Para máquinas crescimento não pode ser rápido demais

As empresas fabricantes de máquinas agrícolas e de construção preveem um 2018 de pouco crescimento – e isso, por incrível que pareça, é boa notícia. A razão está na cadeia de fornecimento, tornada extremamente frágil com a crise de mercado dos últimos três anos: os números de vendas de maquinário de construção, por exemplo, caíram de 45 mil unidades em 2013 para estimadas 7 mil em 2017.

Aquele estupendo volume alcançado antes da crise atraiu novas fabricantes do segmento a erguer fábricas por aqui: as empresas com produção local saltaram de quatro para mais de uma dezena. A mistura de um dobro de clientes associada a uma queda vertiginosa dos pedidos foi cruel para a cadeia de fornecimento, que agora não tem condições de reagir rapidamente diante de um possível cenário mais animador.

Esta constatação foi unânime pelos participantes de painel que reuniu representantes do segmento no primeiro dia do Congresso AutoData Perspectivas 2018. Dividiram o palco Afrânio Chueire, da Volvo CE, Paulo Beraldi, da AGCO Valtra, Roberto Marques, da John Deere, e Roque Reis, da CNHi. Na média os palestrantes estimaram para 2018 elevação dos números na faixa de um dígito alto, próximo de 8%.

“Considerando a base baixa representa muito pouco”, atestou Chueire. “Mesmo se o crescimento fosse de 30% isso significaria 2 mil máquinas a mais, o que, ainda assim, seria volume bastante reduzido.”

Um parâmetro realista para o mercado nacional, ele calculou, seria de 12 mil a 20 mil máquinas por ano.

Marques, da John Deere, elencou outra preocupação: o aumento representativo do capital chinês em obras de infraestrutura no País: “A princípio tendem a optar por empreiteiros chineses, o que pode vir a representar também o uso de maquinário chinês”.

Outra dúvida paira quanto às empresas construtoras investigadas pela Operação Lava Jato: poderão participar de novos editais para obras? Se estiverem impossibilitadas quem o fará, se é que alguém o fará?

De qualquer forma o panorama à frente tem tudo para ser positivo. Beraldi, da AGCO Valtra, afirmou que a América do Sul tem o maior potencial agrícola do mundo. Ele também lembrou da China, mas agora em outra perspectiva: aquele país tem um déficit em terras disponíveis para plantio, o que pode vir a se tornar boa notícia para as exportações agrícolas brasileiras.

Quanto ao mercado o palestrante estimou alta de 5% a 10% nas vendas de tratores de roda em 2017, seguida de nova elevação de 10% em 2018. Para as colheitadeiras a projeção é queda de 5% este ano e crescimento de 15% no próximo.

Reis, da CNHi, acrescentou que as exportações têm ajudado as fabricantes a enfrentar o cenário de redução brusca do mercado interno, ainda que “não seja exatamente a salvação da lavoura”. De qualquer forma, estimou, as vendas no País não devem cair mais do que já caíram, ou seja: o fundo do poço já foi alcançado.

Foto: Maurício de Paiva

Mercado de caminhões sobe 2 dígitos em 2018

Os três palestrantes do painel Caminhões, realizado durante o primeiro dia do Congresso AutoData Perspectivas 2018, João Pimentel, presidente da Ford Caminhões, Bernardo Fedalto, diretor comercial de caminhões da Volvo, e Ricardo Barion, diretor de marketing da Iveco, trabalham com crescimento de dois dígitos para o setor em 2018.

 

Fedalto, da Volvo, acredita que o incremento de vendas no segmento em que atua, veículos comerciais semipesados e pesados, será de 10% a 20%, e Barion, da Iveco, trabalha com acréscimo de 5% a 10% – “mas o índice mais realista talvez seja 10%”.

Além das expectativas para 2018 os executivos debateram temas como a sustentabilidade do mercado, o processo das exportações, o uso de materiais alternativos, a cadeia de suprimentos, a adoção do Euro 6 e a renovação de frota.

Eles também revisaram as expectativas de 2016 com relação a 2017. Na época a maioria acreditava em retomada do mercado já este ano, com a economia se descolando dos fatos políticos com maior rapidez, como lembrou Barion, da Iveco: “Ninguém acreditava que podia cair mais, mas a situação política piorou muito”.

Hoje, com o aparente descolamento, a análise fica mais realista.

A opinião de João Pimentel, presidente da Ford Caminhões, é a de que a indústria, hoje, é pequena e crescer 20% significa mercado de 60 mil unidades por ano: “Para se tornar sustentável para a rede precisa chegar a 80 mil, 90 mil”.

Mercado sustentável. Chegar à sustentabilidade significa aumentar vendas, e para Fedalto, da Volvo, o número ideal é de 120 mil a 130 mil unidades por ano. Pimentel, da Ford, acredita que em 2020 o mercado deve atingir aproximadamente 100 mil veículos: “Em 2024 há possibilidade de vendas na ordem de 120 mil, 130 mil, podendo chegar a 150 mil”.

Já para a Iveco em condições normais a indústria consegue atingir 100 mil unidades vendidas nos próximos cinco anos.

Com relação às exportações Fedalto, da Volvo, observou que a empresa nasceu, 40 anos atrás, com a premissa de exportar 30% da sua produção: “Temos isso no DNA da empresa, e hoje as vendas externas representam quase 50% do negócio”.

Barion, da Iveco, confirmou que a empresa sentiu necessidade de exportar com a crise. Segundo ele 30% é índice que faz sentido, mas depende da flutuação cambial. Já na Ford Pimentel contou que sempre se teve exportação como objetivo: “Mas não conseguimos ir para mercados além da América do Sul, por falta de competitividade”.

De acordo com Pimentel a Ford consegue exportar 35% da sua produção de caminhões e, mais, que pretende crescer nas suas operações sul-americanas com o início de vendas para a Colômbia.

Alumínio. O uso de materiais alternativos também foi debatido no painel e os executivos admitiram que ainda há pouco conteúdo de alumínio em seus produtos, como disse Barion, da Iveco:

“Com a crise o bolso do cliente ficou sensível ao preço e ele não consegue enxergar benefícios no uso do alumínio nos veículos”.

Outro tema abordado no painel foi a capacidade da cadeia de suprimentos de retomar vendas e produção. Pimentel, da Ford, acredita que na hora da recuperação todos trabalharão em conjunto para atender à demanda, apesar dos problemas na cadeia como um todo. Barion, da Iveco, contou que toda semana descobre mais fornecedores precisando de ajuda, e por isso acredita que alguns terão dificuldades para atender às demandas do crescimento.

Marcado no calendário para entrar em vigor em 2022, o padrão Euro 6 de restrições a emissões de poluentes por veíclos automotores também foi tema debatido, assim como a polêmica da renovação de frota. Pimentel, da Ford, disse que a legislação é bem vinda mas que, antes dela, é preciso fiscalizar e tirar de circulação os caminhões velhos, com mais de trinta anos de uso. A maneira de se atingir esse objetivo é por meio da renovação da frota, que na visão de Pimentel deve ser realizada pela iniciativa privada, uma parceria de montadoras, fornecedores e instituições financeiras: “O governo não fará muita coisa, então setor privado precisa se mexer”.

Pimentel apontou que somente metade dos veículos Euro 5 atualmente usam Arla. Segundo ele muitos adotam chip clandestino que engana sistema: “Esse ramo requer muito mais fiscalização”.

Barion, da Iveco, e Fedalto, da Volvo, concordam com o presidente da Ford. Para Barion “há um monte de caminhão Euro 0 rodando por aí. Precisamos de renovação de frota e também discutir a data da adoção do Euro 6”.

“Todas as montadoras já têm Euro 6, e por isso produzir não é problema”, contou Fedalto. “Mas é preciso fiscalizar, é preciso fazer renovação de frota pela fiscalização.”

 

Foto: Maurício de Paiva

Setor está na retomada mas requer sustentabilidade

O setor automotivo está na rota da retomada do crescimento e, para Rogelio Golfarb, vice-presidente de assuntos corporativos da Ford, o mercado mostra alguns sinais de melhorias: “Agenda de reformas, avanços econômicos, instituições mais sólidas, melhor administração das estatais e a maior produção de papelão ondulado são fatores que demonstram a retomada do crescimento”.

Porém, mesmo dentro desse cenário, alguns fatores ainda preocupam a indústria: “A inadimplência das famílias está caindo mas o ritmo é lento e o mesmo acontece com a taxa de juros para pessoas físicas e com a taxa de desemprego”.

Mesmo no caminho da retomada, contudo, é necessário buscar o crescimento sustentável – que não acontece ainda porque os bons números têm, como base, dois fatores que não passam pelo consumidor final: vendas diretas e exportações. Segundo os dados divulgados por Golfarb durante palestra no primeiro dia do Congresso AutoData Perspectivas 2018, as vendas totais cresceram 24,5% de janeiro a setembro mas apenas 4% foram de automóveis vendidos para pessoas físicas e 20,5% foram vendas diretas, como os negócios fechados com as locadoras. No caso das exportações, a produção também recebeu impacto, cresceu 27%, com 14,8% desse volume sendo exportados:

“Os números mostram que as vendas diretas estão ajudando o mercado, mas também deixam claro que as vendas para pessoas físicas ainda sofrem para crescer. Dos 14,8% de aumento da produção que foram exportados, 9,8% tiveram a Argentina como destino e a questão é até quando o mercado argentino terá esse volume de crescimento”.

Para o crescimento sustentável da indústria Golfarb acredita que a solução de algumas questões é essencial:

“A liberação de crédito ainda é seletiva e restritiva, precisamos retomar a geração de empregos e, com isso, aumentar o poder de compra das famílias, que estarão menos endividadas e terão condições melhores para pagar os empréstimos, que ficarão mais flexíveis caso a retomada realmente aconteça”.

Para ilustrar o impacto que o aumento do desemprego e a falta de crédito geraram para o setor o executivo usou os dados do segmento que mais requer crédito, de compactos e de subcompactos: “Este segmento representava mais de 2 milhões de carros vendidos em 2012. Agora, em 2017, este volume é de 1 milhão 180 mil, caindo 46,2% e afetado diretamente pela falta de crédito no mercado e pelo aumento na taxa de desemprego”.

Outra questão discutida por Rogelio Golfarb é a legislação e a tributação que mudam de país para país, dificultando a competividade e aumentando os custos de produção: “Se esses dois fatores fossem iguais nos países da América do Sul seria mais fácil a manufatura de um produto local por meio da redução dos custos inerentes. Esse é assunto que as empresas do setor automotivo estão tentando resolver para que a indústria se torne mais competitiva nesses mercados e tenha custos menores”.

Foto: Maurício de Paiva

GM promete mais investimento. Logo, logo.

Os aportes financeiros da General Motors no Brasil deverão crescer. De acordo com Carlos Zarlenga, seu presidente para o Mercosul, a empresa prepara “mais anúncios de investimento”, sendo que “um deles deverá ocorrer em breve”.

A informação foi revelada durante a apresentação de Zarlenga durante o primeiro dia do Congresso AutoData Perspectivas 2018. Recentemente a GM pormenorizou aporte de R$ 4,5 bilhões, parte de pacote mais amplo de R$ 13 bilhões para o período 2014-2020: R$ 1,2 bilhão para a fábrica de São Caetano do Sul, SP. R$ 1,4 bilhão para a de Gravataí, RS, e R$ 1,9 bilhão para a de Joinville, SC, unidade dedicada exclusivamente à produção de motores e transmissões.

Zarlenga não deixou claro se este novo anúncio de investimento representará dinheiro 100% ou se ainda fará parte do pacote já conhecido, de R$ 13 bilhões. Mas, de qualquer forma, deu indício claro que a ideia GM é não deixar recursos parados no cofre: “Como atuais líderes de mercado no Mercosul é natural que sejamos líderes também na eletrificação de veículos na região. Este é um desafio que a General Motors aceita. Queremos liderar o mercado também neste novo cenário”.

Excelente razão para tal foi revelada pelo executivo em cálculo muito interessante: hoje a venda de um carro 0 KM, adicionado de produtos agregados como seguro, financiamento e et ceteras, significa algo como de US$ 20 mil a US$ 30 mil de faturamento para a fabricante. Já um carro elétrico, considerando-se a venda adicionada de serviços de abastecimento e outros, durante toda a sua vida útil, pode representar receita até doze vezes maior.

Talvez exatamente por isso o palestrante tenha sido enfático ao garantir, em sua apresentação, que a eletrificação representa “a maior oportunidade da indústria desde a sua própria criação”.

Projeções – No que diz respeito ao mercado brasileiro em particular Zarlenga atesta que “o crescimento começou, é sustentável e continuará”. A empresa estima mercado interno para 2018 em faixa que vai de 2,4 a 2,6 milhões, “possivelmente mais para perto dos 2,6 do que para os 2,4”.

Para o fechamento deste ano a previsão é de 2 milhões 250 mil unidades comercializadas, o que significa que o crescimento em 2018 pode variar, nos cálculos da GM, de 7% a 16%. De 2019 a 2021 a previsão é de elevação constante na faixa de 8% ao ano, chegando a 3,3 milhões em 2021.

Para a Argentina a GM vê 2017 com mercado de 900 mil unidades, e o mesmo em 2018, um tímido crescimento para 910 mil em 2019, para 940 mil em 2020 e para 970 mil em 2021.

 

Foto: Maurício de Paiva

Crescimento de até 20% estima MAN

O potencial de crescimento do mercado de caminhões e ônibus, aqui, é de 20% nos próximos anos, avaliou Roberto Cortes, presidente da MAN, durante o primeiro dia do Congresso AutoData Perspectivas 2018: “No nosso setor o que vende os produtos caminhões e ônibus é o PIB. Não existe nada mais confirmado do que isso”.

 

Para sustentar seu raciocínio Cortes mostrou a correlação da queda do PIB com a queda das vendas dos últimos anos – “Em 2017 a situação começou a mudar”, ele afirmou ao apresentar dados que revelam a retomada do crescimento do PIB, como o aumento das negociações na bolsa de valores, a redução do risco Brasil, a estabilidade do real frente ao dólar, a queda das taxas de juros e a retomada da confiança do consumidor.

 

Cortes acredita que as vendas, este ano, chegarão próximo ao resultado de 2016, quando foram comercializados 50,6 mil caminhões e 11,2 mil ônibus, segundo dados da Anfavea: “No primeiro trimestre o PIB caiu e as vendas também, mas voltou a crescer. O mercado de caminhões era de 2,7 mil unidades por mês, subiu para 3,7 mil e hoje estamos em 4,4 mil”.

 

No que se refere às as exportações a expectativa da MAN é aumento de 24% este ano.

 

2018 – Outra expectativa da MAN é a de que o PIB, em 2018, cresça de 2,5% a 3%, podendo chegar a 3,5% ou 4%. Cortes destacou a importância da melhoria da situação política no País para atingir metas mais altas: “Se, mesmo com problemas políticos, a economia cresce o que aconteceria com a política estável?”.

A resposta, ele opina, é similar ao que ocorreu recentemente na Argentina, que viveu período de conturbação política e econômica até o início do atual governo, em 2015: “A Argentina é benchmark para o mercado brasileiro. Houve estabilidade e este ano crescerá 60%”.

 

Segundo Cortes o próximo presidente brasileiro precisa ser pró-negócio, manter as reformas e a política econômica, realizar “as obras de infraestruturas necessárias assim como as privatizações”, e ficar atento à renovação de frota: é, atualmente, duas vezes mais velha do que deveria ser.

 

“Estamos bem longe do que aconteceu em 2010 e 2011, mas o caminho é de otimismo”, afirmou Cortes ao revelar que a MAN trabalha com cenário de crescimento de no mínimo dois dígitos para 2018 – tanto que a empresa já recontratou funcionários que estavam em lay-off, cancelou as férias coletivas de fim de ano e está em processo de admissão de trezentos novos funcionários.

 

Com relação às exportações a MAN trabalha com índice de 30% da produção para atender a mercados externos: “O passado, quando destinávamos 10% da produção para a exportação, mostra que não é salutar colocar todas as fichas em um só mercado. Esperamos, agora, que nossa produção alcance até 32 mil unidades”.

 

Condições – Para alavancar ainda mais as vendas Cortes acredita que algumas medidas são fundamentais, como redução drástica da taxa de juros, retomada do Finame integral, sua ampliação para caminhões usados e repasse para novo financiamento, fortalecimento do programa de renovação de frota e ampliação da linha de crédito para exportação: “A taxa de juros vem caindo mas para investimentos 14% ainda é muito alta”.

 

Em outros mercados, apontou, essas taxas não superam 2%.

 

Além disso ele espera que o programa Rota 2030 não pare, apesar de admitir atrasos: “É a primeira vez que vejo um programa sendo feito com a participação direta todos os interessados. Pode ser que atrase em função de falta de consenso, mas sem mudar a sua essência”.

 

Foto: Maurício de Paiva

Anfavea projeta produção de 3 milhões em 2018

As fabricantes de veículos que atuam no País, representadas pela Anfavea, projetam crescimento das vendas em 2018, em dois dígitos. São 300 mil veículos a mais do que os 2,7 milhões esperados para este ano. O presidente Antônio Megale disse, na segunda-feira, 9, durante o primeiro dia do Congresso AutoData Perspectivas 2018, realizado em salões do Hotel Transamérica, em São Paulo, que o cenário que prevalecerá é o de manutenção do ritmo de produção em função do seu crescimento no mercado interno e nas exportações:

 

“Observamos que uma série de fatores colaborará para a manutenção da produção como tem sido este ano. Em automóveis esperamos que a exportação represente boa parte da produção, e alguns investimentos estão sendo feitos para que, em 2018, o mercado de caminhões volte a ser destaque”.

 

Ainda preocupam a entidade os níveis de emprego, renda e inadimplência. Por causa disso Megale afirmou que ainda é preciso apostar nas reformas previstas pelo governo como ferramentas de melhoria desses pontos no quadro econômico: “O setor está em constante diálogo com o governo no que diz respeito às políticas públicas. A construção do Rota 2030 serve também para aproximar os interesses”.

 

Foto: Maurício de Paiva

Marcopolo e Randon apostam em 2018

À frente de Marcopolo e Randon, as duas maiores empresas de Caxias do Sul, RS, Francisco Gomes Neto e David Randon compartilham da visão de que o pior da crise econômica passou e projetam novos patamares de produção e vendas para 2018. Na opinião de Gomes e Randon, os números, no entanto, seguirão distantes dos melhores resultados, como os registrados de 2010 a 2014. Alcançar estes níveis, na verdade, exigirão talvez décadas.

 

CEO da maior fabricante de carrocerias de ônibus do Brasil, Gomes Neto falou em exaustão da crise. Lembrou-se que a Marcopolo sentiu mudanças positivas no segundo trimestre do ano, o que não se repetiu no terceiro em função do incêndio que destruiu a unidade de componentes plásticos e forçou uma parada de duas semanas na produção.

 

Gomes Neto assinalou que o mercado interno de ônibus caiu 60%, de 24 mil para 10 mil, de 2014 para 2016. “Foi uma crise dura”, definiu. Manifestou convicção de que o próximo ano será melhor, mas alertou: “A retomada depende de cada um de nós. Precisamos, cada vez menos, depender da atividade pública e dos políticos. Mas temos uma tarefa importante para 2018, a de escolher bem os futuros governantes”.

 

Uma das preocupações de Gomes Neto para 2018 é a desvalorização do dólar frente ao real em função da retomada da atividade econômica. Assegurou, no entanto, que a Marcopolo está preparada para enfrentar este cenário porque a estratégia é continuar exportando. “Foi muito penoso recuperar os espaços perdidos em anos anteriores”, argumentou.

 

De acordo com o executivo, as exportações cresceram 50%. “Para sermos competitivos, dependemos do câmbio, mas precisamos ter estratégias que diminuam esta influência”, recomendou. Em relação ao mercado interno, o CEO aponta os juros, ainda elevados, como obstáculo a ser superado. “Para comprar um ônibus, o cliente paga 14% de juros ao ano para uma inflação de 3%”, comparou.

 

Para fazer frente à crise, Gomes Neto destacou que a Marcopolo adotou políticas de redução de custos, incluindo o quadro funcional, e focou os investimentos em programas de melhorias e produtividade. A partir de sugestões dos colaboradores, foram feitas mais de sete mil melhorias. Segundo ele, os investimentos seguirão nesta mesma linha.

 

Recuo de 20 anos – David Randon, diretor-presidente da maior fabricante de implementos rodoviários do Brasil e de um conjunto de empresas fabricantes de autopeças, se disse otimista com o próximo ano. Ele destacou que, apesar da crise acentuada, o agronegócio se manteve aquecido e há necessidade urgente de renovação de equipamentos. “Voltamos 20 anos no tempo, isto não é normal. Por isso, a retomada terá de vir”.

 

Randon lembrou que o mercado doméstico de veículos pesados – reboques e semirreboques – caiu de 70 mil para 23 mil, de 2013 para 2016. Para recupera os níveis anteriores, o crescimento médio anual teria de ser de 25%. “É certo que, no curto prazo, não voltaremos sequer à metade do pico de vendas”, avaliou.

 

Para suportar a crise, a empresa também reduziu custos, inclusive com mão de obra, e priorizou os investimentos em produtividade, inovação, tecnologia e novos produtos. Um dos resultados é que os preços atuais dos produtos são os mesmos de dois anos atrás, mas os equipamentos tornaram-se mais leves para aumentar a capacidade de carga transportada. A estratégia será mantida para 2018. “Precisamos qualificar os investimentos, pois quando se tem dinheiro, se faz muitas coisas sem pensar. A crise força maior disciplina”, definiu. No entanto, reconheceu que o grupo analisa a possibilidade de aquisições e ingresso em novos negócios no setor.

 

Produtividade – Fazer mais com menos, buscando elevar a produtividade das fábricas e, consequentemente, ganhar competitividade interna e externa. Este é o grande desafio que se apresenta às empresas em geral, mas muito especialmente na indústria. Randon afirma que a automação estará cada vez mais presente na indústria, o que exige uma tomada de posição: “Ou nos adaptamos a isto ou seremos engolidos. Temos de encontrar novas formas para sobreviver”.

 

O executivo avalia que a Indústria 4.0 terá de ser incorporada rapidamente. Ele reconhece que os custos de aquisição dos sistemas ainda são caros, mas defende que a implantação deva ser feita por setores. De acordo com Randon, a tecnologia repercutirá no mercado de trabalho. Ele cita países desenvolvidos, onde houve o fechamento de 25% das vagas. “O que fazer para gerar novos empregos?”, questionou, acreditando que números formais de vagas, como os de 2010 e 2011, somente serão possíveis dentro de uma década.

 

Randon também defendeu a aprovação das reformas propostas pelo governo e cobrou menos burocracia. “Nas operações do Brasil empregamos mais na área contábil do que na engenharia. Nos Estados Unidos e na China, onde temos unidades, duas pessoas atendem a área contábil”.

 

Para Francisco Gomes Neto, CEO da Marcopolo, a produtividade não pode ser associada somente com mão de obra. Por experiência própria, pois atuou durante sete anos em empresa nos Estados Unidos, garantiu que o trabalhador brasileiro é tão eficiente quanto um estadunidense. A diferença está na tecnologia dos equipamentos. O problema, segundo ele, é que são produtos com preços inacessíveis à maioria das empresas nacionais. “Já existe espaço para incorporar as tecnologias eletrônicas e digitais, mas os conteúdos são muito caros. E não é algo de aplicação rápida. A primeira fase deste processo é trabalhar a base das empresas, eliminar desperdícios e organizar a fábrica com layouts modernos”, recomendou.

Parte do setor de implementos volta a respirar

Um dos setores que mais sofreram com a retração do setor automotivo foi o de implementos rodoviários, que viu suas vendas cairem com a mesma velocidade em que o volume de caminhões novos entregues no mercado diminuia. Para este ano, entretanto, há indícios de que as vendas sejam maiores na comparação com as que foram efetuadas ao longo de 2016.

 

A Fenabrave, federação das concessionárias que atuam no País, projeta um mercado 3% maior ao final do ano na comparação com o ano passado, devendo fechar o consolidado dos doze meses com 24 mil 390 implementos vendidos. Ainda que a projeção da entidade tenha sido revisada para baixo – em janeiro deste ano a expectativa era de fechar o ano com 25 mil 528 unidades – o cenário se mantém positivo.

 

Dados da Anfir, a Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários, mostraram que de janeiro a dezembro deste ano que alguns segmentos voltaram a apresentar desempenho positivo de vendas. Cinco segmentos, dentre os quinze que compõem o setor de reboques e semirreboques, tiveram mais de mil unidades emplacadas no período – basculante, baú carga geral, dolly, baú lonado e tanque carbono.

 

“Esse indicativo em meio ao ambiente geral de retração corrobora a impressão do setor que estamos em rota de recuperação. Lenta, mas sem oscilações para baixo”, disse Alcides Braga, presidente da Anfir.

 

Os números de emplacamentos da Anfir dão conta de que nos nove meses do ano o volume de implementos rodoviários emplacados registrou retração de 13% com relação ao total apurado no mesmo período de 2016. No período, a indústria vendeu 41 mil 630 produtos contra 47 mil 848 unidades de janeiro a setembro do ano passado. Os número são maiores do que as projeções da Fenabrave porque nem todos os produtos são vendidos nas redes de concessionárias da federação.

 

No total, o segmento pesado apresentou retração de 6,19% com emplacamento de 17 mil 326 produtos de janeiro a setembro de 2017 ante 18 mil 469 em igual período do ano passado. No segmento leve, a retração registrada de janeiro a setembro de 2017 foi de 17,27%. No período foram distribuídos 24 mil 304 produtos contra 29 mil 379 em 2016.

 

Foto: Divulgação

 

Senado aprova parcelamento de dívidas com a União

O Senado Federal aprovou na quinta-feira, 5, a Medida Provisória, MP, que permite o parcelamento de dívidas de pessoas jurídicas e físicas com a União. A proposta, chamada de novo Refis, foi para a sanção presidencial, e deverá ajudar empresas do setor automotivo a reduzirem seus débitos.

 

A dívida do setor automobilístico deverá chegar a R$ 20 bilhões este ano, alta de 14% em relação ao ano passado, apontam dados da consultoria TCP Latam. As empresas tomaram empréstimos ao prever que o mercado de veículos iria rondar a casa dos 4,4 milhões, mas a produção encolheu e foi para 2,16 milhões, segundo a consultoria.

 

O novo Refis permite o pagamento de dívidas por meio de um parcelamento em até 180 meses, reduzindo até 90% dos juros e 50% das multas. Porém, a medida só vale para empresas que não optaram pelo Simples. As empresas que optaram pelo Simples só podem quitar as dívidas à vista ou por um programa de parcelamento em até 60 vezes, mas sem redução da multa ou juros.

 

Durante a votação, os senadores retiraram do texto os artigos que permitiam o perdão de dívidas de igrejas e instituições de ensino vocacional e o liberaria a reabertura, por 90 dias, do prazo de adesão ao Programa de Estimulo à Reestruturação e ao Fortalecimento das Instituições de Ensino Superior, Proies.

 

Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

Unidas capta R$ 500 milhões para refinanciar dívida

A Unidas, empresa de venda de veículos seminovos e locação, buscou recursos no mercado financeiro para refinanciar a dívida contraída com a compra de veículos para sua frota nos últimos anos. Foram captados R$ 500 milhões em transação que envolveu trinta e nove investidores que compraram debêntures, ou títulos da dívida da empresa.

 

Segundo Gisomar Marinho, diretor financeiro da companhia, motivou a decisão de buscar recursos este em ano em função da volatilidade da taxa de juros esperada para 2018: “Por ser ano eleitoral, acreditamos que a taxa de juros poderá sofrer variações e isso não cria um cenário favorável às negociações financeiras. Pagaremos menos juros com uma captação neste momento”.

 

A taxa de juros é o instrumento utilizado pelo Banco Central para manter a inflação sob controle ou para estimular a economia. Se os juros caem, criasse um ambiente favorável ao crédito e outras operações financeiras envolvendo captação de recursos. Com o aumento da taxa básica de juros, a Selic, o BC aumenta a atratividade das aplicações em títulos da dívida. Se a taxa cai, ocorre o inverso.

 

A operação de captação da Unidas foi realizada através de um sindicato de bancos, tendo o Banco Santander como coordenador líder conjuntamente com os seguintes bancos: Banco do Brasil, Banco Brasil Plural e Banco Haitong, como demais coordenadores da oferta.

 

Foto: Divulgação