São Paulo – Mesmo com a projeção de safra recorde e sem o impacto da tragédia que assolou parte do Rio Grande do Sul há um ano, por enchentes, as vendas da trigésima Agrishow, principal palco de lançamentos do setor de agronegócio na América Latina, realizada em Ribeirão Preto, SP, de segunda-feira, 28, até sexta-feira, 2 de maio, deverão ficar abaixo do resultado de 2024. Ao menos no caso da Scania, que projeta redução de 10% no volume comercializado durante o evento.
Um dos principais motivos para isto é a escalada da Selic, atualmente em 14,25% ao ano, conforme o diretor de vendas da Scania Alex Nucci: “O momento é para ser realista”, afirmou, mesmo com lançamento na feira e ao exemplificar que, neste contexto, a parcela de quem financia a compra de um caminhão fica de 25% a 30% mais alta.
“Os juros em alta são inibidores de alguns negócios. O cliente que de fato precisa renovar e que tem um novo contrato comprará. Já o que puder esperar mais quatro, cinco, seis meses para ver como o cenário econômico se desenrolará e se haverá tendência de queda de taxa, esperará.”
Quem mais tem comprado é o varejo, que adquire de um a três caminhões, contou Nucci. O frotista, que demanda altos volumes, de vinte a quarenta carros de uma vez, costuma esperar os movimentos de mercado para buscar a melhor linha de crédito com a menor taxa de juros de prazo médio.
“Então quando os juros começam a cair o frotista obtém um Finame com taxa variável e começa pagando mais caro e termina pagando menos. Como é mais capitalizado, consegue esperar. O varejo, por sua vez, é mais imediato, não tem essa flexibilidade. Porém, por causa das taxas diferenciadas que conseguimos no Scania Banco, ele continua comprando.”
A seu favor tem-se o fato de que a taxa de desemprego segue em baixa e o poder de compra da população em alta. Desta forma o consumo segue aquecido e continuam sendo demandados veículos relacionados às atividades de alimentação e construção civil, por exemplo.
Ano poderá terminar em retração em comparação a 2024
Dados da Anfavea mostraram que durante o primeiro trimestre os emplacamentos de caminhões acima de 16 toneladas aumentaram 2,5% e que, neste mesmo período, os de pesados caíram 7%. O destaque ficou por conta dos semipesados, que cresceram 22%.
“Este segmento avançou porque não é o fim, é o meio. A maioria está ligada ao transporte de hortifrúti, por exemplo, são donos de supermercados e empresários da construção civil”, disse Nucci. “Sendo assim o mercado pode ficar estável este ano ou crescer um pouco frente a 2024, por causa do semipesado. Mas, para a Scania, que tem a maior parte do volume de pesados, o faturamento deverá cair e o ano poderá terminar em retração.”
Scania espera dobrar número de caminhões locados
Este cenário, por outro lado, abre oportunidades para a locação. Até hoje a Scania tem 395 carros locados, sendo que no ano passado foram alugadas trezentas unidades, doze durante a Agrishow.
Para 2025 Nucci projeta quase dobrar este número, conquistando em torno de quinhentos contratos e encerrando o ano com oitocentas a 850 unidades locadas. Mesmo assim o executivo reforça que este não é o negócio principal da montadora e, sim, a venda dos caminhões.
No Brasil o mercado de locação corresponde a 10% do mercado nacional. “A Scania deveria acompanhar o mercado mas, pelo fato de termos a locação como braço financeiro da montadora, queremos escalar as vendas. Como vendemos 20 mil unidades no ano passado por esta lógica deveríamos ter alugado 2 mil caminhões, no entanto, locamos trezentos.”