Audi convoca 22 unidades para recall

São Paulo – A Audi anunciou, na terça-feira, 24, um recall para os modelos Q5 2.0 e SQ5 3.0, produzidos de 20 de março a 19 de abril deste ano, por causa de um possível defeito no freio. O chamado abrange 22 unidades. Segundo a companhia alguns desses veículos podem apresentar falha no revestimento aplicado aos pistões de freio traseiro.

 

A falha pode fazer o curso do pedal de freio aumentar e, com isso, reduzir a frenagem do eixo traseiro, o que coloca em risco os ocupantes.

 

Das 22 unidades são dezenove Q5 e três SQ5 e os proprietários devem entrar em contato com uma concessionária Audi para agendar a vistoria nos componentes. Caso seja necessária a troca o serviço demora em torno de uma hora e será gratuito.

Linha Ka 2019 ganha câmbio automático e novo motor

Gramado, RS –  Terceiro modelo mais vendido no mercado brasileiro no primeiro semestre – 48,2 mil unidades, quando somadas as carrocerias hatch e sedã – o Ford Ka completa 21 anos de existência com novidades buscadas nas prateleiras de cima do portfólio da marca. Destas chama mais a atenção a opção de câmbio automático em toda a gama com motor 1.5, este agora herdado do EcoSport, com seus três cilindros.

 

O objetivo da Ford é claro: embora não fale em números quer buscar consumidores que, hoje, optam pelo Chevrolet Onix e pelo Hyundai HB20, os dois líderes de mercado que já oferecem a transmissão automática. Especialmente na versão sedã, como contou a gerente de produto Adriana Carradori: “Em torno de 70% do nosso mix é da carroceria hatch, com o restante sedã. Ao oferecer a opção do câmbio automático esperamos aumentar essa porcentagem dos sedãs”.

 

Importada do México a transmissão 6F15 fazia parte da linha Ka desde o lançamento da versão Freestyle, chamado pela marca de CUV, por juntar atributos de um SUV a um modelo compacto. Agora o câmbio equipará também o carro de entrada da Ford, embora, neste momento, apenas combinado ao motor 1.5. O 1,5 litro Sigma deu lugar ao Ti-VCT de três cilindros, que alcança 136 cavalos com etanol. Assim como a transmissão o motor é usado também no EcoSport, que cede também ao Ka o sistema multimídia Sync 3 e até o sistema de partida sem chave, disponível na versão Titanium, topo de linha.

 

O compacto foi reforçado em sua estrutura, que ganhou ligas especiais de aço. Durante a apresentação à imprensa na terça-feira, 24, em Gramado, RS, a Ford deixou claro seu objetivo com a medida: melhorar a nota no Latin NCap, que em outubro passado deu zero estrela exatamente para o Ka.

 

Com o reposicionamento de portfólio, acréscimo de equipamentos e melhorias estruturais a versão de entrada, hatch S 1.0 com câmbio manual, ficou R$ 710 mais cara, conforme antecipou a Agência AutoData. Agora parte de R$ 45 mil 490 na cor vermelha – se o cliente quiser outra cor, incluindo a branca, terá que desembolsar no mínimo R$ 500 a mais.

 

Para ter a transmissão automática o cliente deverá escolher a versão 1.5 SE, por R$ 56 mil 490. Os preços dos sedãs variam de R$ 49 mil 490 a R$ 70 mil 990, na Titanium.

 

A Ford não revela sua expectativa de crescimento no volume de licenciamentos com a linha 2019, tampouco o mix de suas versões, S, SE, SE Plus, SEL, Freestyle e Titanium. Mas dá uma dica: quer, ao menos, acompanhar o desempenho da concorrência em ambos os casos.

 

Foto: Divulgação.

Aos vinte, Volare prepara novidades e espera recorde

São Paulo – A Volare prepara uma série de ações ao longo deste 2018, quando comemora vinte anos do início de suas operações no Brasil. No período, segundo seu diretor de negócios, João Paulo Ledur, foram produzidos 65 mil micro-ônibus nas fábricas de Caxias do Sul, SC, e São Mateus, ES.

 

“Fizemos um cronograma de atividades ao longo do ano com planos de realizar uma ação por mês, sendo que algumas já foram feitas. A próxima será na Lat.Bus&Transpúblico [feira que ocorre de 31 de julho a 2 de agosto em São Paulo], onde apresentaremos diversas novidades para o segmento e também mostraremos pela primeira vez a nova identidade visual da companhia”.

 

Segundo Ledur, todos os lançamentos programados para o segundo semestre serão apresentados no estande da empresa, que compartilhará espaço com a Marcopolo e a Neobus.

 

As comemorações começaram no primeiro semestre, quando as duas fábricas receberam uma exposição que contava um pouco da história da Volare para seus funcionários. A empresa preparou também um vídeo com um cliente peruano, onde a história e o posicionamento da companhia são destaque. Por fim, foi lançado o Volare Game, jogo de perguntas e respostas online que premia todo mês o desempenho do melhor participante, e um jogo de cartas, no estilo do tradicional Super Trunfo, apresentando os modelos que marcaram os vinte anos de história da empresa.

 

Ainda no ritmo da celebração dos seus vinte anos, a Volare espera alcançar importante marco com as exportações: a expectativa é fechar 2018 com o melhor resultado da história e vender 530 unidades para outros países – o recorde atual é de 430 unidades embarcadas. Na comparação com o ano passado, a alta esperada para este ano é de 40%. Somente no primeiro semestre, a empresa exportou 232 unidades.

 

“Esse recorde não será alcançado apenas pela desvalorização do real que beneficia as exportações, mas principalmente por causa do trabalho de expansão que fizemos fora do Brasil para conquistar novos mercados, como África do Sul, Nigéria, Dubai e Catar”, disse o diretor.

 

Os principais mercados da companhia são o Chile, que corresponde por 55% dos embarques, Costa Rica, México e Uruguai.

 

Com relação ao mercado doméstico de micro-ônibus, a Volare espera crescimento de 20%, após ter crescido 20% no ano passado. Ledur pondera, no entanto, que a crise afetou demais o volume comercializado pelo mercado nos últimos anos.

 

“Mesmo com crescimento de 20% alcançado no ano passado e projetado para esse ano, a base de comparação é muito baixa, pois o mercado encolheu muito por causa da crise”.

 

A projeção da empresa para suas vendas no começo do ano era de alta de 20%, acompanhando o mercado, porém, no primeiro semestre, registrou expansão de 33%. Com isso, a expectativa para o segundo semestre mudou um pouco: “Queremos manter essa alta acumulada de janeiro a junho até o fim do ano, mas, caso não seja possível, nossa projeção mais pessimista segue sendo a de vender 20% a mais”.

 

Foto: Divulgação.

Marchionne deixa FCA e Manley assume como CEO

São Paulo – Sergio Marchionne foi substituído como presidente executivo da FCA no sábado, 21, pelo chefe da divisão Jeep, Mike Manley, após a saúde do executivo se deteriorar acentuadamente durante a recuperação de uma cirurgia. Manley, que também é responsável pela região da América do Norte, implementará uma estratégia delineada por Marchionne no mês passado para garantir que a empresa tenha um “futuro forte e independente”, informou a FCA em comunicado.

 

Marchionne, de 66 anos, foi o executivo responsável por resgatar Fiat e Chrysler da falência após assumir a direção da Fiat em 2004. Ele deveria deixar o grupo em abril mas sua súbita crise de saúde forçou a FCA a acelerar a mudança:

 

“A FCA comunica com profundo pesar que durante o curso desta semana surgiram complicações inesperadas enquanto Marchionne estava se recuperando de uma cirurgia e que estas pioraram significativamente nas últimas horas”.

 

Marchionne havia passado por uma cirurgia no ombro e estava em recuperação, mas depois sua situação piorou e sua condição médica foi apontada como irreversível na segunda-feira, 23.

 

Isso também motivou planos de sucessão na fabricante de carros esportivos Ferrari e na fabricante de caminhões e tratores CNH Industrial, desmembrada da FCA nos últimos anos. Juntamente com a FCA as empresas são controladas pela família Agnelli.

 

A Ferrari, na qual Marchionne era o presidente executivo e do conselho de administração, nomeou John Elkann como novo presidente do conselho. Elkann é presidente do conselho da FCA. Louis Camilleri, que integra o conselho, foi nomeado presidente executivo da Ferrari.

 

Marchionne havia dito anteriormente que planejava permanecer como presidente do conselho e CEO da Ferrari até 2021. A CNH Industrial, que ele também presidia, nomeou Suzanna Heywood como sua sucessora.

 

Foto: Divulgação.

Marcopolo exporta catorze ônibus para Bolívia

São Paulo – A Marcopolo vendeu, para a Linea Sindical Trans Azul, operadora de transporte rodoviário da Bolívia, catorze unidades do ônibus Paradiso 1800 Double Decker: é a maior venda da história para um cliente boliviano e os ônibus já operam.

 

O negócio foi o primeiro fechado pelas empresas, “e a escolha do ônibus da Marcopolo foi motivada pelo conforto, ergonomia e segurança que o modelo oferece em viagens de médias e longas distâncias”, segundo comunicado divulgado pela companhia na segunda-feira, 23.

 

André Vidal Armaganijan, diretor de estratégia e negócios internacionais da Marcopolo, disse que a negociação foi muito importante, uma vez que é a maior com um cliente boliviano no segmento de ônibus: “Estamos intensificando a nossa presença na América do Sul e países como a Bolívia têm investido mais na modernização de suas frotas e em modelos cada vez mais sofisticados”.

 

Fotos: Divulgação/Douglas de Souza Melo.

Zen revisa para cima sua meta de crescimento

Brusque, SC – A Zen revisou para cima suas projeções de crescimento de receita para 2018, de 20%, anunciados no fim do ano passado, para 25%. Mais pedidos por autopeças do mercado externo e valorização do dólar foram os fatores considerados no novo planejamento da companhia.

 

Apesar do cenário positivo construído com base nos dois fatores, no entanto, o caminho não é de todo visto como favorável pelo pessoal da Zen, e a possibilidade de crescimento é tido como algo a ser comemorado. Gilberto Heinzelmann, seu presidente, contou que há outras questões que incidem sobre a operação da Zen que jogaram contra a projeção positiva, como é o caso do preço do aço, a crise no mercado argentino e o acesso ao crédito:

 

“A indústria se depara com alta de preços quando há entraves no Exterior, como acontece agora com China e Estados Unidos. As usinas que operam no País reajustam para cima a tabela de preços e ficamos sem ter muitas alternativas. E isso encarece a operação”.

 

Nesse sentido a Zen, de acordo com o executivo, tratou de desenvolver fornecedores da matéria-prima em outros países de forma a se proteger de eventuais altas do valor do seu principal insumo: “Temos estudos que mostram onde podemos obter o material por um preço mais competitivo aqui na região. E também não descartamos comprar aço chinês”.

 

No caso da queda observada nas exportações para a Argentina, a empresa intensificou a busca por novos mercados e ampliação da oferta de produtos. Nos Estados Unidos, seu principal mercado tanto no OEM quanto na reposição, o planejamento traçado consiste em concentrar os esforços comerciais nas polias de roda livre, produto com oportunidades promissoras nos veículos que possuem sistema start-stop:

 

“É a nossa aposta, sobretudo nos Estados Unidos. Vemos hoje uma corrida pelos veículos elétricos, o que faz sentido em alguns mercados. Em outros, como é o caso na América do Norte, a eficiência energética será tornada viável por uma combinação de fatores, e o start-stop é uma das soluções”.

 

As exportações são a base da operação histórica da Zen. Caso se confirme a massificação do sistema start-stop, e o aumento da produção de polias na fábrica de Brusque, SC, haverá, segundo o executivo, incremento importante no faturamento, o qual, hoje, tem como origem os negócios que envolvem outro produto: os impulsores de motor de partida.

 

No ano passado esses componentes representaram 64% do faturamento consolidado, e as polias de roda livre 14%: “É um produto que tem maior valor agregado e, por causa disso, é tido por nós como um elemento estratégico. Há em curso negociações com montadoras instalada aqui envolvendo o componente”.

 

Heinzelmann evitou citar as fabricantes envolvidas nas negociações.

 

Foto: Divulgação.

Tesla pede devolução de parte do valor gasto com fornecedores

São Paulo – A californiana Tesla enviou um memorando para alguns de seus fornecedores pedindo que eles devolvam parte do dinheiro recebido para saldar peças e componentes adquiridos pela montadora desde 2016. Segundo informou o The Wall Street Journal, que teve acesso ao comunicado, a justificativa é que a empresa precisa garantir a continuidade de suas operações, para que ela e seus parceiros cresçam no longo prazo.

 

Representantes da empresa procurados pela imprensa internacional não quiseram comentar o conteúdo do comunicado enviado aos fornecedores, mas confirmaram que buscam reduzir o preço de componentes em alguns projetos. Segundo a empresa, a medida é normal em processos de negociação e visa melhorar a competitividade neste momento, em que aumenta a produção do Model 3, ação considerada essencial para gerar caixa.

 

A decisão da Tesla em pedir o ressarcimento de parte do valor gasto com fornecedores gerou mais dúvidas sobre a situação financeira da companhia. No primeiro trimestre do ano a montadora registrou um prejuízo de US$ 710 milhões, o quinto consecutivo com perdas.

Marchionne planejou tudo. Menos o sonho de Manuela.

O choque inicial começou no sábado, 21 de julho, pela manhã, com a notícia de uma convocação extraordinária dos integrantes dos boards da FCA, CNH e Ferrari para reunião em Lingotto, Turim, Itália. Motivo: o capo Sergio Marchionne tivera uma piora no seu estado de saúde em hospital de Zurique, Suíça, com o conselho dos médicos dizendo que ele não retornaria mais ao trabalho por estar em situação clínica irreversível.

 

Naquele momento John Philip Jacob Elkann, o neto de Gianni Agnelli – responsável pela expansão do grupo italiano –, iniciava o texto da carta mais triste e difícil de escrever de sua vida, que seria distribuída a todos os funcionários das empresas em todo o mundo e também para a imprensa. Nela Elkaan fala de sua dor pelo angustiante afastamento do mentor e amigo dos últimos catorze anos.

 

Afinal foi Marchionne quem assumiu uma combalida Fiat – as manchetes da época anunciavam sua iminente quebra financeira – com receita de 47 bilhões de euro em 2004, para transformá-la no gigantesco Grupo FCA com receita de 141 bilhões de euro no ano passado. Mais importante: a capitalização do grupo, quando ele assumiu, era de 5,5 bilhões de euro e, no ano passado, atingiu mais de 60 bilhões.

 

O irrequieto ítalo-canadense, nascido em Chieti em 17 de junho de 1952, foi educado no Canadá e nos Estados Unidos e sempre teve enorme fascinação pela indústria e mercado automotivo estadunidenses. Tornou-se um especialista no entendimento do comportamento do mercado de ações. E foi com este conhecimento que começou uma das mais fantásticas recuperações de imagem e valor de uma grande companhia mundial. O suficiente para merecer prêmio da centenária publicação Automotive News em solenidade realizada em Viena, Áustria. Ao receber a distinção fez um discurso extremamente filosófico sobre o pavor que a sociedade tem com tudo aquilo que é considerado velho — “Eles querem matar os dinossauros”.

 

E mostrava as manchetes das principais publicações mundiais – a própria Automotive News, Financial Times, The Wall Street Journal – especializadas tanto em economia como no setor automotivo, que demonstravam a inviabilidade da sobrevivência do grupo italiano naquela época.

 

“A imprensa merece este prêmio pois, com as manchetes, derrubaram com enorme força as cotações da empresa. E quando iniciamos o trabalho com a capitalização do grupo, venda de negócios dos acionistas, exposições aos principais negociadores do mercado, seguradoras, bancos e formadores de opinião, mostramos que a Fiat tinha uma série de produtos em lançamento, que era sólida e que tinha futuro.”

 

Naquele momento Marchionne mostrava o seu feitio e preparava a opinião pública para uma renascida Fiat. E o primeiro grande ato foi mostrar a criatividade e a capacidade industriais do gigante italiano no lançamento do novo 500. Fugiu do convencional com uma série de shows, ações e exposições que mostravam não só um novo carro, mas uma nova Itália em mais um renascimento industrial e cultural. Eram caravanas de antigos 500 chegando de vários países do mundo, o espetáculo – lembrava uma ópera montada sobre as águas do rio Pó – onde a história do próprio país era contada por meio de cenas de seus principais filmes. E tudo termina, lógico, com uma incrível queima de fogos de artifício.

 

A cidade estava engalanada para o evento, com todas as lojas expondo peças e partes do novo veículo. Marchionne só apareceu realmente na apresentação do veículo quando subiu ao palco com várias crianças que faziam honestas perguntas sobre alguns fatos fortes do setor automotivo: segurança, poluição. Naquele momento mostrava mais algumas facetas: doçura, afetividade, o gosto pelo teatro.

 

A sequência de suas ações empresariais e pessoais assustava a concorrência e muitas vezes a sua própria equipe: fumava muito, vivia no avião, tomava doses cavalares de café expresso, dormia muito pouco. Amava um bom jogo de cartas. Odiava trajes sociais. Gravatas então eram dispensáveis. Cashmeres nas cores preta, cinza e azul marinho eram o seu uniforme.

 

Quando avisava que vinha visitar uma filial gerava pânico. Tanto pelo trabalho que começaria muito cedo, sem pausas, pois comia alguma coisa durante a própria reunião, bem como pela impossibilidade de erro. Se em uma apresentação o executivo não soubesse resposta para uma pergunta ele apenas dizia: “Next”. Era a ordem para entrar outra apresentação, de outra área. E estas reuniões de staff aconteciam no avião, nos hotéis, nas fábricas. No Brasil, nos Estados Unidos, na China, em Londres, em Turim, onde ele estivesse. E quando terminava a reunião poderia embarcar de imediato.

 

A relação com os diretores também era extremada. Atendia ou ligava com muita afeição – perguntava dos familiares, pelo nome – quando tudo estava bem. Caso contrário não atendia sequer a ligação. 

 

Mas tinha alguns amigos de fé a quem delegava tarefas de confiança, como preparar a compra da Chrysler ou acertar as relações com os sócios chineses. E vivia sempre em busca de novos negócios. Ou de venda – negociou com a Volkswagen várias vezes a venda de algumas marcas – ou de associação: tentou PSA, General Motors, alguns grandes asiáticos. Mas ninguém jamais entendia exatamente o objetivo final, pois ele sempre deixava todos atônitos.

 

Aceitava desafios. No lançamento do Punto, em Buenos Aires, Argentina, prometeu em entrevista que se os planos apresentados por Cledorvino Belini, então o chefe das operações na região, dessem certo, ele aprenderia português. Tudo deu certo. Até melhor que o apostado. Mas ele não aprendeu o português. Talvez porque falasse vários idiomas e acreditasse que o inglês fosse a chave da comunicação.

 

E mesmo quando tomava decisões surpreendentes deixava uma lição aos interlocutores. Certa vez um projeto muito importante para a filial brasileira foi apresentado. Marchionne negou, mas deu algumas sugestões. Elas foram incorporadas — e novamente o não foi a resposta.

 

Em visita a Betim, MG, recebeu pedido especial de um dos diretores: visitar a área de design. Ele concordou, mas desconfiado. Ao chegar lá o tecido que recobre um veículo é retirado. Ele mostra-se surpreso, dá várias voltas, acende vários cigarros e, ao término, diz: “Este é o 226? Está aprovado. Mas tenho de deixar claro que isto não pode mais acontecer. Um CEO tem de decidir com o projeto no papel, com os cálculos de investimentos, de retorno. Não pode decidir pela emoção. Pela beleza. Não aprovo mais nada assim”.

 

Surgia, naquele momento, a picape Toro, que inovou em design, em plataforma, inaugurou um segmento.

 

A compra da Chrysler foi daqueles atos que só um profundo conhecedor de finanças poderia ter feito. Fechou o negócio e depois correu atrás dos recursos necessários para pagar. E com tal atitude mudou o perfil do Grupo Fiat. Tornou a empresa americana a responsável por gerar a maior parte das receitas, principalmente pelo relançamento das marcas Jeep e RAM.

 

Colocou a Ferrari na Bolsa de Valores de Nova York, investiu na transformação da Maseratti em uma nova grande marca, deu um novo alento para a Alfa Romeo com a Giulia. Apostou forte no segmento de SUVs de alta gama, fez inúmeros movimentos de marketing em diferentes mercados do mundo. E criou os famosos planos quinquenais para apresentar para a imprensa e para os especialistas de mercado. O último foi em 1 de junho, com todas as projeções de cada marca até 2022.

 

Mas o fez já com o aviso de sua retirada no ano que vem. Ele queria viver o sonho de ter mais tempo para sua mulher, Manuela Battezzato, a quem ele se referia como sua grande fortuna. Por ora, a vida não aceitou o planejamento.

 

Nota da redação: Artigo gentilmente oferecido à AutoData por Fred Carvalho, Diretor de Assuntos Institucionais da Anfavea

Vendas da Jaguar Land Rover crescem 21% no semestre

São Paulo – As vendas da Jaguar Land Rover no mercado brasileiro cresceram 21% no primeiro semestre ante o mesmo período do ano passado, somando 4 mil 356 unidades, informou a empresa em comunicado divulgado na segunda-feira, 23.

 

Considerando apenas Land Rover, foram vendidas 3 mil 770 unidades no período, alta de 30% na mesma base de comparação. A empresa creditou a alta aos modelos Discovery e Velar, que juntos somam mais de oitocentas unidades vendidas. Com esse resultado a Land Rover segue como líder do segmento de SUVs premium. A Jaguar vendeu 586 automóveis no semestre, número impulsionado pelas vendas do SUV compacto E-PACE.

 

No mundo a companhia vendeu 318 mil 219 unidades no primeiro semestre, alta de 0,4% com relação ao mesmo período do ano passado, sendo que 224 mil 164 vendas foram Land Rover e 94 mil 55 unidades Jaguar.

Salão de Detroit terá nova dinâmica a partir de 2020

São Paulo – Mais conhecido pelo público brasileiro como Salão do Automóvel de Detroit, o Naias, North American International Auto Show, ocorrerá, a partir de 2020, em junho, no começo do verão do Hemisfério Norte. A organização do evento informou, via comunicado, a nova dinâmica do evento, que tradicionalmente ocorre nos primeiros dias do ano, em janeiro, sobre uma Detroit coberta de neve.

 

Para a organização, financeiramente a alteração será positiva, pois dará mais tempo para as empresas se prepararem e escapa das paradas que ocorrem no natal e reveillón, que acabam afetando as montagens dos estandes. Outro ponto positivo é a distância da CES, Consumer Eletronic Show, feira de tecnologia realizada em janeiro em Las Vegas, que vem, a cada ano, ganhando mais relevância nas estratégias das montadoras.

 

Sem as temperaturas negativas de janeiro, o público ganha novas atrações, especialmente na área externa do Cobo Hall, onde poderão ser feitas demonstrações de desempenho dos modelos, experiencias com veículos autônomos, pistas off-road para test drive, dentre outros atrativos beneficiados pelas temperaturas do verão.

 

Doug North, presidente da organização do Naias, afirmou que a intenção com a nova data é criar um evento melhor tanto para os visitantes quanto passa as empresas participantes.

 

Fotos: Divulgação.