Trabalhadores rejeitam lay off e Renault estende parada até maio

São Paulo – A Renault prorrogou até 3 de maio as férias coletivas das fábricas do Complexo Ayrton Senna em São José dos Pinhais, PR, cujo retorno dos funcionários estava previsto para a segunda-feira, 14 de abril. A ideia inicial era colocar os trabalhadores em lay off, dentro das medidas de flexibilidade do Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e Renda do governo federal, mas os cerca de 7 mil trabalhadores, em assembleia, recusaram a proposta.

 

“A empresa propôs condições superiores às estabelecidas na medida provisória”, alegou a Renault em comunicado. Em nota o sindicato afirmou que o PLR, previsto para ser pago em 10 de maio, foi o ponto da discórdia. “Mesmo a empresa garantindo que os trabalhadores receberiam 100% dos rendimentos líquidos, o trabalhador optou por reprovar a iniciativa, uma vez que ela não atenderia as expectativas nos quesitos data-base e PLR”.

 

Segundo a companhia não houve uma assembleia oficial: a consulta da proposta foi feita com um número reduzido de trabalhadores. A Renault alega também que as negociações de PLR e de lay off deveriam ser feitas de forma separada, mas o sindicato insistiu em colocar ambos na mesma votação.  Assim, optou por conceder mais férias coletivas aos trabalhadores e antecipar os feriados de 21 de abril e 7 de setembro no período, com retorno em 4 de maio, logo após o feriado do Dia do Trabalho.

 

* Reportagem atualizada em 13 de abril com mais informações da Renault

 

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Crise uniu mais a indústria, avalia Roscheck

São Paulo – A atuação em conjunto de todos os elos da cadeia automotiva durante a fase em que ainda se discutia quais ações tomariam para tentar conter o avanço do novo coronavírus foi ponto positivo, na avaliação do presidente da Audi, Johannes Roscheck, a respeito deste conturbado período pelo qual passamos. Esta união, segundo ele, é importante para o setor.

 

“Todo mundo participou, todos se juntaram no mundo inteiro. Não foi uma decisão da montadora de fechar a fábrica e deixar o fornecedor na mão.”

 

Roscheck participou de transmissão ao vivo pelo LinkedIn com o CEO da Regus & Space, Tiago Alves. Para ele essa foi uma lição importante aprendida em tempos de covid-19: “A indústria automotiva não tem um botão liga-desliga. É um sistema complexo, com muitos fornecedores, alguns no Exterior, e só quando toda essa cadeia funciona em conjunto, da melhor maneira, faz sentido todo mundo participar ativamente e empregar muitas pessoas no mundo inteiro”.

 

O presidente da Audi sugeriu a manutenção da quarentena para conter de uma vez a ofensiva do vírus. Cita como exemplo a Áustria, seu país natal, que agora começa aos poucos a reabrir o comércio e voltar à vida social normal: “Eles agiram muito rápido e agora sentem que o pior já passou. Essa é a única forma que enxergo para resolver: fechar tudo e quebrar a onda. Quem não fez isso agora vê a curva crescer, como Itália, Reino Unido e Estados Unidos”.

 

Johannes Roscheck demonstrou preocupação, contudo, com a economia local. Em especial com o desemprego, que já estava alto. Ao contrário da Europa, China e Estados Unidos, que estavam com a economia sólida antes da chegada da pandemia, o Brasil estava ainda se recuperando da crise de 2014-2017, com as bases mais frágeis, na sua avaliação.

 

“A flexibilização do trabalho foi uma medida excelente, já ajudará bastante. Não tenho opinião ainda com relação a possíveis próximas ações: tudo dependerá da evolução. Se não sairmos rapidamente desta situação poderemos precisar de mais estímulos – e não só a indústria automotiva. Um avanço mais rápido da reforma tributária seria um golaço para o Brasil.”

 

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Mercado chileno cai 37% em março

São Paulo — As vendas de veículos no Chile caíram 36,5% em março, com relação ao mesmo mês do ano passado, com pouco mais de 19,1 mil unidades comercializadas. Na comparação com fevereiro, quando foram vendidas 25 mil unidades, a retração foi de 23,2%.

 

No acumulado do primeiro trimestre as vendas registraram queda de 19,3%, com 76,3 mil veículos licenciados. Os números foram divulgados pela Anac, Associação Nacional Automotiva do Chile, e o resultado negativo foi justificado pelo avanço da pandemia da covid-19 no país, que afetou toda a economia.

 

A expectativa da entidade, baseada na opinião de diversos economistas, é a de que a economia global deverá iniciar sua recuperação no segundo semestre. Diante desse cenário a Anac projeta que as vendas de veículos no Chile serão de 265 mil a 290 mil unidades no ano, dependendo da velocidade que a economia nacional se recupere. Sendo assim, no melhor cenário a retração do setor será de 22,2% e, no pior, a queda será de 28,9%.

 

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Europa já deixou de produzir mais de 1,4 milhão de veículos

São Paulo — Desde o início das paralisações nas fábricas até a quinta-feira, 9, a União Europeia deixou de produzir pouco mais de 1,4 milhão de veículos, segundo os cálculos da Acea, entidade que representa dezesseis fabricantes. A perda de produção cresceu 16,6% na comparação com a semana passada, quando a indústria tinha deixado de produzir 1,2 milhão de unidades.

 

Os dados incluem a produção de automóveis, caminhões, vans e ônibus. De acordo com a Acea, esse número poderá continuar aumentando caso as paralisações sejam prolongadas, ou se mais fábricas suspenderem suas atividades. Até agora a entidade não divulgou o impacto nas vendas durante o mês de março.

 

Até 9 de abril o dia-a-dia de trabalho de 1 milhão 138 mil 536 funcionários foi afetado, sendo que na semana passada esse número era de 1 milhão 110 mil 105 funcionários. A entidade ressaltou que esses são apenas os números de empregos diretamente ligados as associadas e que pode ser muito maior se considerada toda a cadeia produtiva.

 

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Jeep promete pagar parcelas do Renegade ou Compass

São Paulo – A Jeep lançou campanha para incentivar as vendas dos seus modelos produzidos em Goiana, PE, Renegade e Compass. Além de taxas de juros de 0,99% ao mês o consumidor que comprar um dos modelos financiado até 5 de maio terá as primeiras parcelas pagas pela companhia.

 

É possível ficar até 2021 sem pagar as parcelas. Para isso o cliente deverá dar 75% do valor de entrada e parcelar o restante em 36 prestações – neste caso a Jeep paga as oito primeiras parcelas. Se optar financiar em 24 parcelas as cinco primeiras serão quitadas e no caso de doze parcelas as três primeiras estarão garantidas.

 

O cliente que der apenas 50% de entrada também tem vantagens: em 36 parcelas a Jeep pagará as quatro primeiras, as três primeiras em 24 vezes e uma parcela em doze prestações. Caso a entrada seja inferior a 50% a Jeep oferece 120 dias de carência para o primeiro pagamento.

 

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Marcopolo retoma a produção no RJ e no RS

São Paulo – A Marcopolo retomará suas atividades industriais, ainda que de forma parcial, na segunda-feira, 13, nas fábricas de Caxias do Sul, RS, e em Xerém, Duque de Caxias, RJ. Em São Mateus, ES, o retorno ainda está indefinido.

 

Em comunicado a empresa diz que adotará “medidas de prevenção e de combate ao novo coronavírus de acordo com recomendações dos órgãos de saúde e governamentais”. As fábricas terão equipe médica de plantão com protocolo completo de triagem, atendimento e encaminhamento de “quaisquer casos suspeitos que possam ser identificados em seu quadro funcional” – capaz de atender, também, de forma remota, trabalhadores em casa e suas famílias.

 

Nas unidades gaúchas retornarão 25% do quadro de colaboradores do período diurno e 25% do noturno, a maior parte nas áreas de produção. Os ônibus que transportam os funcionários operarão com metade da ocupação, com os passageiros mantendo distância mínima, que receberão máscaras de tecido. Em Xerém a ideia é que retorne metade do quadro.

 

Ao chegar ao trabalho as temperaturas dos trabalhadores serão verificadas com medidores infravermelho. Locais foram demarcados para que uma distância, mínima, seja respeitada – e ao EPI foi agregado máscaras de tecido, fornecidas pela empresa.

 

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Fabricantes de implementos projetam recuperação em setembro

São Paulo – A expectativa do mercado de implementos rodoviários é de uma forte retomada dos negócios a partir de setembro, quando o Brasil já estiver livre dos efeitos da covid-19 – pelo menos para Osmar Oliveira e José Carlos Sprícigo, que são os CEOs da 4Truck e da Librelato, respectivamente. Eles acreditam que agora é a hora de fechar novos negócios e perder o mínimo possível nos próximos meses para aproveitar o forte reaquecimento do mercado e da economia a partir de setembro.

 

Sprícigo justificou seu otimismo pelas características da crise, que é conjuntural e não estrutural, e assim o setor e a economia nacional deverão ter forte recuperação logo após o fim da pandemia. Oliveira segue em linha parecida e também aposta em forte retomada da economia e dos negócios na maioria dos setores logo após a crise.

 

“É possível atingir PIB positivo no fim do ano, algo em torno de 1%. Em muitos setores a procura por implementos cresce. Na segunda quinzena de março recebemos volume 50% maior de orçamentos. Queremos aproveitar isso para fechar negócios durante essa crise e manter a fábrica operando”, disse Oliveira, da 4Truck. Já Sprícigo, da Librelato, afirmou que sua equipe comercial também trabalha com esse foco e que está otimista:

 

“Esse segundo semestre será de muitos desafios, mas acho que no terceiro trimestre a recuperação começará. No último o mercado já terá retomado aos volumes parecidos com os que vimos no começo do ano”.

 

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A equipe de vendas da Librelato tenta mostrar aos clientes que este é um bom momento para quem pode investir, pois com as projeções positivas após a crise as empresas colherão os frutos dos investimentos que fizeram durante a pandemia – e também podem aproveitar para negociar condições melhores de prazos e pagamentos.

 

A 4Truck montou o seguinte plano para operar seus negócios nos próximos meses: fechar um volume aceitável de vendas, porque a redução da carteira preocupa, ajudar sua cadeia de fornecimento a seguir operando – até antecipando pagamentos quando for possível – conseguir fluxo de caixa junto aos bancos para ter liquidez durante a crise – o que não está fácil, segundo o CEO – e tomar todas as precauções para que a produção não seja paralisada por causa do coronavírus.

 

Os executivos demonstraram preocupação com os fornecedores, que estão com ritmo de produção menor e, em alguns casos, com as fábricas paradas. O setor precisa deles para conseguir atender às esperadas demandas maiores no segundo semestre. Uma das alternativas sugeridas é que os bancos também atendam a essas empresas, com liberação de crédito e condições que eles consigam pagar quando a crise passar. A tendência de dificuldades nesse período e o crédito ainda não chegou até os demais degraus da cadeia.

 

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Grupo Moura produz máscaras plásticas em Belo Jardim

São Paulo – O Grupo Moura começou a produzir máscaras do tipo proteção facial na sua fábrica de Belo Jardim, PE. Composto de prolipropileno, elástico e PET os equipamentos serão fornecidos para uso por profissionais da saúde que estão na linha de frente do combate à covid-19.

 

Parte das linhas da unidade foi adequada para a produção das máscaras, desenvolvidas pela equipe de engenharia da empresa – em paralelo aos testes do projeto de máscaras de tecido para doação à população do agreste de Pernambuco.

 

De acordo com Reginaldo Agra, engenheiro que lidera o projeto, “reunimos uma equipe de engenheiros e operadores, realizamos todas as pesquisas de disponibilidade de matérias-primas e capacidade de produção e, em duas semanas, iniciamos a produção dos escudos faciais”.

 

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Aethra usa impressoras 3D para fazer máscaras contra a covid-19

São Paulo – A Aethra acionou suas impressoras 3D da área de prototipagem para produzir máscaras que ajudarão profissionais da saúde a atender pacientes com covid-19. Protetores faciais, os equipamentos são feitos nas impressoras e recebem um visor de PETG após a conclusão.

 

Todo o material produzido será doado. Em paralelo a Aethra se esforça para ajudar instituições do Estado de Minas Gerais com outros tipos de doação.

 

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