Caminhões: pesados sustentam crescimento.

São Paulo – As vendas de caminhões no primeiro semestre chegaram a 32 mil 25 unidades, crescimento de 49,3% ante idêntico semestre de 2017, sustentado, principalmente, pelo desempenho das vendas no segmento de pesados. De janeiro a junho representaram metade das vendas de caminhões no País – foram 14 mil 189 unidades, crescimento de 87,4% ante o volume vendido no mesmo semestre do ano passado.

 

As vendas de veículos da categoria, inclusive, concentram a expectativa da indústria de vender mais caminhões este ano na esteira das demandas do agronegócio.

 

Na categoria a Mercedes-Benz foi a empresa que mais vendeu no semestre: 4 mil 99 unidades, 88,2% a mais do que o volume vendido pela empresa durante o ano passado. A Volvo foi a segundo empresa que mais vendeu pesados no período, 3 mil 857, alta de 88,2% no mesmo padrão de comparação. A Scania vem logo atrás, na terceira posição: vendeu 3 mil 595 unidades, crescimento parecido com o das demais companhias, 88%.

 

Nas demais categorias foram vendidas, no semestre, 7 mil 368 unidades de semipesados, alta de 33,5% na comparação com volume vendido no primeiro semestre do ano passado. Os médios foram 2 mil 986 mil, em alta de 66,35% na mesma comparação, e os leves foram 5 mil 667 unidades, alta de 13%. Os semileves somaram 1 mil 815 unidades no período.

 

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Argentina, México e caminhoneiros mexem nas projeções

São Paulo – A Anfavea anunciou na sexta-feira, 6, durante a divulgação do seu resultado mensal, revisão em suas projeções para o ano. E nenhum dos principais índices apontou para melhora – ao contrário. O maior motivador de uma revisão para baixo foram as exportações, devido à redução de pedidos da Argentina e do México. No começo do ano a projeção da entidade era de embarque de 800 mil veículos no ano, o que representaria alta de 4,5% ante o recorde de 766 mil unidades exportadas em 2017. Agora a Anfavea presume que o ano terminará apenas em empate com o ano passado.

 

Se confirmado, para o presidente Antonio Megale, “não será um resultado desprezível, pois igualará o recorde, ainda que o volume infelizmente fique abaixo do que esperávamos em janeiro”.

 

A crise na Argentina é sem dúvida o tema de maior relevância dentro desta redução dos números projetados para as exportações – em volume são 34 mil unidades a menos. Mas, para Megale, “as medidas tomadas pelo governo argentino deverão surtir efeito, retomando o crescimento”.

 

Dividindo os segmentos, antes a projeção apontava para alta de 4% nos embarques de leves, para 758 mil, e de 13% nos pesados, para 42,2 mil. Agora todos os números apontam completa estabilidade ante 2017, ou seja, 729 mil leves e 37,3 mil pesados.

 

Devido à elevação do dólar a projeção para as exportações em valores permaneceu inalterada, ou seja, US$ 16,7 bilhões, alta de 5,4% ante o resultado de 2017.

 

A redução de 34 mil unidades nas exportações bateu direto na projeção de produção para 2018: foi reduzida de 3 milhões 55 mil, ou 13,2% de alta, para 3 milhões 21 mil, o que representaria 11,9% de crescimento. Por segmento: nos leves estimava-se 2 milhões 935 mil, 13% de elevação, e agora calcula-se 2 milhões 906 mil, 12% além, enquanto nos pesados os números apontavam 120,3 mil, 16% acima, e agora indicam 115,4 mil, crescimento mais modesto de 11,3%.

 

Os números aguardados para o mercado interno foram mantidos: vendas em 2018 de 2 milhões 502 mil, 11,7% melhor do que as 2 milhões 240 mil de 2017, mas isso não significa uma boa notícia: ocorre que, inicialmente, a Anfavea revisaria para cima a projeção para o mercado interno, mas dadas as consequências da paralisação dos caminhoneiros decidiu optar pela prudência.

 

Megale reconheceu que antes do movimento grevista as próprias associadas pressionavam por atualização do índice previsto para os licenciamentos, que até o acumulado de maio indicava elevação de 17% – 13,6% até junho. Mas depois da paralisação as fabricantes começaram a ver um cenário um pouco menos animador: “Além disso no segundo semestre o avanço seria naturalmente um pouco menor, porque o mercado já mostrava reação nesta época do ano passado”.

 

Assim os novos cálculos da Anfavea indicariam um reajuste muito modesto, para algo como 11,9%, e devido a esta diferença ínfima a associação optou por manter os números estimados em janeiro.

 

Por segmentos, desta forma, também segue tudo igual: a Anfavea acredita em 2 milhões 422 mil leves licenciados este ano, aumento de 11,3%, e 79,5 mil pesados, alta de 24,7%.

 

Foto: Marcelo Pinto/APlateia

Média diária de vendas fica abaixo de 10 mil unidades

São Paulo – A média diária de vendas, em junho, foi de 9 mil 618 unidades, e o total de emplacamentos chegou a 201 mil 982, alta de 3,6% na comparação com o mesmo período do ano passado e estabilidade na comparação com maio, de acordo com dados divulgados pela Anfavea na sexta-feira, 6. Segundo o presidente Antonio Megale a expectatitva era a de que o resultado do mês fosse melhor:

 

“Esperávamos mais, porém a greve dos caminhoneiros atrasou produção e entregas. Junte a isso a Copa do Mundo e a queda na confiança do consumidor, que também afetaram as vendas. Mas a nossa expectativa é a de um bom crescimento em julho e agosto, que terão mais dias úteis e, históricamente, são meses de vendas aquecidas”.

 

No ano foram vendidos 1 milhão 166 mil 954 veículos, contra 1 milhão 19 mil 445 no primeiro semestre do ano passado, expansão de 14,4%. O volume foi considerado bom pelo presidente da entidade.

 

A General Motors segue como líder de vendas, com 28 mil 244 automóveis vendidos em junho, queda de 0,2% na compação com o mês passado e de 3,1% ante igual período do ano passado. A Volkswagen, em segundo, vendeu 23 mil 697 unidades, queda de 1% com relação ao mês passado e alta de 31,% na comparação com o mesmo mês do ano passado. A Fiat, terceira do ranking, vendeu 15 mil 74 unidades, alta de 1,4% na comparação com maio e queda de 12,5 contra o mesmo mês do ano passado.

 

No caso das vendas de veículos comerciais leves a GM vendeu 4 mil 181 unidades, alta de 4,9% na comparação com maio e queda de 6,2% contra o mesmo mês do ano passado, a VW vendeu 5 mil 225 comerciais leves, queda de 7,9% com relação a maio e alta de 6,8% ante igual período do ano passado, e a Fiat vendeu 12 mil 356 unidades, alta de 4,4% na comparação com maio e de 15% ante igual período do ano passado.

 

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Máquinas: retomada virá no segundo semestre.

São Paulo – As vendas de máquinas agrícolas e rodoviárias somaram 4 mil 919 unidades em junho, expansão de 28% na comparação com o mesmo período do ano passado e de 49,8% na comparação com maio, que foi afetado pela greve dos caminhoneiros, de acordo com dados divulgados pela Anfavea na sexta-feira, 6.

 

No acumulado do ano as vendas somaram 19 mil 865 unidades, contra 20 mil 324 em igual período do ano passado, queda de 2,3%. Mas, de acordo com o presidente Antonio Megale, a situação mudará no segundo semestre:

 

“No primeiro semestre foi possível reduzir as perdas mês a mês e, partir de julho, começaremos a registrar crescimento nas vendas de máquinas e, com isso, nossa projeção para o ano é de alta de 7%, chegando a 45,5 mil unidades”.

 

Em janeiro a expectativa da entidade era a de que as vendas não passariam de 44 mil unidades, crescendo 3,7%.

 

A produção de junho foi de 5 mil 579 unidades, alta de 7,7% ante igual período do ano passado e de 21,6% na comparação com o mês anterior. No ano foram produzidas 27 mil 834 máquinas, queda de 2,4% contra o mesmo período do ano passado — mas a expectativa é a de que comece a crescer a partir de julho, acompanhando as vendas: a nova projeção da Anfavea é de crescimento de 14%, chegando a 60,4 mil unidades fabricadas, contra 59,4 mil.

 

As exportações de junho somaram 1 mil 78 máquinas, expansão de 2,5% na comparação com o mês passado e queda de 28,8% na comparação com o mesmo mês do ano passado. No ano foram 6 mil 124 embarques, alta de 2,1%. A projeção revisada da Anfavea é de aumento de 7%, chegando a 15 mil unidades, sendo que os principais destinos são a Argentina, no caso das máquinas agrícolas, e os Estados Unidos no caso das máquinas rodoviárias.

 

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Fábricas produzem mais mirando agosto

São Paulo – As empresas fabricantes de veículos instaladas no Brasil chegaram ao fim do primeiro semestre com desempenho positivo de volume de produção, mostrou balanço divulgado pela Anfavea na sexta-feira, 6. As linhas de montagem produziram 1 milhão 434 mil 506 unidades, o que representa crescimento de 13,6% na comparação com idêntico semestre do ano passado. Em junho foram produzidas 256,3 mil unidades, alta de 21% ante junho do ano passado e 20,7% a mais do que em maio.

 

A evolução do volume de maio a junho mostrou que as empresas mantiveram o ritmo de produção mesmo com a alta do dólar e a consequente diminuição das exportações aos principais parceiros na região latina, Argentina e México.

 

Antonio Megale, presidente da Anfavea, disse que empresas tomaram medidas visando à aceleração da produção para compensar as perdas causadas pela greve dos caminhoneiros. Ele afirmou, ainda, que historicamente a indústria exerce ritmo maior de produção no fim do primeiro semestre como forma de atender às demandas de julho e agosto, meses em que se vende mais carros no País.

 

Do total de unidades produzidas até junho 1 milhão 369 mil 506 unidades foram automóveis e comerciais leves, o que representa alta de 12,6% na comparação com o mesmo semestre de 2017. A indústria produziu 49 mil 587 caminhões, 37,7% a mais na comparação com o volume de pesados fabricados no primeiro semestre do ano passado. Os ônibus corresponderam a 14 mil 933 unidades até junho, 49,7% a mais do que no primeiro semestre de 2017.

 

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Exportações perdem fôlego com menor demanda de parceiros

São Paulo – As exportações de veículos, em junho, chegaram a 64 mil 910 unidades, alta de 6,8% na comparação com maio e retração de 4,4% diante do mesmo mês do ano passado, de acordo com números divulgados pela Anfavea na sexta-feira, 6. No acumulado do ano foram exportados 379 mil veículos, alta de 0,5% ante igual período de 2017.

 

Segundo o presidente Antonio Megale a queda em junho, na comparação junho de 2017, foi causada por dois fatores principais, que também afetarão os pedidos nos próximos meses: “Os problemas econômicos da Argentina e do México, nossos dois principais mercado de exportação, já começam a refletir no volume de embarques, pois os países estão revendo os pedidos que tinham programado para o segundo semestre”.

 

Em valores as exportações no acumulado do ano chegaram a US$ 8 bilhões 642 milhões 582 mil, alta de 16,7% ante igual período do ano passado — o valor sofreu os efeitos da valorização do dólar.

 

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Nem tudo do Rota 2030 é obrigatório

São Paulo – Montadoras e importadoras que desejam produzir ou vender carros no mercado brasileiro precisarão se habilitar ao Rota 2030. O mecanismo é parecido com o do Inovar Auto, mas nem todas são obrigadas a promover pesquisa e desenvolvimento no Brasil.

 

Aqueles que se habilitarem ao programa precisarão cumprir os requisitos obrigatórios estabelecidos pelo governo. São, basicamente, metas de eficiência energética e segurança veicular – quem superar esses objetivos, será beneficiado com redução de IPI nos veículos comercializados.

 

O texto final será publicado na edição de sexta-feira, 6, do Diário Oficial da União, mas a Anfavea adiantou, em nota, algumas das medidas. No caso da eficiência energética, todas as empresas serão obrigadas a aderir ao Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular e a manter as metas alcançadas pelo Inovar-Auto, além de elevar em 11% a eficiência energética dos veículos até 2022.

 

Em segurança, o Contran estabelecerá resoluções de exigências de equipamentos de série, como foi feito com o ABS e o airbag no passado. Os pormenores, porém, ainda não foram definidos – mas o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, MDIC, publicou, em nota, que as tecnologias assistivas à direção deverão ser incorporadas aos veículos até 2027.

 

O ministério avisou que o descumprimento desses requisitos poderá cancelar a habilitação, inclusive com efeitos retroativos, suspensão da habilitação ou multa de até 2% no faturamento apurado um mês antes da prática da infração.

 

A questão dos benefícios é mais clara nas regras de pesquisa e desenvolvimento, que são opcionais. Nem toda a empresa habilitada ao Rota 2030 precisará aplicar em P&D.

 

Segundo a Anfavea, parte do investimento em P&D poderá gerar um desconto no IRPF, Imposto de Renda Pessoa Jurídica, e CSLL, Contribuição Social sobre Lucro Líquido, que as montadoras e fornecedores de autopeças e sistemas pagam ao governo. Segundo o MDIC, o crédito será de até R$ 1,5 bilhão – mas, para chegar a esse valor, o setor precisará aportar ao menos R$ 5 bilhões por ano.

 

Há investimentos considerados estratégicos e que poderão gerar desconto adicional a esses tributos. Segundo a Anfavea, são Indústria 4.0 conectividade, novas tecnologias de propulsão, autonomia veicular e suas autopeças, nanotecnologia, pesquisadores exclusivos, big data, sistemas de análise e preditivos (data analytics) e inteligência artificial, dentre outros.

 

O Rota 2030 traz também uma terceira medida, voltada especificamente ao setor de autopeças. As empresas que importarem peças sem produção equivalente no País terão a alíquota do ex-tarifário, hoje em 2%, reduzida a zero. Com isso, deixa-se de punir as importações de peças que não são produzidas pela indústria brasileira e dá um fôlego maior na luta contra o custo do setor.

 

Mas há uma contrapartida: essas empresas deverão investir em P&D esses 2% dos ex-tarifário por meio de parcerias com instituições de ciência e tecnologia, universidades, organizações independentes, dentre outras.

 

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Tabela definirá alíquotas de IPI para híbridos e elétricos

São Paulo – Na esteira das Medidas Provisórias que compõem o Rota 2030, assinadas pelo governo na quinta-feira, 5, foi firmado também decreto que estabelece menores alíquotas de IPI, o Imposto Sobre Produtos Industrializados, para veículos híbridos e elétricos.

 

De acordo com Antônio Megale, presidente da Anfavea, o decreto estipula a criação de uma tabela que indicará o IPI para os modelos da categoria levando em consideração peso do veículo e a eficiência energética de sua motorização:

 

“Dependendo da combinação das duas variáveis, haverá alíquotas específicas que podem variar de 7% a 20%”. O representante da associação, no entanto, não teve acesso ao conteúdo da tabela de IPI presente no documento. A alíquota, atualmente, é de 25%.

 

Outra fonte ligada ao setor confirmou à AutoData que as fabricantes ainda não puderam verificar a tabela e os valores de alíquotas estabelecidos pelo decreto.

 

O documento assinado pelo presidente e representantes da indústria na quinta-feira entra em vigência a partir do momento em que for publicado no Diário Oficial da União, o que acontecerá, segundo o MDIC, na sexta-feira, 6.

 

O incetivo aos veículos híbridos e elétricos beneficiará montadoras que apostarem uma tecnologia que, até então, é incipiente no mercado nacional. BMW, Ford, Jaguar, Nissan e Toyota já comercializam veículos – importados – que possuem powertrain de matriz elétrica.

 

A expectativa da indústria é a de que, com o decreto assinado, mais investimentos na tecnologia possam ser feitos no Brasil e, assim, massificar o tipo de veículo no mercado nacional.

 

Levantamento mais recente da Anfavea mostrou que foram vendidas no País, até maio, 1 mil 562 unidades de veículos híbridos e elétricos, o que significa uma participação marginal do mercado, coisa de 0,2%. Em 2017 foram vendidas aqui 3 mil 296 unidades.

 

O decreto, na prática, representa o início do caminho desses veículos no País. Ainda que estejam estabelecidas alíquotas de IPI, há outras questões ainda em discussão sobre o universo da eletrificação na mobilidade local.

 

Um dos temas em discussão é a regulamentação do uso do veículo elétrico, tema que envolve outros setores afora o automotivo. O MDIC disse, em junho, que as novas diretrizes serão incorporadas ao texto do Rota 2030 tão logo estiverem assinadas, o que ainda não tem prazo para acontecer.

 

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Programa atende também a montadoras premium

São Paulo – Na cerimônia do anúncio do Rota 2030, na quinta-feira, 5, o governo federal assinou um projeto de lei que será enviado para o Congresso Nacional que permite o uso de saldo de crédito presumido do IPI. A proposta garantirá a restituição do tributo pago pelas empresas e que não puderam ser utilizados durante a vigência do programa Inovar-Auto, que antecedeu o Rota 2030 e foi encerrado em 31 de dezembro do ano passado.

 

Durante o Inovar-Auto, as empresas habilitadas na modalidade projeto de investimento, basicamente as montadoras premium, tiveram que recolher um IPI adicional de 30 pontos porcentuais sobre os veículos importados. O regulamento do programa previa que esses valores seriam ressarcidos às empresas pelo Governo Federal após o início da fabricação no País por meio de crédito presumido de IPI.

 

Não houve tempo hábil para o ressarcimento integral ocorrer antes do encerramento do programa no fim do ano passado. Com este projeto, um pleito das empresas, as montadoras terão acesso a esse valores dentro do Rota 2030.

 

São interessadas na aprovação desse projeto de lei a Audi, que voltou a produzir o A3 e o Q3, em São José dos Pinhais, PR, após o anuncio do Inovar-Auto, a BMW, que produz em Araquari, SC, os modelos Série 3, X1, X3 e X4, a Jaguar Land Rover, que construiu sua fábrica em Itatiaia, RJ, e produz o Discovery Sport e o Range Rover Evoque e a Mercedes-Benz, que tem fábrica em Iracemápolis, SP, e produz o Classe C e o GLA.

 

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Rota na rua

 

São Paulo – Enfim o governo divulgou no começo da noite de quinta-feira, 5, o Rota 2030, programa que guia os passos da indústria automotiva nacional para os próximos anos.

 

Após quase um ano de expectativa e pelo menos sete meses de atraso – o Inovar Auto, antigo programa automotivo brasileiro, deixou de vigorar em 31 de dezembro do ano passado –, representantes da indústria se reuniram com o presidente da República no Palácio do Planalto para assinar uma Medida Provisória, um decreto presidencial e um Projeto de Lei para o setor automotivo.

 

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A MP, que será publicada na edição de sexta-feira, 6, do Diário Oficial da União, trata do Rota 2030 Mobilidade e Logística e traz regras para eficiência energética, segurança veicular e pesquisa e desenvolvimento. O decreto presidencial, por sua vez, reduz as alíquotas do IPI para veículos híbridos e elétricos por meio de uma tabela referencial. Por último, o projeto de lei – que ainda passará pelo Congresso Nacional – atende a uma demanda das montadoras premium, de usar o crédito presumido de IPI do Inovar Auto.

 

Para Antonio Megale, presidente da Anfavea, foi um dia histórico para a indústria automotiva brasileira. “O Rota 2030 é um marco para a indústria automotiva nacional, que representa 22% do PIB industrial do País e vem cumprindo seu papel na recuperação econômica, gerando empregos e puxando a produção industrial”.

 

O executivo ressaltou a previsibilidade e segurança jurídica que o programa concede ao setor, uma vez que define a regra para os próximos quinze anos – ou três ciclos de desenvolvimento de produtos. Megale e José Luiz Gandini, presidente da Abeifa, afirmaram que essas definições são fundamentais para os planejamentos de investimento das companhias.

 

Megale ainda destacou o apoio que o programa dá à pesquisa e desenvolvimento, especialmente no momento em que a indústria global investe em conectividade, eletrificação e Indústria 4.0, dentre outros itens.

 

“Com o Rota 2030, o País será fortalecido por vários motivos. Os veículos oferecidos no mercado serão cada vez mais eficientes, seguros e sustentáveis, reduzindo as emissões de CO2 e melhorando o meio ambiente e qualidade de vida da sociedade. O País ganha ao manter uma indústria automobilística ainda mais forte, capaz de competir no mercado mundial devido aos investimentos em P&D. E a indústria passa a ter mais previsibilidade e segurança jurídica, permitindo um planejamento adequado para continuar investindo no Brasil”.

 

Repercussão – Gandini, presidente da Abeifa, estava presente no anúncio do novo programa automotivo e disse que o Rota 2030 permite às empresas, incluindo as importadoras, planejarem melhor os seus investimentos.

 

Para Mauro Correia, presidente da Caoa Montadora, a ação do governo foi positiva. “Agora sabemos o que se espera do País em termos de política industrial. Agora as empresas podem se planejar mirando o longo-prazo”.

 

Embora traga um horizonte para as montadoras, o Rota 2030 ficou devendo como política industrial. Uma fonte do setor afirmou à Agência AutoData que, para fazer a indústria crescer e se desenvolver, o programa deveria abranger outros quesitos. “O Rota 2030 traz uma série de regulamentações para o setor, mas como política industrial ficou muito débil”.

 

Colaboraram Bruno de Oliveira e Caio Bednarski

 

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