a adotar a tecnologia em suas revendas, o que já aconteceu na unidade de Santos, SP, a primeira a trabalhar com energia 100% limpa.

 

O e-tron já é comercializado por catorze concessionárias, selecionadas para atender as clientes interessados dotadas de especialistas treinados. Segundo o CEO o primeiro lote do modelo chegará nos próximos dias e as entregas das unidades vendidas durante a pré-venda serão feitas seguindo todas as normas de segurança, para não deixar os clientes esperando.

 

O SUV tem dois motores elétricos que geram 408 cv de potência e o conjunto de baterias de íon de lítio garantem autonomia de até 436 quilômetros. O tempo de recarga depende da potência da rede elétrica disponível, mas em uma estação ultra rápida carrega-se 80% das baterias em 30 minutos.

 

A lista de equipamentos conta com sistema de recuperação de energia por meio de frenagem e desacelerações, gerenciamento térmico da bateria, retrovisores virtuais que usam câmaras para reproduzir imagens externas, visão noturna, teto solar panorâmico, sete modos de condução e kit multimídia com duas telas sensíveis ao toque.

 

O modelo tem, aqui duas versões: Performance e Performance Black, com preços de R$ 500 mil e R$ 540 mil — durante o lançamento os preços serão de R$ 460 mil e R$ 500 mil, respectivamente. A garantia é de quatro anos para o veículo e de oito anos para as baterias.

 

Fotos: Divulgação.

Projeto Courier: a nova picape compacta da Ford será fabricada no México.

Buenos Aires, Argentina – É conhecido como Projeto Courier, em homenagem à última picape pequena que a Ford teve em sua gama de produtos. Mas será um pouco maior do que aquela baseada no velho Fiesta. O Projeto Courier é uma picape do segmento C, de compacto, que será apresentada em meados de 2021 e competirá com um grupo cada vez mais numeroso de rivais: Fiat Toro, Renault Duster Oroch e a futura Volkswagen Tarok.

 

Os leitores de Autoblog conhecem o Projeto Courier faz dois anos, mas hoje conhecerão outros pormenores. Por exemplo: após o cancelamento do Projeto Cyclone na Argentina desapareceu a possibilidade de a Volkswagen assumir esse produto. E também se soube que o primeiro centro de produção do Projeto Courier será o México.

 

A picape compacta da Ford aproveitará os componentes de vários modelos da oval. A plataforma usará peças estruturais do novo Focus quarta geração e também do novíssimo Bronco Sport. O SUV também fornecerá motores e grande parte da inspiração do design exterior. Esqueça a aparência da velha Courier: o Projeto Courier terá uma estética moderna e agressiva.

 

Assim como o Focus e o Bronco Sport, o Projeto Courier será uma picape de carroceria autossustentável. Ou seja: não terá chassis de longarinas, como Ranger e F-150. É um método de construção mais barato e mais leve, também adotado pelos rivais Fiat e Renault.

 

A produção no México permitirá o acesso sem impostos de importação aos principais mercados do continente americano: desde Canadá e Estados Unidos até Brasil e Argentina. A gama de motores será toda formada pelos EcoBoost turbo, a gasolina: 1.5 de três cilindros e 2.0 de quatro cilindros. As potências variam de 180 a 250 cv.

 

* Texto de Camilo Cristófalo traduzido na íntegra pela Redação AutoData

Associadas da Anfir operam durante quarentena

São Paulo – O atendimento aos pedidos em carteira, mesmo durante a quarentena imposta pela covid-19, fez com que, na indústria de implementos rodoviários, a operação ficasse acima dos 60% da capacidade nas últimas semanas. Segundo a Anfir, associação que representa o setor, 52% das suas associadas trabalham nessa faixa.

 

“Nossos produtos não são de pronta entrega, mas produzidos e entregues dentro de uma programação específica”, disse, em nota, o presidente Norberto Fabris, que demonstrou otimismo com a volta da atividade das montadoras de veículos: “São sinais de que a atividade econômica nas cidades será retomada”.

 

O presidente disse que seus associados confiam em reação no segundo semestre. “O nosso ritmo está apenas amortecido e a disposição não foi abalada, mesmo com a situacao grave imposta pela pandemia. É certo que teremos pela frente meses difíceis, mas sabemos que temos força, energia e determinação para superar mais esta crise”.

 

Foto: Divulgação.

Moto Honda prolonga parada e suspende contratos

São Paulo – A Moto Honda prorrogou por mais duas semanas a parada na produção da fábrica da Zona Franca de Manaus, AM, por causa da pandemia da covid-19. O retorno está previsto, agora, para 18 de maio, “com a adoção de protocolos adicionais de segurança e visa a conciliar o cuidado com a saúde e a necessidade de atendimento à demanda atual do mercado de motocicletas”.

 

Em acordo com o sindicato local também foi acertada a suspensão do contrato de trabalho da “maior parte dos colaboradores”, dentro das medidas previstas na MP 936. A medida terá validade de até sessenta dias e assegura de 75% a 100% da renda líquida do trabalhador, a depender da faixa salarial.

 

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Randon cancela projeções para o ano

Caxias do Sul, RS – A Randon Implementos e Participações comunicou ao mercado que cancelou suas projeções financeiras para 2020, divulgadas em 17 de fevereiro por meio de fato relevante. A diretoria estimara receita bruta total de R$ 7,7 bilhões e, líquida, de R$ 5,5 bilhões, com altas de 5% e 8% sobre os resultados consolidados no ano passado.

 

O diretor de relações com investidores, Paulo Prignolato, citou no comunicado que a incerteza, a volatilidade e o rápido alastramento da pandemia da covid-19 nos mercados em que a empresa atua impossibilitam estimar os impactos nas operações para este ano. Também informou que novas projeções serão feitas e publicadas quando o cenário permitir maior clareza sobre o comportamento do mercado.

 

A empresa reiterou, no comunicado, que a saúde e a segurança dos seus empregados e das pessoas das comunidades em que está inserida são sua prioridade. Destacou, ainda, que segue trabalhando para enfrentar o surto pandêmico da melhor maneira possível, próxima aos governos, autoridades locais, comunidades, acionistas e demais stakeholders.

 

No primeiro trimestre de 2020 o conglomerado consolidou receita bruta de quase R$ 1,7 bilhão, com incremento de 2,3% sobre igual período do ano passado. O valor líquido totalizou perto de R$ 1,2 bilhão, com alta de 3%.

 

Já em função da pandemia, março foi marcado por resultados negativos com relação ao mesmo mês de 2019 e na comparação com fevereiro. A receita bruta somou R$ 521 milhões, recuos de 10% sobre março e de 14% diante de fevereiro. A receita líquida alcançou R$ 371,8 milhões, com declínios de 6,9% e 11% nas mesmas bases de comparação. A empresa também alterou a data para divulgação dos resultados consolidados do trimestre, de 12 de maio, inicialmente programada, para 4 de junho. A decisão deve-se, segundo comunicado, às medidas adotadas para redução dos impactos causados pelo novo coronavírus.

 

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Nivus será exportado ainda em 2020

São Paulo – O mercado argentino será o primeiro, após o brasileiro, a receber o Volkswagen Nivus, novo SUV derivado de Polo e Virtus que será produzido em São Bernardo do Campo, SP. O presidente Pablo Di Si confirmou na quarta-feira, 29, que o modelo desembarcará naquele país no segundo semestre – e, meses depois, começa a exportação para os demais países da América Latina.

 

A pandemia de covid-19 em nada mudou o cronograma de lançamento do Nivus, segundo Di Si. Até a forma de mostrar o produto, via apresentação digital por teleconferência, fazia parte do planejamento – a estratégia era ressaltar a grande quantidade de itens digitais com um lançamento em ambiente virtual.

 

Na quarta-feira, 29, o sistema VW Play, que estreia no Nivus, foi mostrado à imprensa, concessionários e fornecedores por meio de uma apresentação virtual. A transmissão registrou mais de 3 mil conexões simultâneas. Lá Di Si informou que nas próximas semanas será divulgada a estratégia comercial do modelo, incluindo preços e versões – que deve seguir o padrão dos últimos modelos do portfólio Volkswagen.

 

O Nivus, e o VW Play, serão vendidos também na Europa, mas com produção na Espanha.

 

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