Hyundai fecha acordo e Piracicaba retorna no fim de maio

São Paulo – A Hyundai acertou com o Sindicato dos Metalúrgicos de Piracicaba, onde mantém sua fábrica no Estado de São Paulo, a suspensão do contrato de trabalho de seus funcionários por, inicialmente, trinta dias. Com isso o retorno da produção, antes programado para 27 de abril, passou a ser previsto para 27 de maio.

 

Em nota a companhia disse que o prazo poderá ser estendido por mais trinta dias. Pelo acordo a Hyundai pagará parte do salário dos trabalhadores, que receberão um porcentual do seguro-desemprego, e ainda arcará com a diferença para que os rendimentos líquidos sejam mantidos.

 

A fábrica de Piracicaba está sem produzir veículos desde 20 de março. Banco de horas e férias coletivas foram usados pela Hyundai para manter os funcionários em casa no período.

 

Foto: Divulgação.

Cadeia automotiva precisa de R$ 40 bilhões para atravessar a crise

São Paulo – As empresas que compõem a cadeia automotiva – montadoras, fornecedores e concessionários – precisam de R$ 40 bilhões nos próximos quatro meses para atravessar a crise provocada pela pandemia do coronavírus. Os valores foram repassados pelas próprias empresas ao governo, que agora estuda como fazer com que esse dinheiro chegue à ponta, de acordo com o presidente da Volkswagen América do Sul, Pablo Di Si.

 

“Não queremos dinheiro público ou subsídio: queremos acessar as linhas de crédito de forma rápida e com taxas justas”, afirmou o executivo a jornalistas, por meio de videoconferência, na manhã de quinta-feira, 23. “O quão rápido? Nas próximas semanas. O setor precisa de liquidez, especialmente a cadeia fornecedora. Se um fornecedor cai derruba toda a cadeia. Estou falando de mais de 1 milhão de empregos.”

 

Para o presidente da VW o mundo passa por crise sem precedentes. Pela primeira vez afetou todos os mercados de uma só vez – e não há onde buscar liquidez, muito menos nas matrizes. Por isto a importância de fazer com que este dinheiro chegue à ponta.

 

“Veja o valor. Em quatro meses gastaremos o equivalente a um ciclo de investimentos de anos na indústria. Por isso congelamos todos os investimentos, pois não há como pensar em desenvolver um carro para 2022, 2023, nessas condições.”

 

As reuniões com gente do Ministério da Economia, do BNDES e de bancos privados, por videoconferência, são semanais. Segundo Di Si o governo criou um consórcio de bancos privados para examinar setores da economia – no automotivo a liderança ficou a cargo do Itaú. Na sua avaliação o governo compreendeu as necessidades da indústria e classificou o setor automotivo como um dos críticos, que demandam mais atenção.

 

Sempre otimista Di Si disse não acreditar, contudo, em retorno do mercado aos níveis pré-crise ainda em 2020, por causa do aumento do desemprego e da redução na confiança do consumidor. Um dos pedidos ao governo é facilitar o acesso dos bancos de montadoras ao capital pelo Banco Central, podendo, assim, direcionar linhas com spread menor para concessionários, frotistas e consumidores.

 

As vendas de veículos no Brasil caíram, até 22 de abril, 22,5% na comparação com o mesmo período de 2019. A Volkswagen perdeu menos, 14,5%. Di Si evitou fazer projeção de mercado para 2020. Mas levantou outra pauta: revisão dos prazos de marcos regulatórios, como os estabelecidos no Rota 2030: “Os investimentos em novas tecnologias estão congelados, precisamos de alternativa. Uma delas seria a postergação do Rota 2030, cujos investimentos são bem expressivos”.

 

Foto: Rafael Cusato.

Vendas do Grupo Renault caem 26% até março

São Paulo — As vendas globais do Grupo Renault no primeiro trimestre somaram 673 mil veículos, volume 26% menor do que o registrado em igual período no ano passado. O desempenho refletiu na receita, que caiu: 10,1 milhões de euro, 20% a menos na mesma base de comparação. 

 

Do total vendido no acumulado do ano 76,6 mil unidades correspondem às vendidas na região Américas, volume 22% menor do que o registrado no primeiro trimestre do ano passado. Na Europa, seu maior mercado, a queda chegou a 36%, e a 50,5% na China.

 

A companhia informou que no Brasil as vendas somaram 41,3 mil unidades, volume que representou 8% das suas vendas globais até março. Foi o quarto maior mercado do Grupo Renault no período, atrás de Rússia, França e Alemanha.

 

Os resultados, divulgados em balanço da empresa na quinta-feira, 23, envolvem as operações de todas as marcas controladas pelo grupo, como Renault, Renault Samsung Motors, Dacia, Lada, Alpine e Jinbei&Huasong. A empresa aponta a pandemia de covid-19, que derrubou o mercado e fechou fábricas, como fator responsável pelo desempenho.

 

O cenário, ainda, levou o grupo a suspender as suas projeções para o ano, e a lembrar que, até o momento, “não é possível avaliar o impacto que a pandemia provocará nos resultados anuais”.

 

Foto: Divulgação.

Com Carlos Zarlenga, AutoData inicia série de conversas com líderes do setor automotivo

São Paulo — Neste período de afastamento social para conter a onda do coronavírus AutoData passa a conversar com os executivos do setor automotivo em uma nova série, a Webcon.

 

A cada episódio teremos um líder da indústria abordando os temas mais relevantes do momento numa entrevista rápida e objetiva. O vídeo estará disponível no canal de AutoData no Youtube e também acessando este link.

 

A qualquer momento levaremos até o público que acompanha AutoData as conversas mais relevantes para que todos da cadeia automotiva possam elaborar seus planos estratégicos e superar este grave momento da história que causa impacto direto sobre os negócios e sobre o futuro da atividade automotiva no Brasil e em todos os outros países.

 

 

Volkswagen retorna, em maio, em primeira marcha

São Paulo – Será com cuidado, com passos curtos, em um turno, e de olhos atentos ao ritmo de vendas do mercado que a Volkswagen pretende voltar a produzir automóveis e comerciais leves em suas fábricas brasileiras de São Bernardo do Campo e Taubaté, SP, e São José dos Pinhais, PR. Segundo o presidente Pablo Di Si a data estimada é 18 de maio, com a fábrica de motores, em São Carlos, SP, voltando, talvez, uma semana antes. Junto com os trabalhadores da produção retornam, também, os executivos da diretoria, naquela que o executivo chamou de Onda 1 do planejamento de retomada.

 

“Mais importante do que a data em si é retornar com segurança”, afirmou o presidente da Volkswagen América do Sul durante teleconferência com jornalistas na quinta-feira, 23. “Não vejo problema nenhum em adiar por uma semana, se for preciso, para respeitar os protocolos dos governos a autoridades de saúde.”

 

Todas as fábricas operarão em um turno neste primeiro momento. Trabalhadores dos grupos de risco permanecerão em casa – e quem voltar a frequentar as instalações da VW do Brasil encontrarão novas rotinas: uso obrigatório de máscaras, faixas pintadas no solo para indicar a distância em filas nos marcadores de ponto e portarias, maior oferta de ônibus fretados – e com menos pessoas em cada veículo –, álcool gel nas entradas dos ônibus e fábricas, refeitórios com menos mesas, etc.

 

Serão três as ondas da retomada. Na segunda retornam 40% dos executivos e 20% dos trabalhadores das áreas administrativas. Na última serão os outros 60% de executivos e 30% do pessoal do administrativo. Há acordo de redução de jornada e salários, aprovado pelos trabalhadores. As reuniões seguirão no ambiente virtual.

 

Di Si disse que as ações tomadas pela Volkswagen na China, que já retornou ao trabalho, e Europa, que está retornando, ajudarão a tocar o planejamento aqui. O plano foi anunciado a trabalhadores, concessionários e fornecedores. Com esses dois últimos Di Si confessa ter preocupação adicional: é preciso injetar liquidez nas empresas para que elas consigam retomar a produção.

 

“A cadeia de fornecedores vai demorar a recuperar o ritmo. Precisamos resolver o problema de caixa – e não é só da Volkswagen, mas dos fornecedores e concessionários.”

 

O executivo não acredita em retorno de vendas ao nível pré-crise neste ano. Admite, também, que haverá dificuldade dos fornecedores em acelerar a produção, o que pode prejudicar a retomada da própria fabricação de veículos. Mas minimiza: “Temos que acompanhar o mercado. Não podemos acelerar e ficar com estoques elevados”.

 

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Rede Audi e-tron já entrega o SUV elétrico

São Paulo – As catorze concessionárias Audi credenciadas com a bandeira e-tron já receberam o SUV, primeiro modelo elétrico da marca. Em pré-venda desde novembro, o e-tron é o pilar principal do projeto de sustentabilidade da empresa, que tem o compromisso de ser neutra em carbono até 2050.

 

Produzido na plataforma MEB o e-tron tem dois motores elétricos que geram 408 cv de potência com baterias de íon de lítio que geram autonomia de até 436 quilômetros. O tempo de recarga varia de acordo com a potência elétrica disponível, mas em uma estação ultra rápida carrega-se 80% das baterias em 30 minutos.

 

Dentre os itens de série o SUV trazsistema de recuperação de energia por meio de frenagem e desacelerações, gerenciamento térmico do sistema de bateria, sete modos de condução, quadro de instrumentos digital, retrovisores virtuais que usam câmaras para processar imagens externas, visão noturna, teto solar panorâmico e kit multimídia.

 

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Importado da Bélgica o modelo tem duas versões, Performance e Performance Black, com preços de R$ 500 mil e R$ 540 mil — durante o lançamento os preços serão de R$ 460 mil e R$ 500 mil, respectivamente.

 

Como parte do seu plano de eletrificação no País a Audi anunciou em fevereiro o investimento de R$ 10 milhões para a instalação de duzentos pontos de recarga até 2022. A empresa pretende instalar os postos em shoppings, academias, hotéis, restaurantes e clubes, locais onde os clientes podem deixar o veículo carregando enquanto realizam outra atividade.

 

Outros trinta postos de recarga ultra rápida serão instalados em rodovias nacionais, em parceria com EDP, Porsche e Volkswagen.

 

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BMW confirma Série 3 híbrido no Brasil

São Paulo — Mais um modelo híbrido foi confirmado pela BMW para o Brasil: o novo 330e M Sport chegará às concessionárias ainda no primeiro semestre. O veículo é produzido na fábrica de Munique, Alemanha, e seu preço local ainda não foi divulgado.

 

O BMW 330e M Sport tem motor 2.0 turbo de 184 cv, outro elétrico e uma bateria de íon-lítio, que geram potência de 113 cv. Juntos, geram potência combinada de 292 cv — só com o motor elétrico tem autonomia de até 66 quilômetros. A lista de itens de série conta com assistente de condução semiautônoma, que lê faixas de trânsito e mantém o veículo na distância correta do da frente.

 

Roberto Carvalho, diretor comercial da BMW do Brasil, disse que a intenção é “aumentar o poder de escolha do cliente, sendo a versão híbrida a quinta no portfólio do sedã, que é lider de vendas do seu segmento”.

 

Foto: Divulgação.

FCA ajuda no combate à covid-19 na Argentina

São Paulo — A FCA está ajudando no combate à covid-19 na Argentina com diversas ações. A mais recente foi ceder o prédio do Fiat Club para o governo da Província de Córdoba construir um centro de atendimento para até cem pessoas. Também em Córdoba, onde a FCA possui fábrica, serão produzidas cem camas e sessenta biombos para equipar aquele centro de atendimento.

 

O plano de ação para ajudar o país está alinhado ao global e todas as áreas da empresa estão envolvidas. A FCA emprestou cinquenta veículos para órgãos públicos, realizou doações, tem apoiado financeiramente alguns projetos, está fazendo a manutenção de veículos públicos, produzindo máscaras em impressoras 3D e também ajuda na produção de outras empresas.

Honda só volta a produzir automóveis no fim de junho

São Paulo – A Honda estendeu para até 25 de junho a paralisação na produção de suas fábricas de automóveis brasileiras, em Itirapina e Sumaré, Interior de São Paulo. Os planos de retornar na semana que vem foram cancelados para “assegurar a saúde e segurança dos colaboradores” e “adequar a produção à demanda atual do mercado de automóveis”.

 

Segundo a companhia os trabalhadores aprovaram, em assembleia virtual, a suspensão dos contratos de trabalho por sessenta dias da maioria do pessoal que compõe o quadro da produção, de acordo com os termos da Medida Provisória 936. As votações foram organizadas pelos sindicatos dos metalúrgicos de Campinas e Limeira, que representam os funcionários das unidades.

 

De 75% a 100% da renda líquida do trabalhador será mantida, informa a Honda em comunicado. Os maiores descontos, que chegam a 25%, será aplicado nas faixas superiores de salário.

 

A produção nas duas fábricas está suspensa desde 25 de março. Se mantida esta programação anunciada, a Honda deixará de produzir automóveis no total por três meses no Brasil, no total.

 

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Mercedes-Benz retorna em maio com metade da força de trabalho

São Paulo – A produção de caminhões, chassis de ônibus e componentes na fábrica da Mercedes-Benz em São Bernardo do Campo, SP, retorna gradualmente a partir de 4 de maio, após o feriado do dia do Trabalho, com apenas 50% dos trabalhadores diretamente ligados à área. Assim será por quatro meses: até o fim de agosto as linhas de produção deverão operar com metade da força de trabalho.

 

O acordo foi aprovado pelos trabalhadores em assembleia virtual organizada pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. 50% deles ficará em casa de 4 de maio a 30 de junho, com seus contratos de trabalho suspensos, e os outros 50% de 1º de julho a 31 de agosto. Haverá redução dos salários no período.

 

Nas demais áreas ficou acertada a redução de 25% da jornada de trabalho de 4 de maio a 31 de julho, também com diminuição do salário. Aqueles que puderem manter suas atividades à distância seguirão com trabalho remoto, em acordo com as orientações da OMS, Organização Mundial da Saúde.

 

Segundo a Mercedes-Benz, em comunicado, a unidade do ABCD paulista emprega mais de 8 mil pessoas. Todos, com o acordo, garantiram estabilidade no emprego até 31 de dezembro. “Desta maneira a empresa mantém o seu compromisso de evitar demissões, além de assegurar a sustentabilidade do seu negócio no mercado brasileiro. São alternativas viáveis e que trazem mais tranquilidade a todos durante esse período extremamente desafiador”.

 

As linhas de São Bernardo do Campo pararam de operar em 23 de março, assim como as de Iracemápolis, SP, e Juiz de Fora, MG. Em Campinas, SP, a produção parou um dia depois. A companhia segue em negociações com os demais sindicatos dos metalúrgicos locais em busca de novos acordos.

 

Foto: Divulgação.